sexta-feira, 10 de junho de 2011

Parabéns João Gilberto!

Hoje, João Gilberto completa 80 anos. Parabéns!
João Gilberto teve uma grande importância na criação da bossa nova. O seu disco Chega de Saudade (a música com o mesmo nome pode ser ouvida aqui), lançado em 1959, é considerado o marco fundador da bossa nova. Claro que a bossa nova não foi criada por uma só pessoa. São muitos os que contribuíram para o surgimento da bossa nova. Citando alguns: Antonio Carlos Jobim, Vinicius de Moraes, Candinho,Roberto Menescal, Carlos Lyra, João Gilberto, Nara Leão, Ronaldo Bôscoli, Baden Powell e muitos outros.
Mas qual será a origem do nome "bossa nova". Segundo Sóstenes Barros, "
a palavra bossa era um termo da gíria carioca que, no fim dos anos cinquenta , significava: jeito, maneira, modo. Quando alguém fazia algo de modo diferente, original, de maneira fácil e simples, dizia-se que esse alguém tinha bossa. Se o Ricardo desenhava bem, dizia-se que tinha 'bossa de arquiteto'. Se o Paulo escrevia, redigia bem, tinha 'bossa de jornalista'. E a expressão 'Bossa Nova' surgiu em oposição a tudo o que um grupo de jovens achava superado, velho, arcaico, antigo." Na bossa nova há, de certo modo, uma fusão do samba com o jazz.
Este movimento de renovação da música popular brasileira não surge isoladamente. Em 31 de Janeiro de 1956, Juscelino Kubitschek tinha tomado posse como Presidente do Brasil. Com o slogan "50 anos em 5", ou seja 50 anos de desenvolvimento económico em 5 anos de governo, levou a cabo grandes transformações no Brasil, com industrialização, grande desenvolvimento e grandes obras, das quais se destaca a fundação de Brasília. Muito interessante o discurso de Juscelino Kubitschek na inauguração de Brasília (21 de Abril de 1960), no qual faz uma alusão a André Malraux. É neste quadro que surge a bossa nova como movimento de renovação da música popular brasileira, ocorrendo fenómenos idênticos na literatura, no teatro, no cinema ("cinema novo"), nas artes plásticas ("movimento neoconcreto").

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Jorge Semprún melómano

Jorge Semprún, cidadão, escritor, testemunha do século XX, homem da cultura, era um melómano.

Admirava, por exemplo, a música de Jean Baptiste Lully (1632 – 1687). Podemos ouvir:

Marche pour la cérémonie des Turcs

Aqui, uma cena com Gerard Depardieu interpretando o compositor Marin Marais, no filme "Todas as manhãs do mundo", do realizador Alain Corneau. A direcção musical foi de Jordi Savall.

Perú capital Lisboa

Por: Ramón Lobo

¿Efecto mariposa, vasos comunicantes, ying y yang, casualidades informativas..? En Portugal ha ganado la derecha, que por razones tal vez publicitarias se llama Partido Social Demócrata. Su líder,Pedro Passos Coelho, será el encargado de aplicar el durísimo ajuste económico aprobado por la Unión Europea y el FMI y que dejará en el andamiaje al Estado de bienestar. Malos tiempos para Portugal que en los asuntos de envergadura, como el del 25 de abril, siempre se anticipa a España.

El mismo día, al otro lado del mundo, más allá del océano Atlántico y los Andes venció Ollanda Humalaen las elecciones presidenciales de Perú. El líder de la izquierda que ha logrado imponer su imagen del nuevo Lula frente a los que le veían y le ven como el nuevo Hugo Chávez.

Uno de sus rivales, Mario Vargas Llosa, votó a ese Lula; mientras llega, promete vigilancia.

La victoria de Humala representa lo contrario que la de Passos Coello; Perú ha elegido descansar de tanto ajuste, de tanto 'lo que digan los mercados' y de tanta macroeconomía que provoca aplausos en el exterior pero que no llena los bolsillos de la mayoría de los peruanos.

Dos opciones, una misma crisis, es la democracia: la capacidad que tienen los ciudadanos de optar entre opciones diferentes y diferenciadas. Cuando las opciones se copian surge un 15M, Humala, alguien que escucha.

Democracia, como explica José Saramago, es la capacidad de empujar a la máquina en dirección contraria a la que quiere la máquina.

La victoria de Humala desempolva la escenografía de la izquierda latinoamericana a la que tanto daño ha hecho alguna izquierda latinoamericana, como la chavista: carteles, música, ilusión...

El tiempo dirá donde termina la esperanza, las promesas, todo lo que hoy se percibe revolucionario. La viñeta de Raúl Barbolla, que cierra el post, recoge este peligro: los 'mercados' acaban engullendo todo, incluso el antimercado si es que ofrece posibilidades de negocio.

(publicado no blog de El País: Aguas Internacionales)

Às vezes, de fora vê-se mais claramente do que de dentro.

Muito bem observado: "Em Portugal, a direita, talvez por razões publicitárias, chama-se Partido Social Democrata".

Custa-me muito ter de ouvir José Saramago dobrado em castelhano.

Com a informação social que temos em Portugal, tenho, sem dúvida, de aperfeiçoar o meu castelhano.

Jorge Semprún

Fotografia da autoria de Gorka Lejarcegi (2001)

"Cae la noche, la cuarta; la noche despierta los fantasmas. En la negra turbamulta del vagón, los hombres se vuelven a encontrar a solas con su sed, con su angustia y su cansancio. Se ha hecho el silencio. (...) Pero todavía estamos en la hora turbia de los recuerdos. Suben a la garganta, ahogan, debilitan la voluntad. Expulso los recuerdos. Tengo veinte años, mando a la mierda los recuerdos. Hay otra solución también. Es aprovechar este viaje para seleccionar. (...)

Lo que más pesa en tu vida son los seres que has conocido. Lo comprendí esa noche, de una vez para siempre. Dejé escapar cosas ligeras, agradables recuerdos, pero que sólo se referían a mí. Un pinar azul en el Guadarrama. Un rayo de sol en la calle de Ulm. Cosas ligeras, repletas de una dicha fugaz pero absoluta. Digo bien, absoluta. Pero lo que más pesa en tu vida son algunos seres que has conocido. Los libros, la música, es distinto. Por enriquecedores que sean, no son nunca más que medios de llegar a los seres. Cuando lo son de verdad, claro está. Los otros, al final, te resecan".

Jorge Semprún en El largo viaje (publicado no site de El País)

Eu sublinho: "O que pesa mais na tua vida são os seres que conheceste"

terça-feira, 7 de junho de 2011

O elefante acorrentado

— Não consigo — disse-lhe. — Não consigo!

— Tens a certeza? — perguntou-me ele.

— Tenho! O que eu mais gostava era de conseguir sentar-me à frente dela e dizer-lhe o que sinto… Mas sei que não sou capaz.

O gordo sentou-se de pernas cruzadas à Buda, naqueles horríveis cadeirões azuis do seu consultório. Sorriu, fitou-me olhos nos olhos e, baixando a voz como fazia sempre que queria que o escutassem com atenção, disse-me:

— Deixa-me que te conte…

E sem esperar pela minha aprovação, o Jorge começou a contar.

Quando eu era pequeno, adorava o circo e aquilo de que mais gostava eram os animais. Cativava-me especialmente o elefante que, como vim a saber mais tarde, era também o animal preferido dos outros miúdos. Durante o espectáculo, a enorme criatura dava mostras de ter um peso, tamanho e força descomunais… Mas, depois da sua actuação e pouco antes de voltar para os bastidores, o elefante ficava sempre atado a uma pequena estaca cravada no solo, com uma corrente a agrilhoar-lhe uma das suas patas.

No entanto, a estaca não passava de um minúsculo pedaço de madeira enterrado uns centímetros no solo. E, embora a corrente fosse grossa e pesada, parecia-me óbvio que um ani mal capaz de arrancar uma árvore pela raiz, com toda a sua força, facilmente se conseguiria libertar da estaca e fugir.

O mistério continua a parecer-me evidente.

O que é que o prende, então?

Porque é que não foge?

Quando eu tinha cinco ou seis anos, ainda acreditava na sabedoria dos mais velhos. Um dia, decidi questionar um professor, um padre e um tio sobre o mistério do elefante. Um deles explicou-me que o elefante não fugia porque era amestrado.

Fiz, então, a pergunta óbvia:

— Se é amestrado, porque é que o acorrentam?

Não me lembro de ter recebido uma resposta coerente. Com o passar do tempo, esqueci o mistério do elefante e da estaca e só o recordava quando me cruzava com outras pessoas que também já tinham feito essa pergunta.

Há uns anos, descobri que, felizmente para mim, alguém fora tão inteligente e sábio que encontrara a resposta:

O elefante do circo não foge porque esteve atado a uma estaca desde que era muito, muito pequeno.

Fechei os olhos e imaginei o indefeso elefante recém-nascido preso à estaca. Tenho a certeza de que naquela altura o elefantezinho puxou, esperneou e suou para se tentar libertar. E, apesar dos seus esforços, não conseguiu, porque aquela estaca era demasiado forte para ele.

Imaginei-o a adormecer, cansado, e a tentar novamente no dia seguinte, e no outro, e no outro… Até que, um dia, um dia terrível para a sua história, o animal aceitou a sua impotência e resignou-se com o seu destino.

Esse elefante enorme e poderoso, que vemos no circo, não foge porque, coitado, pensa que não é capaz de o fazer.

Tem gravada na memória a impotência que sentiu pouco depois de nascer.

E o pior é que nunca mais tornou a questionar seriamente essa recordação.

Jamais, jamais tentou pôr novamente à prova a sua força…

— E é assim a vida, Damião. Todos somos um pouco como o elefante do circo: seguimos pela vida fora atados a centenas de estacas que nos coarctam a liberdade.

Vivemos a pensar que «não somos capazes» de fazer montes de coisas, simplesmente porque uma vez, há muito tempo, quando éramos pequenos, tentámos e não conseguimos.

Fizemos, então, o mesmo que o elefante e gravámos na nossa memória esta mensagem: «Não consigo, não consigo e nunca hei-de conseguir.»

Crescemos com esta mensagem que impusemos a nós mesmos e, por isso, nunca mais tentámos libertar-nos da estaca.

Quando, por vezes, sentimos as grilhetas e as abanamos, olhamos de relance para a estaca e pensamos:

Não consigo e nunca hei-de conseguir.

O Jorge fez uma longa pausa. Depois, aproximou-se, sentou-se no chão à minha frente e prosseguiu:

— É isto que se passa contigo, Damião. Vives condicionado pela lembrança de um Damião que já não existe, que não foi capaz.

»A única maneira de saberes se és capaz é tentando novamente, de corpo e alma… e com toda a forca do teu coração!

Jorge Bucay

sábado, 4 de junho de 2011

Jorge Bucay

"Existem três categorias de pessoas:
Uma, a que, quando tem frio oferece toda a sua roupa de agasalho.
Outra, a que, quando sente frio, veste a sua roupa de agasalho.
E uma terceira que, quando sente frio, acende uma fogueira para se aquecer a si mesma e a todos os que queiram desfrutar do calor.
A primeira pessoa é suicida: irá morrer de frio.
A segunda é miserável: irá morrer sozinha.
A terceira é um ser humano normal, adulto e egoísta (acende a fogueira porque ele tem frio).
Eu quero ser aquele que acende milhares de fogueiras e, mais ainda, quero ser o que ensina milhares de seres humanos a acender fogueiras."
Jorge Bucay

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Carlos Kleiber

Carlos Kleiber foi considerado o maior maestro de todos os tempos por uma selecção de 100 dos mais importantes maestros da actualidade. A votação foi organizada pela BBC Music Magazine. Pode ler-se aqui a notícia.

Kleiber nasceu na Áustria em 1930 e passados poucos anos a família emigrou para a Argentina, vítima da perseguição nazi. Faleceu em 2004 e encontra-se sepultado na Eslovénia.

Na votação recentemente realizada (Março de 2011), ficaram em segundo e terceiro lugares, respectivamente, Leonard Bernstein and Claudio Abbado.

Era considerado um perfeccionista e ,assim, não foram muitas as suas direcções de orquestra: 96 concertos e cerca de 400 óperas.

Podemos vê-lo aqui a dirigir obras de Strauss.

Kleiber dirige a orquestra, ou melhor, ele dirige todos os elementos da orquestra e além de dirigir com a batuta, dirige com todo o seu corpo. Impressionante!