domingo, 6 de março de 2011

Picasso e o Minotauro

“Minotauro e uma Amiga” - 1933

É intrigante a quantidade de vezes que o Minotauro é representado nos desenhos, gravuras e pinturas de Picasso. O Minotauro surge na obra de Picasso em 1928 e é presença assídua até 1937. Surge com um carácter selvagem, na linha do mito em que o mal - Mintauro - é derrotado pelo bem - Teseu. Mas progressivamente o Minotauro vai-se humanizando. Picasso identifica-se mesmo com o Minotauro que se pode considerar o seu alter ego. Assume a sua animalidade.

Mas, como escreveu Marguerite Yourcenar, "Qui n'a pas son Minotaure?"


sábado, 5 de março de 2011

Castelo de Moulinsart

Castelo de Moulinsart

Castelo de Cheverny

O Castelo de Cheverny, um dos muitos castelos do Loire, está situado 10 km a sul de Blois. Comparando as duas imagens, não há qualquer dúvida de que foi a partir dele que Hergé desenhou o Castelo de Moulinsart. Essa identificação foi assumida e, hoje, no Castelo de Cheverny existe uma exposição permanente dedicada a Tintim.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Costa do Marfim


Segundo o Euronews: "Costa do Marfim à beira de uma catástrofe humanitária". Entretanto, nas televisões só se fala da Líbia. Barack Obama discursa dizendo que não vai permite que na Líbia haja uma catástrofe humanitária. Ele não sabe o que se está a passar na Costa do Marfim, senão já tinha tomado medidas. É preciso que alguém avise Barack Obama. Afinal, já não podemos dormir descansados porque os nossos amigos americanos andam distraídos.

Nosferatu de Murnau


No dia 5 de Março de 1922, faz depois de amanhã 89 anos, foi pela primeira vez exibido o filme Nosferatu de Murnau. Este filme é um marco na história do cinema e, em particular, uma referência incontornável para o género “filme de terror”. Trata-se de uma adaptação não autorizada do romance "Drácula" (1897) do irlandês Bram Stoker. Imagens fortíssimas! Sombras poderosas! Nosferatu é o expoente do expressionismo alemão. Uma boa maneira de comemorar os seus 89 anos será ver o filme. Ainda hoje impressiona!

O Julgamento de Páris

O Julgamento de Páris - Rubens

Peleu, rei da Fítia (Tessália) tinha casado com a ninfa Tétis. Muitos deuses participavam na boda. Quando a festa estava no auge, Éris, deusa da Discórdia - que não tinha sido convidada -surge e deixa sobre a mesa do banquete um pomo (maçã) de ouro com a inscrição “Para a mais bela”.

Três deusas avançam já que cada uma delas se considerava a mais bela. Foram elas: Hera, Atena e Afrodite. Ninguém quis tomar partido, nem sequer Zeus – o rei dos deuses – quis decidir quem era a mais bela. A solução encontrada por Zeus foi que a decisão fosse tomada por um homem que não conhecesse as três deusas. O homem escolhido foi Páris, filho mais novo de Príamo, rei de Tróia. Páris vivia entre pastores porque poucos dias antes de nascer a sua mãe – a rainha Hécuba - teve um pesadelo terrível no qual o seu filho tinha nascido sob a forma de uma tocha que incendiou Tróia. Esse pesadelo foi interpretado como sinal de que o filho viria a causar uma grande desgraça a Tróia, pelo que devia ser morto à nascença. Hécuba preferiu abandoná-lo no Monte Ida. Por sorte, a criança foi recolhida por pastores que o criaram. Páris era um homem ainda jovem quando, estando a pastorear um rebanho no Monte Ida, lhe aparecem as três deusas que aí foram conduzidas por Hermes. Cada uma das deusas prometeu que lhe daria algo de tentador se fosse a escolhida. Hera prometeu que lhe daria o domínio da Ásia. Atenas dar-lhe-ia sabedoria e vitórias nas batalhas. Afrodite prometeu-lhe o amor da mulher mais bela do mundo. Páris preferiu o amor a tudo o resto e entregou o pomo de ouro a Afrodite. A mulher mais bela do mundo - a que se referia Afrodite – era Helena, esposa do rei Menelau de Esparta.

Conta-se, pois, que a paixão de Helena e Páris e a sua fuga para Tróia originaram a Guerra de Tróia que viria a terminar com a conquista e destruição de Tróia pelos gregos.

Neste episódio – O Julgamento de Páris – encontramos a explicação para a expressão “o pomo da discórdia”.


quarta-feira, 2 de março de 2011

As visões do Capitão Haddock

O Capitão Haddock é boa pessoa. Tem é alguns pequenos defeitos. Um deles é o seu gosto pelo álcool. Por vezes isso faz com que tenha visões - perigosas visões.
Os nossos amigos americanos são boas pessoas mas ao olharem para a Líbia só vêem os seus poços de petróleo. Se pensarmos que o petróleo é como uma conta bancária em que apenas se fazem levantamentos e nem um só depósito, compreendemos essa fraqueza humana.
Tenho a certeza de que os americanos não sabem o que é melhor para a Líbia mas eles pensam que sim, que sabem. É este o preço de se ser o país mais poderoso do planeta.

terça-feira, 1 de março de 2011

O fruto inteiro

Retrato de Miguel Torga a carvão da autoria de Isolino Vaz

Hoje, lembrei-me de uma história que mostra que quando é possível ir mais longe se fica, muitas vezes, a meio caminho ou por falta de esforço ou por falta de talento. Todos conhecemos a música My Way e associamo-la à interpretação de Frank Sinatra. O que poucos saberão é que My Way é a versão para a língua inglesa de um original francês Comme d’habitude. Normalmente a versão para uma outra língua é uma sequela de segunda qualidade. Aqui, de segunda qualidade é o original. Quem interpretou e participou na composição de Comme d’habitude foi Claude François que morreu, ingloriamente, em 1978, quando tinha 39 anos, electrocutado por lhe ter escorregado das mãos o secador com que secava o cabelo enquanto estava dentro da banheira.

A propósito de não ficar a meio caminho, escreveu Miguel Torga o poema intitulado Sísifo:

Recomeça...

Se puderes,

Sem angústia e sem pressa.

E os passos que deres,

Nesse caminho duro

Do futuro,

Dá-os em liberdade.

Enquanto não alcances

Não descanses.

De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,

Vai colhendo

Ilusões sucessivas no pomar

E vendo

Acordado,

O logro da aventura.

És homem, não te esqueças!

Só é tua a loucura

Onde, com lucidez, te reconheças.

Miguel Torga, Diário XIII

Ao mito de Sísifo e à, pelo menos aparente, contradição entre a 1ª e 2ª parte deste poema, valerá a pena voltar.