
sexta-feira, 10 de junho de 2011
Parabéns João Gilberto!

quarta-feira, 8 de junho de 2011
Jorge Semprún melómano
Jorge Semprún, cidadão, escritor, testemunha do século XX, homem da cultura, era um melómano.
Admirava, por exemplo, a música de Jean Baptiste Lully (1632 – 1687). Podemos ouvir:
Marche pour la cérémonie des Turcs
Aqui, uma cena com Gerard Depardieu interpretando o compositor Marin Marais, no filme "Todas as manhãs do mundo", do realizador Alain Corneau. A direcção musical foi de Jordi Savall.
Perú capital Lisboa
Por: Ramón Lobo
¿Efecto mariposa, vasos comunicantes, ying y yang, casualidades informativas..? En Portugal ha ganado la derecha, que por razones tal vez publicitarias se llama Partido Social Demócrata. Su líder,Pedro Passos Coelho, será el encargado de aplicar el durísimo ajuste económico aprobado por la Unión Europea y el FMI y que dejará en el andamiaje al Estado de bienestar. Malos tiempos para Portugal que en los asuntos de envergadura, como el del 25 de abril, siempre se anticipa a España.
El mismo día, al otro lado del mundo, más allá del océano Atlántico y los Andes venció Ollanda Humalaen las elecciones presidenciales de Perú. El líder de la izquierda que ha logrado imponer su imagen del nuevo Lula frente a los que le veían y le ven como el nuevo Hugo Chávez.
Uno de sus rivales, Mario Vargas Llosa, votó a ese Lula; mientras llega, promete vigilancia.
La victoria de Humala representa lo contrario que la de Passos Coello; Perú ha elegido descansar de tanto ajuste, de tanto 'lo que digan los mercados' y de tanta macroeconomía que provoca aplausos en el exterior pero que no llena los bolsillos de la mayoría de los peruanos.
Dos opciones, una misma crisis, es la democracia: la capacidad que tienen los ciudadanos de optar entre opciones diferentes y diferenciadas. Cuando las opciones se copian surge un 15M, Humala, alguien que escucha.
Democracia, como explica José Saramago, es la capacidad de empujar a la máquina en dirección contraria a la que quiere la máquina.
La victoria de Humala desempolva la escenografía de la izquierda latinoamericana a la que tanto daño ha hecho alguna izquierda latinoamericana, como la chavista: carteles, música, ilusión...
El tiempo dirá donde termina la esperanza, las promesas, todo lo que hoy se percibe revolucionario. La viñeta de Raúl Barbolla, que cierra el post, recoge este peligro: los 'mercados' acaban engullendo todo, incluso el antimercado si es que ofrece posibilidades de negocio.
(publicado no blog de El País: Aguas Internacionales)
Às vezes, de fora vê-se mais claramente do que de dentro.
Muito bem observado: "Em Portugal, a direita, talvez por razões publicitárias, chama-se Partido Social Democrata".
Custa-me muito ter de ouvir José Saramago dobrado em castelhano.
Com a informação social que temos em Portugal, tenho, sem dúvida, de aperfeiçoar o meu castelhano.
Jorge Semprún

terça-feira, 7 de junho de 2011
O elefante acorrentado

— Tens a certeza? — perguntou-me ele.
— Tenho! O que eu mais gostava era de conseguir sentar-me à frente dela e dizer-lhe o que sinto… Mas sei que não sou capaz.
O gordo sentou-se de pernas cruzadas à Buda, naqueles horríveis cadeirões azuis do seu consultório. Sorriu, fitou-me olhos nos olhos e, baixando a voz como fazia sempre que queria que o escutassem com atenção, disse-me:
— Deixa-me que te conte…
E sem esperar pela minha aprovação, o Jorge começou a contar.
Quando eu era pequeno, adorava o circo e aquilo de que mais gostava eram os animais. Cativava-me especialmente o elefante que, como vim a saber mais tarde, era também o animal preferido dos outros miúdos. Durante o espectáculo, a enorme criatura dava mostras de ter um peso, tamanho e força descomunais… Mas, depois da sua actuação e pouco antes de voltar para os bastidores, o elefante ficava sempre atado a uma pequena estaca cravada no solo, com uma corrente a agrilhoar-lhe uma das suas patas.
No entanto, a estaca não passava de um minúsculo pedaço de madeira enterrado uns centímetros no solo. E, embora a corrente fosse grossa e pesada, parecia-me óbvio que um ani mal capaz de arrancar uma árvore pela raiz, com toda a sua força, facilmente se conseguiria libertar da estaca e fugir.
O mistério continua a parecer-me evidente.
O que é que o prende, então?
Porque é que não foge?
Quando eu tinha cinco ou seis anos, ainda acreditava na sabedoria dos mais velhos. Um dia, decidi questionar um professor, um padre e um tio sobre o mistério do elefante. Um deles explicou-me que o elefante não fugia porque era amestrado.
Fiz, então, a pergunta óbvia:
— Se é amestrado, porque é que o acorrentam?
Não me lembro de ter recebido uma resposta coerente. Com o passar do tempo, esqueci o mistério do elefante e da estaca e só o recordava quando me cruzava com outras pessoas que também já tinham feito essa pergunta.
Há uns anos, descobri que, felizmente para mim, alguém fora tão inteligente e sábio que encontrara a resposta:
O elefante do circo não foge porque esteve atado a uma estaca desde que era muito, muito pequeno.
Fechei os olhos e imaginei o indefeso elefante recém-nascido preso à estaca. Tenho a certeza de que naquela altura o elefantezinho puxou, esperneou e suou para se tentar libertar. E, apesar dos seus esforços, não conseguiu, porque aquela estaca era demasiado forte para ele.
Imaginei-o a adormecer, cansado, e a tentar novamente no dia seguinte, e no outro, e no outro… Até que, um dia, um dia terrível para a sua história, o animal aceitou a sua impotência e resignou-se com o seu destino.
Esse elefante enorme e poderoso, que vemos no circo, não foge porque, coitado, pensa que não é capaz de o fazer.
Tem gravada na memória a impotência que sentiu pouco depois de nascer.
E o pior é que nunca mais tornou a questionar seriamente essa recordação.
Jamais, jamais tentou pôr novamente à prova a sua força…
— E é assim a vida, Damião. Todos somos um pouco como o elefante do circo: seguimos pela vida fora atados a centenas de estacas que nos coarctam a liberdade.
Vivemos a pensar que «não somos capazes» de fazer montes de coisas, simplesmente porque uma vez, há muito tempo, quando éramos pequenos, tentámos e não conseguimos.
Fizemos, então, o mesmo que o elefante e gravámos na nossa memória esta mensagem: «Não consigo, não consigo e nunca hei-de conseguir.»
Crescemos com esta mensagem que impusemos a nós mesmos e, por isso, nunca mais tentámos libertar-nos da estaca.
Quando, por vezes, sentimos as grilhetas e as abanamos, olhamos de relance para a estaca e pensamos:
Não consigo e nunca hei-de conseguir.
O Jorge fez uma longa pausa. Depois, aproximou-se, sentou-se no chão à minha frente e prosseguiu:
— É isto que se passa contigo, Damião. Vives condicionado pela lembrança de um Damião que já não existe, que não foi capaz.
»A única maneira de saberes se és capaz é tentando novamente, de corpo e alma… e com toda a forca do teu coração!
Jorge Bucay
sábado, 4 de junho de 2011
Jorge Bucay
"Existem três categorias de pessoas:Uma, a que, quando tem frio oferece toda a sua roupa de agasalho.
Outra, a que, quando sente frio, veste a sua roupa de agasalho.
E uma terceira que, quando sente frio, acende uma fogueira para se aquecer a si mesma e a todos os que queiram desfrutar do calor.
A primeira pessoa é suicida: irá morrer de frio.
A segunda é miserável: irá morrer sozinha.
A terceira é um ser humano normal, adulto e egoísta (acende a fogueira porque ele tem frio).
Eu quero ser aquele que acende milhares de fogueiras e, mais ainda, quero ser o que ensina milhares de seres humanos a acender fogueiras."
sexta-feira, 3 de junho de 2011
Carlos Kleiber

Kleiber nasceu na Áustria em 1930 e passados poucos anos a família emigrou para a Argentina, vítima da perseguição nazi. Faleceu em 2004 e encontra-se sepultado na Eslovénia.
Na votação recentemente realizada (Março de 2011), ficaram em segundo e terceiro lugares, respectivamente, Leonard Bernstein and Claudio Abbado.
Era considerado um perfeccionista e ,assim, não foram muitas as suas direcções de orquestra: 96 concertos e cerca de 400 óperas.
Podemos vê-lo aqui a dirigir obras de Strauss.
Kleiber dirige a orquestra, ou melhor, ele dirige todos os elementos da orquestra e além de dirigir com a batuta, dirige com todo o seu corpo. Impressionante!
