sábado, 30 de junho de 2012

A caminho de um falhanço colossal

"A caminho de um falhanço colossal" é o título do artigo de opinião, da autoria de Nicolau Santos, no Expresso de hoje.
De quem será o falhanço? Escreve Nicolau Santos: "Não poupemos nas palavras. Um ano após ter tomado posse e definido uma estratégia que foi claramente mais longe do que aquilo que estava acordado com a troika, o Governo está à beira de um falhanço colossal em matéria do Orçamento do Estado. (...) Ora perante um Governo que calculou que o IVA ia crescer 11,6% e está confrontado com uma descida de 2,8% até maio; com uma quebra nos impostos sobre veículos que estava prevista ser de 6,5% e já vai em 47%(!); com um recuo esperado de 2,1% no imposto sobre produtos petrolíferos, que ascende já a 8,4%; com um aumento do subsídio de desemprego de 23%, quando o Executivo apontava para 3,8%; e com uma quebra nas contribuições dos trabalhadores e empresas para a segurança social de 3%, quando se esperava apenas 1% - o que se pode dizer se não que se trata de um falhanço verdadeiramente colossal da equipa das Finanças e, em particular, do brilhantíssimo e competentíssimo ministro Vítor Gaspar? (...) Este descalabro resulta do profundo desconhecimento de como funciona a economia portuguesa, (...) Em qualquer caso, quando é mais do que evidente como o garrote fiscal está a estrangular a economia e que mais impostos vão provocar ainda mais recessão e menos receita fiscal, é extraordinário que o primeiro-ministro e o ministro das Finanças insistam neste caminho. Já não é fé na receita, mas apenas a mais absoluta irracionalidade".
Mal empregado subsídio de férias!

A civilização do espetáculo

A propósito da recente publicação do ensaio "La civilización del espectáculo", de Mario Vargas Llosa, decorreu no Instituto Cervantes, em Madrid, no passado dia 25 de abril, um debate entre Mario Vargas Llosa e Gilles Lipovetsky. A revista Ler dedica-lhe sete páginas. Em jeito de conclusão, declarou Vargas Llosa: "À superfície, as discrepâncias podem ser numerosas, mas, a um nível profundo, acredito que todos - ou, pelo menos, eu e Gilles - estamos de acordo em que... há que ler Proust, há que ler Joyce, há que ler Rimbaud, em que o que fizeram Kant ou Popper, o que Nietzsche pensou, são também coisas valiosas nesta época e podem ajudar-nos a redesenhar esses programas de educação, dos quais depende que a sociedade do futuro seja menos violenta e menos infeliz do que o é a de hoje."

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Senso de Luchino Visconti

Amanhã, 30 de junho, às 22:40 na RTP2: Senso de Luchino Visconti
Excerto do artigo de João Benard da Costa (artigo completo aqui):

"Depois de se ter visto Senso, nunca mais se pode ouvir a Sétima de Bruckner sem “sentir” que lhe falta essa dimensão de vozes. Depois de se ter vistoSenso, é impossível pensar nas suas imagens sem “ouvir” Bruckner.
Por isso, e num dos mais curiosos paradoxos a que a história da relação cinema-ópera deu lugar, a descendência de Senso não é cinematográfica, mas operática. Se se quiser pensar numa posteridade para este filme, ela não está em nenhum outro (nem sequer em Morte a Venezia, onde Visconti tentou com a Quinta Sinfonia de Mahler um efeito semelhante e muito mais célebre), mas nas encenações de 1955 e 1956 com que o mesmo Visconti revolucionou todos os caminhos da encenação operática neste século. A espantosa criação de Alida Valli, no papel da condessa Livia Serpieri, só teve seqüência nas da Mulher para quem Visconti fez essas encenações: Maria Callas. Em Senso, a voz e a imagem de Alida Valli preparam os caminhos para a voz e para a imagem de Callas.
As ruas de Veneza (quem nunca viu Senso nunca viu Veneza), os celeiros de Lonedo (quem nunca viu Senso nunca viu Palladio), as praças de Verona (quem nunca viu Senso nunca viu Sanmicheli) foram, em 1954, os palcos excessivos, exacerbados e exorbitados para a mais fantomática presença da mais fantomática das vozes."

Leão de Ouro para Álvaro Siza

Pintura de Carlos Botelho

O Arquiteto Álvaro Siza Vieira receberá em agosto o Leão de Ourode carreira na Bienal Internacional de Arquitetura de Veneza. A Bienal decorrerá de 29 de agosto a 25 de novembro. “É difícil de imaginar um arquiteto contemporâneo que tenha tido uma presença tão consistente dentro da profissão como Álvaro Siza” afirmou Paolo Baratta da direção da Bienal de Arquitetura, em comunicado. Álvaro Siza receberá o Leão de Ouro no dia 29 de agosto na abertura da Bienal. (adaptado da notícia da Lusa)

À ERC compete apenas sentir o zeitgeist

O Presidente da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), Carlos Magno, considerou que "não compete ao regulador fazer acareações" nem julgar as intenções daqueles que analisa, como o ministro Miguel Relvas. Segundo Carlos Magno, em declarações ao Inimigo Público, à ERC compete apenas "sentir o zeitgeist, perceber de forma inconsciente o espírito da época, sem a julgar, chegar às camadas mais profundas da realidade abrindo as obras da percepção.
(in o Inimigo Público, suplemento do jornal Público)

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Anna Karenina no cinema


No último trimestre deste ano vão surgir nos écrans de cinema adaptações de grandes obras literárias. Quem gosta de ler o livro antes de ver o filme não tem tempo a perder.
Teremos as adaptações de O Grande Gatsby, Os Miseráveis e Anna Karenina. Esta última terá Joe Wright como realizador, Tom Stoppard como guionista e Keira Knightley como atora principal. Acabou de ser disponibilizado o trailer. Em relação ao livro há uma edição em português com tradução de José Saramago.

O Outono Árabe - Egito

Foto de Ahmed Jadallah (Reuters)
Os perdedores, até ao momento, são os milhares de egípcios que desencadearam o protesto de 25 de janeiro de 2011 que, menos de três semanas depois, terminaria com a queda de Mubarak. Artigo de Javier Valenzuela, no site do El País, aqui.