sexta-feira, 26 de outubro de 2012
Filme sobre a crise: "Ó Marquês Anda Cá Abaixo Outra vez!"
O realizador João Viana apresenta amanhã, às
15h, no DocLisboa, o seu novo filme «Ó Marquês Anda Cá Abaixo Outra vez!», segundo
comunicado da produtora. Com produção da Papaveronoir, trata-se de uma obra que
retrata a situação actual do cinema português e que tem a particularidade de
contar com a participação de 19 realizadores nacionais como protagonistas.
São eles Edgar Pêra,
João Nicolau, Rita Nunes, Cláudia
Varejão, Edgar Feldman,
Inês Oliveira,
João Pedro
Rodrigues, Júlio Alves, Leonor Noivo, Manuel Mozos, Marco Martins, Pedro Serrazina,
Renata Sancho, Teresa Garcia, José Miguel
Ribeiro, Mariana Gaivão, João Salaviza, Sandro Aguilar e Alberto Seixas
Santos.
Para Cinta Gil, co-directora do DocLisboa, o filme «é uma parábola sobre
a situação actual do cinema português». Já Susana Sousa
Dias, também co-directora do festival, explica que a escolha
deste filme pretende «trazer público para pensar e discutir activamente o que
se está a passar» no sector. O filme tem 60 minutos e é o destaque da nova
secção Cinema de Urgência da edição do DocLisboa deste ano.
«Ó Marquês Anda Cá Abaixo Outra vez!» será exibido na sala Manoel de
Oliveira, com capacidade para 800 pessoas. Segue-se – às 16h, na sala 2 São
Jorge – um debate alargado a todos os intervenientes, convidados, partidos
políticos, instituições culturais e público em geral sobre a Crise no Cinema
Português.
Este é o terceiro filme de João Viana, depois de «A Piscina» (Veneza
2004/Grand Prix Reus) e de «Alfama» (Clermond Ferrand 2011/ Grand Prix Aubagne)
(Adaptado da notícia publicada aqui)
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
Passos Coelho incriminado por Passos Coelho
O "Correio da Manhã" de 6-11-2010
publicou os seguintes excertos de um discurso de Passos Coelho:
"Se
nós temos um Orçamento e não o cumprimos, se dissemos que a despesa devia ser
de 100 e ela foi de 300, aqueles que são responsáveis pelo resvalar da despesa
também têm de ser civil e criminalmente responsáveis pelos seus actos e pelas
suas acções"
"Não
podemos permitir que todos aqueles que estão nas empresas privadas ou que estão
no Estado fixem objetivos e não os cumpram. Sempre que se falham os objectivos,
sempre que a execução do Orçamento derrapa, sempre que arranjamos buracos
financeiros onde devíamos estar a criar excedentes de poupança, aquilo que se
passa é que há mais pessoas que vão para o desemprego e a economia
afunda-se"
"Não
se pode permitir que os responsáveis pelos maus resultados andem sempre de
espinha direita, como se não fosse nada com eles". "Quem impõe tantos
sacrifícios às pessoas e não cumpre, merece ou não merece ser responsabilizado
civil e criminalmente pelos seus actos?"
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
Então o caso português é um sucesso ou não?
Não há responsável europeu que não elogie o ajustamento
português, por contraponto ao caso grego. Ele é a sra. Merkel, o sr. Schauble,
o sr. Barroso, o sr. Rehn.
Por cá, o Governo também tem insistido que as coisdas estão
a correr bem. Ele é a rápida correção do desequilíbrio externo, o excedente da
balança comercial, o quase equilíbrio da balança de bens e serviços, a descida
acentuada das taxas de juro da dívida portuguesa.
Estávamos, portanto, neste engano de alma, ledo e cego,
quando o ministro das Finanças vai ao Parlamento e diz que estamos nos
"limites da tolerância" da troika e que isso do regresso aos mercados
em 2013 "trata-se de um processo e não de um momento".
Entramos, pois, em sobressalto. Se estava tudo a correr bem
e a Europa gostava tanto de nós, o que mudou para de repente nos exigirem um
plano B se o OE para 2013 falhar e nos passarem um ralhete e, pelos vistos,
estarem um pouco irritados connosco?
Desconfio que é por a receita da troika, aplicada com
entusiasmo pelo ministro das Finanças, com o apoio acrítico do
primeiro-ministro, não estar a produzir os resultados esperados.
Mas perante isso, o que a troika e o ministro das Finanças
se propõe fazer é aumentar a receita no próximo ano, em vez de a reequacionar.
Faz lembrar o menino que não consegue encaixar as peças do jogo e desata a
dar-lhe socos para ver se vai ao sítio. No final, o puzzle não só não encaixa
como fica desfeito.
Temos, pois, de fazer a pergunta aos responsáveis europeus:
afinal o caso português é um sucesso ou não? E se não é, o problema não será da
receita? Ou será dos portugueses?
(autor: Nicolau Santos, publicado no site do jornal Expresso)
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
Resolver a mendicidade, proibindo!
"A primeira página do Açoriano Oriental noticia que a Associação Ilhas em Movimento vai apresentar uma proposta legislativa para obrigar as pessoas a não praticarem atos de mendicidade e vadiagem nos Açores." (do site do jornal Açoriano Oriental)
Vale a pena ler a notícia de que aqui apenas aparece a chamada de capa. Pelo que ouvi na rádio, a mendicidade tem de ser proibida porque prejudica o turismo.
Eles, os mendigos, que desapareçam, que se escondam ou que alguém os esconda. É como quem diz: não queremos nem mendigos nem cães vadios, são tão desagradáveis!
domingo, 21 de outubro de 2012
Manuel António Pina
Foto de Luísa Ferreira
“Porquê poetas em tempos de penúria?”, questionou, na homilia, o bispo das Forças Armadas, D. Januário Torgal Ferreira, para depois elogiar o “escultor de palavras” Manuel António Pina: “o poeta é aquele que constrói o impossível – e o impossível devia ser possível”. Mesmo em tempos em que se “contabiliza tudo em números”.
D. Januário elogiou o “homem recto, competente, solidário e lúcido”, querido por vários sectores da “cidade do Porto e da cidadania em geral”, da “cultura poética e teatral” e do jornalismo.
Em todas estas áreas, disse, “fica um vazio” com a morte do escritor, nascido no Sabugal em 1943 mas feito portuense pela vida.
“Inconformismo” e um “misto de sonho e de bom humor, que falta tanto a tanta gente”, foram outros atributos do prémio Camões 2011 que D. Januário quis realçar.
D. Januário terminou, dizendo: “Nós pela saudade é que vamos. Os mortos é que nos conduzem.”
(do site do jornal Público)
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