domingo, 6 de fevereiro de 2011

Ai Portugal, Portugal!

Há uns anos, quatro alunos portugueses de arquitectura frequentavam uma universidade espanhola, ao abrigo do programa Erasmus. Na sua primeira aula, uma professora perguntou aos alunos qual o arquitecto contemporâneo que mais admiravam. Começou pelos portugueses. As respostas foram: Jean Nouvel, Rem Koolhaas, Frank Gehry e Norman Foster. Continuou a fazer a mesma pergunta, agora aos alunos espanhóis. As respostas que obteve foram: Álvaro Siza, Souto Moura, Fernando Távora e outros. Houve uma grande predominância na escolha de arquitectos portugueses. Os nossos conterrâneos ficaram um pouco comprometidos.

Acho que os espanhóis pregaram uma partida aos alunos portugueses: tendo Portugal grandes arquitectos, como todos os alunos portugueses escolheram arquitectos estrangeiros, os espanhóis resolveram dar uma lição aos portugueses. Se, em geral, os espanhóis nos têm (a nós portugueses) em pouca conta, admiram a arquitectura portuguesa e têm em muito boa conta os arquitectos formados em escolas portuguesas. Todavia, se deram uma lição aos alunos portugueses foi porque eles se puseram a jeito.

É esta história demonstrativa do desprezo que temos pelo que é nosso. Depois, não admira que os espanhóis nos menosprezem. Se nem nós gostamos de nós próprios!

Tenho de reconhecer que ultimamente se têm dado passos em frente. Em parte, temos de agradecer a Scolari que pôs os portugueses a hastear a bandeira portuguesa. Também hoje as bandas portuguesas cantam, maioritariamente em português (já não é foleiro).

Um bom princípio é: pensar globalmente, agir localmente. A mudança começa por nós próprios.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Mar Sonoro

Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim,
A tua beleza aumenta quando estamos sós
E tão fundo intimamente a tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho,
Que momentos há em que eu suponho
Seres um milagre criado só para mim.

Sophia de Mello Breyner Andresen

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Tintim no País dos Sovietes

Não gosto deste álbum de banda desenhada da autoria de Hergé. O seu valor é, fundamentalmente, histórico. É a primeira aventura de Tintim, com publicação iniciada em 10 de Janeiro de 1929 no Le Petit Vingtiéme, suplemento semanal do jornal belga Le Vingtième Siècle, onde foram publicadas as primeiras Aventuras de Tintim. Trata-se do único álbum que não foi redesenhado podendo assim observar-se o traço de Hergé no início da sua carreira, quando tinha 22 anos de idade. É uma obra de um anticomunismo primário. Esta obra não retira valor a Hergé que eu muito admiro como autor de banda desenhada. Politicamente era muito conservador, o que transparecia, principalmente, nos primeiros álbuns onde eram evidentes as manifestações de racismo e anticomunismo. Afinal, ninguém é perfeito – como dizia Joe E. Brown a Jack Lemon, no final do filme “Quanto mais quente melhor”.

Bom, "No País dos Sovietes", para além de Hergé classificar Moscovo como um “pardieiro infecto”, são apresentadas fábricas falsas, que não são mais do que cenário. O que eu não imaginaria, há uns anos, é que poderia haver em 2011 uma “fábrica falsa” em Évora. É o denominado Parque Desportivo Municipal. É só passar pela estrada do Bairro de Almeirim, o tapume é longo, tem a encimá-lo uma imagem virtual do dito parque e por trás do tapume o terreno nem sequer desmatado está. O tapume está lá, assim, há já 1 ano e meio. É só cenário!

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Ano do Coelho


Começa hoje, dia 3 de Fevereiro, o Ano Novo chinês. Acabou o ano do Tigre, começa o ano do Coelho. O Ano Novo chinês começa na primeira lua nova que ocorre entre 21 de Janeiro e 20 de Fevereiro que - coincidência ou não - é exactamente o período correspondente ao signo ocidental Aquário. É com grande alegria que no Oriente se festeja a chegada do Ano Novo que é um ano auspicioso, próspero, cheio de felicidade, muito amor, competência, actividade e riqueza.

Segundo o horóscopo chinês, a cada ano corresponde um signo. Os signos são doze: Rato, Boi, Tigre, Coelho, Dragão, Serpente, Cavalo, Carneiro, Macaco, Galo, Cão e Porco. Para além dos signos há os elementos que são cinco: Metal, Terra, Fogo, Água e Madeira. Assim, de acordo com a data do seu nascimento uma pessoa estará sob a influência de um signo e de um elemento.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Mubarak, estou contigo!

Há muitos anos, numa sessão de autógrafos do livro "Aventuras de João sem medo", José pediu ao autor do livro, José Gomes Ferreira, que o dedicasse a José Sem Medo. Escreveu, então, José Gomes Ferreira: "Para o José Sem Medo com a amizade do José Com Medo". Vem esta história a propósito da situação no Egipto. Alguns relatos do que lá se passou fizeram-me lembrar o 25 de Abril. Não pude deixar de sentir simpatia pelos acontecimentos. Não conheço a situação política, pelo que a minha opinião assenta em informação muito escassa. Mas, quando Obama e Sarkozy tentam empurrar Mubarak para fora da cadeira do poder e já, então eu desconfio. A minha simpatia por Obama é grande mas ele não deixa de ser o Presidente dos Estados Unidos da América. Penso que os egípcios é que têm de encontrar as suas próprias soluções. E a forma mais eficaz de o fazerem é através de eleições livres. Não somos nós (os da civilização ocidental) que sabemos o que é melhor para eles. A situação no Egipto é complexa. O fundamentalismo islâmico está lá e, no passado, já provocou estragos. Não deixo de me lembrar do que aconteceu no Iraque em que a informação difundida provocou sentimentos de ódio relativamente a Saddam Hussein e posteriormente veio a saber-se que muitas das informações divulgadas não eram verdadeiras. Sinceramente, penso que Saddam Hussein era, sem dúvida, um ditador mas acho que os iraquianos estavam melhor com ele do que com a guerra e com os americanos. Com Mubarak a situação não é boa mas com o fundamentalismo islâmico seria muito pior. É disso que tenho medo.

4:33


http://www.youtube.com/watch?v=hUJagb7hL0E


Quando se discute o que distingue a música do ruído e o que distingue o silêncio do som, a obra 4:33 de John Cage, criada em 1952, ocupa uma posição incontornável. Durante quatro minutos e trinta e três segundos a orquestra está no palco numa pausa contínua. Os instrumentos musicais não emitem qualquer som mas não existe silêncio. Há sons de que nos apercebemos nitidamente porque ficam evidenciados pela ausência de outros sons mais fortes que a eles se sobreponham. Podemos, facilmente, chegar à conclusão de que o silêncio não existe. E que música é também a ausência de notas musicais, ou seja, as pausas também são música. Não há uma obra musical que não tenha pausas. As pausas dão espaço às notas musicais, isto é, as pausas permitem que as notas musicais respirem. Também nos apercebemos que quando ouvimos a interpretação de uma obra musical ouvimos sons sobrepostos que acabam por integrar essa obra musical. Ouvir um concerto numa sala completamente cheia de público é bem mais agradável do que ouvi-lo numa sala completamente vazia. Na pintura ocorreu algo semelhante a esta peça "silenciosa" com as chamadas white paintings que Robert Rauschenberg criou em 1951.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Luar de Janeiro


Antes que expirasse o prazo, fui ao “Luar de Janeiro”. Foi mesmo no último dia de Janeiro. Gostei! (o tal “adjectivo”) Atendendo à qualidade do que se come e bebe, não é caro, digo eu. Garanto que é mais barato do que o Fialho e é melhor. Por uma refeição num restaurante tem, em princípio, de se pagar mais do que por uma refeição em casa. Então, que se coma melhor. Cada vez mais, prefiro comer fora menos vezes mas, quando o faça, que a refeição seja marcante e não banal.

A perdiz com couve lombarda estava, ... estava, ... (falta-me o termo), ... estava esplendorosa - o esplendor do luar de Janeiro.

Se abdicarmos das entradas, a refeição fica por €30,00 por pessoa. Como era dia de festa a refeição ficou por €42,00 por pessoa.

Bom, isto é informação para amigos, porque os outros ficam dispensados de lá ir, até porque a casa é pequena.