terça-feira, 21 de agosto de 2012

Pérez Esquivel sobre Julien Assange


O argentino Adolfo Pérez Esquivel considera "muito preocupante" a "reação de conotação colonialista" por parte de Londres de não aceitar a decisão do Equador relativamente à concessão de asilo político a Julien Assange e de não conceder o salvo-conduto para que o fundador do WikiLeaks -  que ontem completou dois meses refugiado na embaixada equatoriana em Londres - possa viajar para Quito, capital equatoriana.
Na opinião do prémio Nobel da Paz de 1980, que hoje decidiu falar sobre o caso através de comunicado, Julian Assange é "perseguido politicamente por haver difundido informação muito grave que pôs em evidência ações criminosas dos EUA nas guerras do Afeganistão e do Iraque", assim como "as nada surpreendentes ações  (norte-americanas) de intromissão, através das suas embaixadas, em assuntos internos de outros países".
O defensor dos Direitos Humanos defendeu hoje que "o temor pela vida, por parte de Julian Assange, é justificado, pois nos EUA já se comenta que poderia eventualmente ser julgado no âmbito da Lei de Espionagem, a qual prevê a pena de morte".
Excerto da notícia do site do Expresso que pode ler-se aqui.

domingo, 19 de agosto de 2012

Aventuras de João Sem Medo



Numa sessão de autógrafos, José Gomes Ferreira perguntou a um leitor, que lhe apresentava o livro "Aventuras de João Sem Medo", a quem devia dedicar o livro. O leitor, que se chamava José, responde-lhe para o dedicar a José Sem Medo. A dedicatória foi: "Para o José Sem Medo do José Com Medo".
Admirável o livro. Um exemplo: logo na segunda página do livro, surge o aviso: "É proibida a entrada a quem não andar espantado de existir".
Razão tinha Cícero: "Os vinhos são como os homens: com o tempo os maus azedam e os bons apuram." 

Hallelujah, Leonard Cohen e Jeff Buckley



"Whoever listens carefully to "Hallelujah" will discover that it is a song about sex, about love, about life on earth. The hallelujah is not a homage to a worshipped person, idol or god, but the hallelujah of the orgasm. It's an ode to life and love."
Jeff Buckley (retirado daqui)

The Partisan, Leonard Cohen




Here is a page devoted to a historical song covered by Leonard Cohen in his album "Songs from a Room": "The Partisan", sometimes called "The song of the French partisan".
This song is actually an adaptation from "La complainte du partisan", written in London during 1943, by Emmanuel D'Astier de la Vigerie (called "Bernard" in the French Resistance) and Anna Marly.
I suggest our French visitors click on the following RA to hear Claude Dauphin give his historical comments about this song's story.

From LP "L'encyclopédie sonore : Les chants  de la Résistance et de la Libération"; Librairie Hachette 320 E 847.

This song was really a survivor of the German bombing, and became a popular tune in the 50's in French-speaking countries.

It is now less famous than its almost homonymous "Chant des partisans" by J. Kessel and M. Druon. This last one was notably made "re-fashionable" by the André Malraux's speech during the transfer of Jean Moulin' ashes in the Panthéon of Paris.
Finally, Leonard Cohen gave the "complainte" a new life in 1969 with his "Partisan". Hy Zaret was the first to apply for a copyright (via the editor Raoul Breton) for the d'Astier-Marly song.
He heard the song on the BBC waves; maybe the radio broadcast didn't give him the name of the lyric writer, but only Marly's name, who wrote the music and gave the original performance. It's probably for this reason that only Zaret (for the English adaptation) and Marly (for music and French lyrics) were credited.
Finally, and as it can be read in Anna Prucnal 's LP "Avec Amour", the actual credit is:

Original : La complainte du Partisan
paroles: Emmanuel d'Astier de la Vigerie also undernamed  "Bernard"
musique: Anna Marly

Leonard 's cover : The (song of the French) Partisan
paroles : E. d'Astier de la Vigerie, adaptation Hy Zaret
musique : Anna Marly
Ed. Raoul Breton.
(texto retirado daqui)

sábado, 18 de agosto de 2012

Cohen e Lorca



En Viena hay diez muchachas,

un hombro donde solloza la muerte

y un bosque de palomas disecadas.

Hay un fragmento de la mañana

en el museo de la escarcha.

Hay un salón con mil ventanas.

¡Ay, ay, ay, ay!

Toma este vals con la boca cerrada.

Este vals, este vals, este vals, este vals,

de sí, de muerte y de coñac

que moja su cola en el mar.
Te quiero, te quiero, te quiero,

con la butaca y el libro muerto,

por el melancólico pasillo,

en el oscuro desván del lirio,

en nuestra cama de la luna
y en la danza que sueña la tortuga.

¡Ay, ay, ay, ay!

Toma este vals de quebrada cintura.

En Viena hay cuatro espejos

donde juegan tu boca y los ecos.

Hay una muerte para piano

que pinta de azul a los muchachos.

Hay mendigos por los tejados,

hay frescas guirnaldas de llanto.

¡Ay, ay, ay, ay!

Toma este vals que se muere en mis brazos.

Porque te quiero, te quiero, amor mío,

en el desván donde juegan los niños,

soñando viejas luces de Hungría

por los rumores de la tarde tibia,

viendo ovejas y lirios de nieve

por el silencio oscuro de tu frente.

¡Ay, ay, ay, ay!

Toma este vals, este vals del "Te quiero siempre".

En Viena bailaré contigo

con un disfraz que tenga

cabeza de río.

¡Mira qué orillas tengo de jacintos!

Dejaré mi boca entre tus piernas,

mi alma en fotografías y azucenas,

y en las ondas oscuras de tu andar

quiero, amor mío, amor mío, dejar,

violín y sepulcro, las cintas del vals.

(Poema de Federico García Lorca)

sábado, 11 de agosto de 2012

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Macbeth

Macbeth (1948): Macbeth (Welles) e Lady Macbeth (Jeanette Nolan)

A história de Macbeth é intemporal, e tão relevante hoje, em que cada dia há massacres de inocentes, como no dia em que Shakespeare a apresentou ao rei Jaime I, por ocasião da visita do rei da Dinamarca, em 1606. A tragédia de Macbeth é uma análise política de um golpe de estado e das suas consequências: os efeitos psicológicos e desintegração da personalidade quando entregue às forças malignas, sem esperança de redenção.
Mas Macbeth também é um thriller com um desenrolar rápido, intenso, cheio de humor e vulnerabilidade no meio da brutalidade e forças do sobrenatural.
Pela sua força e complexidade, ‘Macbeth’ é comparável a outras grandes obras de Shakespear, como ‘Hamlet’ e ‘Romeu e Julieta’. As paixões que estão em cena tornam-nos a todos cúmplices e críticos dos Macbeth, o casal de nobres capazes de matar o seu rei. Sentimo-nos, simultaneamente, repelidos e atraídos por eles. O que pretendiam com tão terrível crime? Que impulsos, interiores ou exteriores, os conduziram a tal desenlace?
Uns vêem na peça um retrato da ambição política na sua forma mais primitiva; outros, uma fábula sobre a irracionalidade do mal, ou sobre o encontro com os limites quase visíveis da vida e da morte, e sobre os poderes negativos e positivos da nossa ânsia de sobrevivência; outros ainda um braço de ferro entre as forças do feminino e do masculino, que transcende os motivos mais aparentes da fábula histórica.
Tal como Macbeth, todos temos a angústia de saber mais sobre a nossa vontade. Queremos saber quem governa. Se temos nós a primazia, ou os outros, que nos fazemfrente, pela força ou pelos afectos. Ou outras forças ainda, que desconhecemos em nós, ou nos cercam. Vivemos por nós, ou somos vividos por forças que nos empurram a cada escolha? E esse saber, de que nos serviria, na hora de julgarmos os nossos actos.
(texto da autoria de Maria Mesquita, publicado no n.º 179 da revista do Inatel "Tempo Livre")