sexta-feira, 20 de julho de 2012

Corto Maltese - Exposição

Em Évora, na Fundação Eugénio de Almeida, exposição "Corto Maltese: viagem à aventura", de 25 de julho a 2 de dezembro.
"Talvez a primeira aventura de Corto Maltese, A Balada do Mar Salgado, a história que me deu a grande possibilidade de regressar a um personagem que nascia pela primeira vez. E isso porque não era ele o verdadeiro personagem da história, mas o mar, as ilhas, os atóis, o ambiente. E não o digo apenas num sentido metafórico." Hugo Pratt (1927-1995).

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Relvas, o trepador, brilha até no Tour


Não páram as reações à turbo-licenciatura do ministro Miguel Relvas. Agora, até no Tour de France o ministro português faz furor. Ou não fosse ele um trepador nato. (do site da revista Visão; notícia e vídeo aqui)

terça-feira, 17 de julho de 2012

Diabinhos negros no governo

D. Januário Torgal Ferreira, em entrevista ao programa "Política Mesmo" da TVI24, referindo-se ao atual governo:
"Eu não acredito nestes tipos, em alguns destes tipos, porquê?, porque são equívocos, porque lutam pelos seus interesses, porque têm o seu gangue, porque têm o seu clube, porque pressionam a comunicação social, etc. O que significa que os anteriores, que foram tão atacados, quer dizer, eram uns anjos ao pé destes diabinhos negros, alguns, que acabam de aparecer". (notícia no site do Diário de Notícias, aqui)

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Paul Éluard, L'amoureuse


L’AMOUREUSE
Elle est debout sur mes paupières
Et ses cheveux sont dans les miens,
Elle a la forme de mes mains,
Elle a la couleur de mes yeux,
Elle s’engloutit dans mon ombre
Comme une pierre sur le ciel.
Elle a toujours les yeux ouverts
Et ne me laisse pas dormir.
Ses rêves en pleine lumière
Font s’évaporer les soleils,
Me font rire, pleurer et rire,
Parler sans avoir rien à dire
A ENAMORADA
Ela está de pé sobre minhas pálpebras
e seus cabelos estão nos meus
Ela tem a forma de minhas mãos
Ela tem a cor de meus olhos
Ela é devorada por minha sombra
Como uma pedra contra o céu.
Ela tem sempre os olhos abertos
E não me deixa dormir.
Seus sonhos em plena luz
Fazem evaporar os sóis
Me fazem rir, chorar e rir,
Falar sem ter nada a dizer.
(tradução: Priscila Manhães, na ZUNÁI - Revista de poesia & debates)
"Quero crer que a "enamorada" do famoso poema de Éluard seja a poesia, essa cujos "sonhos em plena luz" o fazem "parler sans avoir rien à dire". Porque, na poesia, falar para dizer coisas é o mesmo que fazer amor para fazer filhos."
(Manuel António Pina na Notícias Magazine de ontem. Crónica completa, aqui)

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Neoliberalismo? Não, obrigado.


Rui Vilar, em entrevista ao Jornal de Negócios (publicada hoje) declara:
"Estamos a usar receitas neoliberais que hoje não funcionam"
Emílio Rui Vilar foi ministro da Economia e Presidente da Fundação Calouste Gulbenkian.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

"O Som e a Fúria" de Faulkner

Quando se completam 50 anos sobre a morte de William Faulkner, The Folio Society lança uma edição limitada do livro "The Sound and the Fury". Tem uma particularidade o texto está impresso em 14 cores para facilitar a leitura, já que são muitas as mudanças temporais que ocorrem. O escritor tinha mesmo declarado em 1929: "Oxalá a edição estivesse mais avançada para permitir o uso de tintas de cor".
Mario Vargas Llosa tinha mesmo declarado: "Faulkner foi o primeiro escritor que li com uma folha de papel e uma caneta".
A leitura fica facilitada mas subsiste uma dificuldade: o preço desta edição do livro é de 225 libras.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Peer Gynt de Ibsen


Edvard Grieg compôs para a peça de teatro Peer Gynt de Henrik Ibsen.


Sinopse da peça:
Peer Gynt, um lavrador norueguês, passa o tempo a sonhar e perde-se em fantasias que o abstraem da realidade da quinta. Ase, a sua velha mãe, acusa-o de desleixar os trabalhos. Mas Peer tenta convencer a mãe de que um dia será rei ou imperador. A mãe lembra-o que a preguiça lhe custou a noiva, filha de Hegstad, que se prepara para casar. Impulsivo, Peer decide impedir o casamento. Ao chegar, todos troçam das suas roupas andrajosas, exceto, Solveig, mas até ela acabará por o evitar depois de saber da sua reputação. Ofendido, embebeda-se e vai buscar a noiva a um armazém onde ela se tinha fechado. Entretanto, chega Ase que, armada de um bastão se apronta a dar uma lição ao filho. É quando todos os convidados apercebem Peer em fuga para as montanhas carregando a noiva nos ombros.
Peer embarca então numa série de aventuras fantásticas. Abandona a noiva que raptou e embrenha-se na floresta para casar e depois abandonar a filha do rei dos Elfos. Na floresta depara-se com um monstro. Depois de passar, resigna-se a desafiar o monstro para uma luta. Está prestes a ser devorado por uma nuvem de pássaros quando ao longe se ouvem vozes de mulheres e sinos de igreja; o monstro desiste. Peer constrói uma cabana na floresta onde Solveig se reúne a ele para uma existência fora-da-lei. Mais tarde, Peer reencontra a filha do rei dos Elfos e o filho de ambos. De novo, numa cruzada da vida, decide partir e pede a Solveig que espere por ele. Vai despedir-se da mãe, mas encontra-a moribunda. Agarra na mãe e conta-lhe um conto de fadas para a tranquilizar… depois, fecha-lhe os olhos já sem vida, beija-lhe as faces, e agradece-lhe os açoites e as canções de embalar.
Peer está de novo de partida, e deambula mundo fora. Vende escravos na América, ídolos na China, rum e bíblias. É assaltado, mas faz-se passar por um profeta árabe no deserto africano. Foge com uma dançarina, Anitra, mas quando param para descansar, esta subtrai-lhe os seus tesouros. E assim vê-se de novo em luta contra uma vida sem sentido. É coroado Rei dos Lunáticos num asilo, torna-se arqueólogo perante a esfinge e, finalmente, regressa à Noruega de barco. O barco naufraga. Peer e o cozinheiro do navio agarram-se desesperadamente a um destroço; para se salvar, atira o cozinheiro ao mar. Chega, por fim, ao seu país. As aventuras e a sua idade já lhe dão direito a um merecido repouso. Encontra um Fundidor de Botões que lhe diz ter de o derreter, mas Peer recusa-se a perder a alma e implora pela sua salvação. Afirma que, no fundo, não é uma má alma. Mas é justamente esse o problema, Peer não é mau o suficiente para o inferno, mas não merece o Paraíso. E, por isso, vai para a concha e ser transformado num não-ser a não ser que consiga provar ser merecedor do Inferno.
Peer Gynt conta todos os seus feitos: como vendeu escravos, enganou, iludiu e se salvou em troca da vida de outro homem. Mas o Fundidor de Botões permanece irredutível.
Os dois chegam à cabana na floresta e à porta lá está Solveig, agora envelhecida.
Aguarda-o orgulhosamente, vestida para ir até à igreja, de missal na mão.
Peer Gynt atira-se a seus pés e suplica-lhe que revele os seus pecados.
SOLVEIG – Estás aqui! Oh, Deus seja louvado!
PEER GYNT – Grita os meus crimes contra ti!
SOLVEIG – O teu crime? Contra mim? Fizeste da minha vida uma canção de sonho!
PEER GYNT – Mas quem sou eu? Onde estive?
SOLVEIG – Tu és o meu amor. E viveste sempre na minha fé, na minha esperança, no meu coração.
Por detrás da cabana surge a voz do Fundidor de Botões, 
«Voltaremos a encontrar-nos, Peer Gynt. E então veremos...»
enquanto ele se afasta, Solveig diz a Peer,
«Velarei por ti, dorme e sonha agora».
Peer Gynt afunda o rosto no colo de Solveig
(do programa do Festival ao Largo 2012)