segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Portugal não sobe repartir a riqueza


Eugénio Fonseca, presidente da Cáritas, considera que tem faltado “mestria” aos governantes para ir buscar o dinheiro aos mais ricos em benefício do "bem comum” e deixar de recorrer sempre aos “pobres, que já não podem dar mais”.
“Afinal, as tais gorduras parecem que não estavam no aparelho do Estado, parece que estavam nas famílias portuguesas”, mas não na maior parte delas, comentou “Estariam em muitas famílias que enriqueceram ilicitamente, porque este país nunca conseguiu em termos de desenvolvimento ficar na linha da frente dos 27 da União Europeia, mas conseguimos ir para a linha da frente na disparidade entre os mais ricos e os pobres”, criticou.
Portugal conseguiu produzir riqueza, mas não a soube repartir justamente.
Artigo completo aqui.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Lohengrin de Richard Wagner

Afirmou Thomas Mann: Adoro o Prelúdio de Lohengrin. É uma peça grandiosa. Eu diria até que é o epítome do Romantismo. Não surpreende que o Romantismo não tenha tido o seu momento alto na escrita, napoesia, mas antes na música, nos sons. 

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

O roubo do presente


No passado dia 20 de dezembro de 2012, a revista Visão publicou o artigo de opinião, da autoria do filósofo José Gil, intitulado "O roubo do presente" que se transcreve de seguida.
"Nunca uma situação se desenhou assim para o povo português: não ter futuro, não ter perspetivas de vida social, cultural, económica, e não ter passado porque nem as competências nem a experiência adquiridas contam já para construir uma vida. Se perdemos o tempo da formação e o da esperança foi porque fomos desapossados do nosso presente. Temos apenas, em nós e diante de nós, um buraco negro.
O «empobrecimento» significa não ter aonde construir um fio de vida, porque se nos tirou o solo do presente que sustenta a existência. O passado de nada serve e o futuro entupiu.
O poder destrói o presente individual e coletivo de duas maneiras: sobrecarregando o sujeito de trabalho, de tarefas inadiáveis, preenchendo totalmente o tempo diário com obrigações laborais; ou retirando-lhe todo o trabalho, a capacidade de iniciativa, a possibilidade de investir, empreender, criar. Esmagando-o com horários de trabalho sobre-humanos ou reduzindo a zero o seu trabalho.
O Governo utiliza as duas maneiras com a sua política de austeridade obsessiva: por exemplo, mata os professores com horas suplementares, imperativos burocráticos excessivos e incessantes: stresse, depressões, patologias border-/ine enchem os gabinetes dos psiquiatras que os acolhem. É o massacre dos professores. Em exemplo contrário, com os aumentos de impostos, do desemprego, das falências, a política do Governo rouba o presente de trabalho (e de vida) aos portugueses (sobretudo jovens).
O presente não é uma dimensão abstrata do tempo, mas o que permite a consistência do movimento no fluir da vida. O que permite o encontro e a intensificação das forças vivas do passado e do futuro - para que possam irradiar no presente em múltiplas direções. Tiraram-nos os meios desse encontro, desapossaram-nos do que torna possível a afirmação da nossa presença no presente do espaço público.
Atualmente, as pessoas escondem-se, exilam-se, desaparecem enquanto seres sociais. O empobrecimento sistemático da sociedade está a produzir uma estranha atomização da população: não é já o «cada um por si», porque nada existe no horizonte do «por si». A sociabilidade esboroa-se aceleradamente, as famílias dispersam-se, fecham-se em si, e para o português o «outro» deixou de povoar os seus sonhos - porque a textura de que são feitos os sonhos está a esfarrapar-se. Não há tempo (real e mental) para o convivio. A solidariedade efetiva não chega para retecer o laço social perdido. O Governo não só está a desmantelar o Estado social, como está a destruir a sociedade civil.
 Um fenómeno, propriamente terrível, está a formar-se: enquanto o buraco negro do presente engole vidas e se quebram os laços que nos ligam às coisas e aos seres, estes continuam lá, os prédios, os carros, as instituições, a sociedade. Apenas as correntes de vida que a eles nos uniam se romperam. Não pertenço já a esse mundo que permanece, mas sem uma parte de mim. O português foi expulso do seu próprio espaço continuando, paradoxalmente, a ocupá-lo. Como um zombie: deixei de ter substância, vida, estou no limite das minhas forças - em vias de me transformar num ser espetral. Sou dois: o que cumpre as ordens automaticamente e o que busca ainda uma réstia de vida para os seus, para os filhos, para si.
Sem presente, os portugueses estão a tornar-se os fantasmas de si mesmos, à procura de reaver a pura vida biológica ameaçada, de que se ausentou toda a dimensão espiritual. É a maior humilhação, a fantomatização em massa do povo português. Este Governo transforma-nos em espantalhos, humilha-nos, paralisa-nos, desapropria­-nos do nosso poder de ação. É este que devemos, antes de tudo, recuperar, se queremos conquistar a nossa potência própria e o nosso país."

O sentimento do nada, a confiança e a esperança


Ao desafio lançado pelo jornal Público: “Que valores para 2013?”, o escritor e ensaísta Miguel Real respondeu com o ensaio publicado hoje e intitulado “O sentimento do nada, a confiança e a esperança”.
Começa assim: “Em nome da santidade do seu orçamento, o Estado português é hoje uma aterrorizante máquina de roubo colectivo: roubo de empregos e de lucro legítimo das empresas; roubo de poupanças de anos; roubo de salários; roubo de pensões; roubo da vontade empreendedora dos cidadãos e, sobretudo, roubo da alma dos portugueses.”
E termina assim: “O Princípio da Esperança, motor de trabalho e iniciativa, motor de mobilidade e igualdade social, de equidade na distribuição da riqueza colectiva, quebrou-se, deixando assim o português sentado à porta de um país sonâmbulo, perscrutando um horizonte vazio de confiança e de esperança, sentindo estalar no peito o aterrorizador Sentimento do Nada.”

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Andava um burlão em Portugal...

A crónica de Ricardo Araújo Pereira, publicada hoje na revista Visão, merece ser lida na sua totalidade. Transcrevo apenas a sua parte inicial: 
"O leitor acompanhou a história daquele burlão que apareceu na comunicação social a dar falsas esperanças aos portugueses? Foi realmente incrível, a mensagem de Natal de Pedro Passos Coelho.  Quando o primeiro-ministro prometeu que, para o ano, todos iríamos beneficiar de novas oportunidades, fiquei com a sensação de que, em 2013, o País ia ser um lugar de sonho, em que toda a gente conseguiria usufruir de condições excepcionais para subir na vida. No fundo, que o Portugal do ano que vem seria para os portugueses o que o BPN da última década foi para aqueles amigos do Presidente da República. (...)"

Presidente ou reformado?

Uma das medidas impostas pelo Orçamento de 2013 que suscitou dúvidas de constitucionalidade ao Presidente da República foi a seguinte: contribuição extraordinária de solidariedade às pensões de valor mensal a partir de 1350 euros.
Coloca-se uma dúvida. Quem terá sentido tal medida como inconstitucional: o Presidente da República ou o reformado cuja a reforma não chega para pagar as suas despesas?

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Nós pagamos, eles continuam a mandar!

No último dia de 2012, tornou-se público, discretamente, que o Estado ia injetar 1,1 mil milhões de euros no BANIF, ficando a deter 60% do capital do banco. Notícia aqui.
Mas o Estado não disporá da maioria dos votos. Porquê? No mínimo, uma atitude displicente.