sábado, 11 de agosto de 2012

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Macbeth

Macbeth (1948): Macbeth (Welles) e Lady Macbeth (Jeanette Nolan)

A história de Macbeth é intemporal, e tão relevante hoje, em que cada dia há massacres de inocentes, como no dia em que Shakespeare a apresentou ao rei Jaime I, por ocasião da visita do rei da Dinamarca, em 1606. A tragédia de Macbeth é uma análise política de um golpe de estado e das suas consequências: os efeitos psicológicos e desintegração da personalidade quando entregue às forças malignas, sem esperança de redenção.
Mas Macbeth também é um thriller com um desenrolar rápido, intenso, cheio de humor e vulnerabilidade no meio da brutalidade e forças do sobrenatural.
Pela sua força e complexidade, ‘Macbeth’ é comparável a outras grandes obras de Shakespear, como ‘Hamlet’ e ‘Romeu e Julieta’. As paixões que estão em cena tornam-nos a todos cúmplices e críticos dos Macbeth, o casal de nobres capazes de matar o seu rei. Sentimo-nos, simultaneamente, repelidos e atraídos por eles. O que pretendiam com tão terrível crime? Que impulsos, interiores ou exteriores, os conduziram a tal desenlace?
Uns vêem na peça um retrato da ambição política na sua forma mais primitiva; outros, uma fábula sobre a irracionalidade do mal, ou sobre o encontro com os limites quase visíveis da vida e da morte, e sobre os poderes negativos e positivos da nossa ânsia de sobrevivência; outros ainda um braço de ferro entre as forças do feminino e do masculino, que transcende os motivos mais aparentes da fábula histórica.
Tal como Macbeth, todos temos a angústia de saber mais sobre a nossa vontade. Queremos saber quem governa. Se temos nós a primazia, ou os outros, que nos fazemfrente, pela força ou pelos afectos. Ou outras forças ainda, que desconhecemos em nós, ou nos cercam. Vivemos por nós, ou somos vividos por forças que nos empurram a cada escolha? E esse saber, de que nos serviria, na hora de julgarmos os nossos actos.
(texto da autoria de Maria Mesquita, publicado no n.º 179 da revista do Inatel "Tempo Livre")

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Hoje, Corto Maltese chega a Évora

Pandora Groovesnore
Para ficarmos a conhecer Pandora temos de ver/ler "A Balada do Mar Salgado", a primeira aventura de Corto Maltese que foi desenhada e escrita em 1967-69.
- Bom dia, Corto Maltese!
- Eh! Mas como estás bonita! Fazes-me pensar numa valsa que ouvi num "cabaret", em Buenos Aires!
- Talvez, houvesse aí alguém que se parecesse comigo?
- Não, e é justamente porque não te pareces com ninguém que eu gostaria de te encontrar outra vez... fosse onde fosse...
- Eu não iria contigo, Corto Maltese!
- Eu sei!
- Adeus, Pandora!
- Até à vista Corto Maltese!

terça-feira, 24 de julho de 2012

"Livro de moral" de Albert Camus

"Se tivesse de escrever agora um livro de moral, teria 100 páginas, mas 99 seriam em branco. A última teria esta frase: "Só conheço um dever, o de amar..." E, quanto ao resto, digo não, digo não, com toda a força." Albert Camus, Carnets I vol.

Assim falou Zaratustra, Richard Strauss



A partitura de Assim falou Zaratustra viu a luz entre fevereiro e agosto de 1896, inspirada na novela filosófica homónima da autoria de Friedrich Nietzsche (sobrepondo-se à doutrina cristã da exaltação dos humildes, submissos ao poder de um Deus criador, o filósofo germânico concebe, em Also sprach Zarathustra, o mito do profeta sobre-humano, cujos ensinamentos morais, desligados das noções absolutas de bem e mal, visam a profunda transformação da Humanidade). A partitura de Strauss reflete, de modo muito livre, os principais traços deste universo místico, através de um efetivo instrumental avassalador, bem ao gosto da era pós-romântica, o qual engloba quatro flautas, três oboés, corne inglês, quatro clarinetes, quatro fagotes, seis trompas, quatro trompetes, três trombones, duas tubas, percussão (incluindo glockenspiel), duas harpas, órgão e cordas.
A introdução, tornada célebre, à escala global, pela banda sonora do filme do realizador Stanley Kubrick, no filme 2001: Odisseia no Espaço (1968), ilustra o fenómeno grandioso do despertar da natureza, berço intemporal no seio do qual o espírito humano projeta as suas aspirações mais profundas. Sucedem-se depois as preleções de Zaratustra, um conjunto de oito secções interligadas, cada uma das quais principiada com um verso de Nietzsche. A primeira secção, Von den Hinterweltlern (“Das ideias religiosas”), expõe o apelo poderoso das crenças religiosas, nas quais o Homem procura resposta para as grandes questões existenciais que o preocupam. Na segunda, Von der großen Sehnsucht (“Da aspiração suprema”), o tema inicial da natureza reaparece, ao longe, enquanto que a melodia do Credo gregoriano, provinda da secção anterior, parece reiterar a auctoritas canónica sobre quaisquer visões alternativas do mundo e das coisas. O peso das imposições doutrinais provoca um sentimento de revolta na terceira secção, Von den Freuden und Leidenschaften (“Das alegrias e das paixões”). Motivos ascendentes e descendentes, nos violinos, simbolizam aqui a ligação do Homem ao mundo das paixões terrenas, do que resulta uma experiência evolutiva que o conduz desde o fascínio impulsivo, ao apaziguamento e, derradeiramente, ao desgosto. Na quarta secção, Das Grablied (“O canto dos túmulos”), o Homem volta o seu pensamento para o fim inevitável dos prazeres terrenos que experimentara anteriormente. Uma nova interrogação emerge na quinta secção, Von der Wissenschaft (“Da ciência”), protagonizada pelo timbre melancólico do clarinete, após o que reaparecem os motivos da natureza e do espírito humano. Porém, o conhecimento gerado pela ciência não produz explicações definitivas e convincentes para as grandes questões do universo. Sucede-se a sexta secção, Der Genesende (“O convalescente”), na qual a alma humana se liberta do mal e da ignorância, dando origem a um novo ser: Zaratustra. A densidade contrapontística da textura acentua-se, revelando as qualidades superlativas de Strauss como orquestrador. Em Das Tanzlied (“O canto da dança”), o violino solo introduz um interlúdio evocador das danças vienenses, cujo esplendor inicial se vai atenuando, até desaparecer por completo. A oitava e última secção, Nachtlied (“Canto da noite”) constitui a cena de fundo para a consagração definitiva de Zaratustra nas esferas da eternidade, pelo que a atmosfera geral é de exaltação e comemoração das vitórias alcançadas sobre os preconceitos e os medos. Das brumas escuras da noite emerge, enfim, a luz revivificadora, nas cordas, conducente ao patamar desejado, em notas prolongadas, emolduradas pelo timbre sereno dos sopros de madeira.
(da brochura Gulbenkian Música, temporada 2011-2012)

Sería una tragedia que la cultura acabe en puro entretenimiento

"Hoy en día hablar de cocina y hablar de la moda, es mucho más importante que hablar de filosofía o hablar de música. Eso es una deformación peligrosa y una manifestación de frivolidad terrible. ¿Qué cosa es la frivolidad? La frivolidad es tener una tabla de valores completamente confundida, es el sacrificio de la visión del largo plazo por el corto plazo, por lo inmediato. Justamente eso es el espectáculo." Mario Vargas Llosa
Entrevista completa aqui.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Tout va très bien Madame la Marquise


"O hino dos nossos dias devia ser esta velha canção francesa" José Pacheco Pereira no Abrupto