Para ficarmos a conhecer Pandora temos de ver/ler "A Balada do Mar Salgado", a primeira aventura de Corto Maltese que foi desenhada e escrita em 1967-69.
- Bom dia, Corto Maltese!
- Eh! Mas como estás bonita! Fazes-me pensar numa valsa que ouvi num "cabaret", em Buenos Aires!
- Talvez, houvesse aí alguém que se parecesse comigo?
- Não, e é justamente porque não te pareces com ninguém que eu gostaria de te encontrar outra vez... fosse onde fosse...
"Se tivesse de escrever agora um livro de moral, teria 100 páginas, mas 99 seriam em branco. A última teria esta frase: "Só conheço um dever, o de amar..." E, quanto ao resto, digo não, digo não, com toda a força." Albert Camus, Carnets I vol.
A partitura de Assim falou Zaratustra viu
a luz entre fevereiro e agosto de 1896, inspirada na novela filosófica homónima
da autoria de Friedrich Nietzsche (sobrepondo-se à doutrina cristã da exaltação
dos humildes, submissos ao poder de um Deus criador, o filósofo germânico
concebe, em Also sprach Zarathustra, o mito do profeta sobre-humano, cujos
ensinamentos morais, desligados das noções absolutas de bem e mal, visam a
profunda transformação da Humanidade). A partitura de Strauss reflete, de modo
muito livre, os principais traços deste universo místico, através de um efetivo
instrumental avassalador, bem ao gosto da era pós-romântica, o qual engloba
quatro flautas, três oboés, corne inglês, quatro clarinetes, quatro fagotes,
seis trompas, quatro trompetes, três trombones, duas tubas, percussão (incluindo
glockenspiel), duas harpas, órgão e cordas.
A introdução, tornada célebre, à escala
global, pela banda sonora do filme do realizador Stanley Kubrick, no filme
2001: Odisseia no Espaço (1968), ilustra o fenómeno grandioso do despertar da
natureza, berço intemporal no seio do qual o espírito humano projeta as suas
aspirações mais profundas. Sucedem-se depois as preleções de Zaratustra, um
conjunto de oito secções interligadas, cada uma das quais principiada com um
verso de Nietzsche. A primeira secção, Von den Hinterweltlern (“Das ideias
religiosas”), expõe o apelo poderoso das crenças religiosas, nas quais o Homem
procura resposta para as grandes questões existenciais que o preocupam. Na
segunda, Von der großen Sehnsucht (“Da aspiração suprema”), o tema inicial da
natureza reaparece, ao longe, enquanto que a melodia do Credo gregoriano,
provinda da secção anterior, parece reiterar a auctoritas canónica sobre
quaisquer visões alternativas do mundo e das coisas. O peso das imposições
doutrinais provoca um sentimento de revolta na terceira secção, Von den Freuden
und Leidenschaften (“Das alegrias e das paixões”). Motivos ascendentes e
descendentes, nos violinos, simbolizam aqui a ligação do Homem ao mundo das
paixões terrenas, do que resulta uma experiência evolutiva que o conduz desde o
fascínio impulsivo, ao apaziguamento e, derradeiramente, ao desgosto. Na quarta
secção, Das Grablied (“O canto dos túmulos”), o Homem volta o seu pensamento
para o fim inevitável dos prazeres terrenos que experimentara anteriormente.
Uma nova interrogação emerge na quinta secção, Von der Wissenschaft (“Da
ciência”), protagonizada pelo timbre melancólico do clarinete, após o que
reaparecem os motivos da natureza e do espírito humano. Porém, o conhecimento
gerado pela ciência não produz explicações definitivas e convincentes para as
grandes questões do universo. Sucede-se a sexta secção, Der Genesende (“O
convalescente”), na qual a alma humana se liberta do mal e da ignorância, dando
origem a um novo ser: Zaratustra. A densidade contrapontística da textura
acentua-se, revelando as qualidades superlativas de Strauss como orquestrador.
Em Das Tanzlied (“O canto da dança”), o violino solo introduz um interlúdio
evocador das danças vienenses, cujo esplendor inicial se vai atenuando, até desaparecer
por completo. A oitava e última secção, Nachtlied (“Canto da noite”) constitui
a cena de fundo para a consagração definitiva de Zaratustra nas esferas da
eternidade, pelo que a atmosfera geral é de exaltação e comemoração das
vitórias alcançadas sobre os preconceitos e os medos. Das brumas escuras da
noite emerge, enfim, a luz revivificadora, nas cordas, conducente ao patamar
desejado, em notas prolongadas, emolduradas pelo timbre sereno dos sopros de
madeira.
(da brochura Gulbenkian Música, temporada 2011-2012)
"Hoy en día hablar de cocina y hablar de la moda, es mucho más importante que hablar de filosofía o hablar de música. Eso es una deformación peligrosa y una manifestación de frivolidad terrible. ¿Qué cosa es la frivolidad? La frivolidad es tener una tabla de valores completamente confundida, es el sacrificio de la visión del largo plazo por el corto plazo, por lo inmediato. Justamente eso es el espectáculo." Mario Vargas Llosa Entrevista completa aqui.
O Navio-Escola Sagres foi construído em 1937 em Hamburgo, tendo recebido o nome de "Albert Leo Schlageter". Em 1945, durante a 2ª guerra mundial, foi
capturado pelos americanos e foi cedido ao
Brasil, em 1948. Passou a ter o nome de "Guanabara". Em 1962, Portugal comprou-o ao Brasil, passando a usar o nome de "Sagres".
É o terceiro navio-escola Sagres. O primeiro foi uma corveta em madeira, construída em 1858, em Inglaterra. O segundo foi o navio construído em 1896 em Bremerhaven, originalmente com o nome "Rickmer Rickmers". Em 1916, durante a
1ª Guerra Mundial, foi tomado por Portugal, no porto da Horta. Foi-lhe então dado o nome “Flores” e posto à disposição dos
ingleses que o utilizaram para transportar material de guerra. Após o final da
guerra, o veleiro foi devolvido pela Inglaterra e em 1924 passa a navio-escola Sagres.
Europa era filha de Agenor, rei de Tiro. Europa era tão bela que não passou despercebida à lubricidade de Zeus. Quando a jovem princesa colhia flores na praia, aproximou-e dela um touro (Zeus metamorfoseado) de aspeto nobre e majestoso: tinha um pêlo fino e macio, de resplandecente alvura e um aspeto cândido e doce. Europa sentou-se sobre o seu dorso e deixou que ele a conduzisse, suave e vagarosamente, sobre a crista do mar.
(de "Mitos e Lendas da Grécia Antiga" de Marília Pinheiro)