domingo, 23 de dezembro de 2012

Câmara Clara

Fiquei indignado com o fim do programa Câmara Clara! Para mim, são programas como este que justificam a existência da televisão pública. Mas, quem manda decidiu que o programa não tinha lugar na nova grelha da RTP2. Com alguma curiosidade fiquei a aguardar pelo programa que na dita grelha iria substituir a edição de domingo do Câmara Clara. Para hoje está previsto "Urban Circolombia" que, segundo a RTP, contém música, dança, exuberância e violência. Obviamente, temas muito mais interessantes do que a "chata" cultura. A decisão de acabar com o Câmara Clara só confirma que os incultos detêm o poder.
Câmara Clara despediu-se com Always Look on the Bright Side of Life

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Vertigo

“Vertigo – A Mulher que Viveu Duas Vezes”, de Alfred Hitchcock, foi eleito o melhor filme de todos os tempos pela revista Sight and Sound, publicação do British Film Institute, deixando para trás “Citizen Kane - O Mundo a seus Pés”, de Orson Welles, que estava há 50 anos no top. Notícia completa aqui.

domingo, 9 de dezembro de 2012

A instalação do medo


O título desta crónica é roubado ao novo livro de Rui Zink, uma obra notável que devia tornar-se obrigatória nas escolas, se as escolas fossem o oposto do que são – como um dia hão-de ser: lugares onde se aprende a desinstalar o medo.
A história começa com a chegada de um par de técnicos que batem à porta de uma mulher anunciando que vêm instalar o medo na sua casa. Ao longo da instalação, vamos percorrendo o catálogo dos medos humanos, que não é pequeno. O capítulo em que se procede à demonstração do medo tem como epígrafe a imorredoira frase do sábio António Borges, e cito: «Diminuir salários não é uma política, é uma urgência».
O medo foi, desde sempre, o assessor principal da Política. Mas agora que o tempo não está para luxos, fez um golpe de Estado e tomou-lhe o lugar.
É muito mais fácil governar países através do medo do que através da negociação política – e a Europa começa agora a entender o encanto e as potencialidades deste método que tanto sucesso económico garantiu à China.
O medo torna as pessoas muito mais produtivas do que a pura ambição. Por isso, os neo-liberais entraram em metamorfose acelerada para se tornarem mais dirigistas do que o camarada Hu Jintao, e arranjaram na troika um comité central pós-moderno, que, como os comités centrais dos tempos soviéticos, significa emprego e segurança para o resto da vida, quer o povo coma raspas ou brioches.
O velho sonho de construir um mundo melhor para todos foi substituído pelo ainda mais velho discurso da pobreza honrada.
O problema é que é complicado ouvir serenamente um gestor multimilionário pregar a necessidade da pobreza alheia – e a antiga classe média que luta agora pela pura sobrevivência, revolta-se.
Os jovens turcos da Coisa Financeira ( que se tornou a única Coisa) não contavam com a revolta: os países magníficos como a China ou a União Soviética nunca tiveram classe média; os que nunca tiveram nada convencem-se calmamente a ter pouco e calar.
«O medo, pouco a pouco, torna-se virtualmente a única realidade», escreve Zink, na sua ficção mais verdadeira do que o pão de cada dia.
O medo varre todas as espécies de amor e garante a subsistência de uma única lealdade: a devida ao chefe. O estreitamento da oportunidade de ter um chefe, um trabalho – qualquer que seja – e um salário, exponencia o grau da subserviência.
Sempre que abre uma vaga, as pessoas esgadanham-se para a conseguir, utilizando todos os métodos de pressão e influência. É esta a paisagem.
O medo devora sentimentos, dignidade, consciência – tudo o que representa a diferença e a excelência da humanidade.
Os instaladores do medo pasmam de o ver tão eficaz. Também eles têm medo: medo que a estratégia do medo tome um dia conta dele, e se vejam no lugar dos pobres que hoje cozem no forno do barro do terror de amanhã.
Amanhã, não se esqueçam, estaremos todos mortos. A espécie humana é a única que o sabe – mas até a ideia da morte o medo parece ter comido.
Inês Pedrosa, crónica publicada no jornal Sol de 23 de novembro de 2012

Oscar Niemeyer. Norman Foster recorda o mestre


"Conocí a Oscar Niemeyer hace tres o cuatro años en Río de Janeiro, pero fui consciente de su extraordinario trabajo hace mucho más tiempo, incluso antes de inscribirme en la escuela de arquitectura. Recuerdo el primer deslumbramiento que sentí al toparme con un estilo profundamente particular, rotundamente escultural, decididamente sensual. Resultaba ya fascinante al joven que era entonces cómo la fuerte personalidad de un hombre puede dejar su impronta en los edificios que construye.
Desde sus más tempranas creaciones, como la capilla de Belo Horizonte hasta, sus últimos trabajos, en São Paulo, pasando por la cumbre de su proyecto en Brasilia, resultan memorables del mismo modo en el que lo son las obras de un genuino artista. En su caso, porque en su trabajo el arte se marida excepcionalmente con la arquitectura para guiarnos en una hipnótica procesión por sus edificios, dotados de un extraordinario sentido monumental y una gracia fuera de lo común. Incluso los más pesados parecen flotar, pasar de puntillas por la tierra y mezclarse generosamente con el paisaje.
Una de las cosas más sorprendentes de su trabajo es la capacidad para dotar de intimidad tanto a los grandes proyectos como a los pequeños. De esto último encontré inmejorables pruebas con motivo de mi visita a su casa familiar y a su estudio. En lo personal, mi encuentro con él fue vivificante. Ya entonces había superado los cien años. Se hallaba en perfecta forma (a veces me pregunto medio en broma si el secreto de su juventud no sería su matrimonio a los 98 años con su secretaria). Compartimos una entrevista televisada y durante el tiempo que pasamos juntos dio muestras de su desbordante creatividad, intacta hasta el final, así como de un inagotable interés por las cosas y de la predisposición a compartir conocimiento con uno de sus pares.
Como sucede con los grandes arquitectos, su profesión era su modo de vida, y su pasión y sus principios, asuntos innegociables. Supo situarse desde una atalaya extremadamente personal como parte de la generación de los maestros, la de Mies Van der Rohe, Le Corbusier o Alvar Aalto. Eran hombres capaces de crear edificios perdurables, espacios capaces de movernos emocional e intelectualmente. Cualidades todas que han quedado para las generaciones posteriores como parte del legado de un hombre extraordinario." Norman Foster, publicado no site do jornal El País.

O esvaziamento do serviço público de televisão


Para atingir o objetivo de privatizar a televisão pública, nada melhor do que esvaziá-la dos programas que lhe dão razão de existir.
Um bom exemplo é a extinção do programa Câmara Clara.

Opacidade


Maioria chumba proposta da transparência
Com a privatização da RTP e as recentes notícias sobre a venda da Controlinveste ao grupo angolano Newshold - dono do "Sol" e accionista da Cofina - em pano de fundo, o PS voltou a apresentar no Parlamento um projecto para garantir a transparência da titularidade dos meios de comunicação social, obrigando cada empresa do sector a divulgar a quem pertencem as suas participações. Mas a maioria PSD/CDS voltou a rejeitar a ideia, tal como tinha feito em Junho passado, com o argumento de que se trata de uma proposta "precipitada, desnecessária e desenquadrada das regras comunitárias". (notícia retirada do site do Económico; notícia completa, aqui)

As melhores profissões

Segundo The Wall Street Journal, atualmente, a profissão com melhor cotação é engenheiro de software. Atenderam a cinco critérios: a procura do mercado laboral, o ambiente de trabalho, o vencimento, o stress no trabalho e as perspetivas da carreira.
Pode consultar-se a lista aqui.
Ou, em português, aqui.