terça-feira, 5 de junho de 2012

Aires Mateus, Lar de Idosos, Alcácer do Sal

Foto de VIII BIAU
Mais fotos aqui:
O artigo, da autoria de Anatxu Zabalbeascoa, publicado no blog do jornal El País, denominado Estirador, tem o título: "Minimalismo con boina":

Rara vez un edificio consigue tanto y delata tan poco sacrificio. El asilo que Francisco y Manuel Aires Mateus han levantado en Alcácer do Sal, en el Alentejo portugués, lee a la vez la vida de sus futuros ocupantes, repiensa el programa habitual de los geriátricos combinando las instalaciones de un hotel con las de un hospital, atiende al lugar, redefine una tipología y retrata a los autores del proyecto. Así, el asilo es a la vez muro y sendero, una suma de unidades independientes y un gran edificio común.
Uno de los muchos problemas que entorpecen la vida de los ancianos es el de la movilidad, la dificultad para trasladarse. Y otro mayor puede derivarse de que los viejos decidan no moverse. Francisco y Manuel Aires Mateus estudiaron las normas no escritas de la microsociedad que forman los ocupantes de los asilos. Más que en ningún otro momento de su vida, los ancianos sufren y disfrutan los edificios. La arquitectura puede cambiarles la cotidianidad facilitándoles ocupaciones previsibles pero dejándoles espacio para que existan imprevistos. Este asilo encargado por la Santa Casa de Misericordia del pueblo trata de alegrar los días de los viejos. Por eso, en esta ocasión, el minimalismo exquisito de los hermanos Aires Mateus se pone boina: para meterse en los zapatos de los residentes de su inmueble.

Fue la dificultad de los movimientos lo que, lejos de convertir el asilo en un laberinto de rampas, llevó a pensar e investigar a los arquitectos. Si cada movimiento es costoso, difícil y hasta doloroso, era preciso hacer que los desplazamientos merecieran la pena, que el esfuerzo tuviera premio, que las emociones se juntaran con las funciones a la hora de desplazarse por el asilo. El retranqueo de los diversos módulos que forman el edificio ofrece esa posibilidad. Los pasos están rotos, las vistas varían, los senderos se entrecruzan. Los arquitectos pensaron en las necesidades de los ancianos como colectivo, atendieron a las normas de esa microsociedad. Pero trataron de dirigirse a los usuarios del asilo como individuos, con las necesidades de todos de relacionarnos y mantener un recinto privado. Por eso las habitaciones de este asilo son casi casas, unidades que fragmentan, sin romperla, su pertenencia al edificio común. Espacialmente, el inmueble es un cuerpo zigzagueante al que los arquitectos han ido sustrayendo cubos que han convertido en patios de luz y miradores.

El programa -“mezcla entre hotel y hospital”, explican los proyectistas- busca llevar luz y calidad contemplativa a las habitaciones de los inquilinos. Así, en todas las estancias, un paño entero de la pared es de vidrio. El retranqueo del edificio no solo busca emular los meandros topográficos, también trata de preservar la privacidad de los ocupantes sin robarles luz ni vistas. Al final, ese gesto que atiende al suelo y a las necesidades de los usuarios también consigue añadir expresión a un proyecto suma de módulos en el que conviven, parece que plácidamente, tantas voluntades.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

O ministro não se demite. Demite-se a jornalista.


Maria José Oliveira, a jornalista do "Público" no centro da controvérsia com o ministro Miguel Relvas, apresentou hoje a demissão à direção do jornal.
Ao Expresso, a repórter da secção de política afirmou que a forma como o caso foi gerido a fez perder a confiança na direção do diário e a vontade de lá continuar a trabalhar.
(Notícia inserida no site do jornal Expresso)

Alain de Botton

Esta noite, Alain de Botton foi entrevistado no programa "Câmara Clara". O programa ficará disponível aqui.
Fiquei com vontade de ler um livro dele.
Há um ano, foi publicada, no jornal i, uma entrevista:

Ateus ou crentes. Tem noção de quem tem lido mais este livro?
Penso que o público são essencialmente pessoas que de alguma forma já acreditaram e deixaram de acreditar. Ou que acreditam um pouco mas não tanto como já acreditaram. Talvez mesmo pessoas que querem acreditar mas na verdade não conseguem. Não penso que seja para pessoas que detestam a religião. Podem ter alguma espécie de crença mas vivem ao mesmo tempo com dúvidas.
Estabelece um compromisso entre o mundo religioso e o secular. Quis ser menos polémico que outros autores?
Isso mesmo, é deliberado. Penso que a linha seguida por Richard Dawkins ou Christopher Hitchens se torna um estereótipo, como se todos os ateus detestassem a religião. Mais interessante que atacar quem acredita é perguntar como podemos viver fora desta esfera. O que pode acontecer quando não acreditamos. Ainda assim, o livro tem um lado bastante provocador e há quem o tenha odiado e amado. Há sempre drama à mistura.
O facto de ser mais conciliador que fundamentalista beneficia ou prejudica a venda de livros como este?
Não sei ao certo, mas tem-se vendido muito bem. Dependerá sempre do livro.
Já escreveu sobre o amor, a arquitectura, o estatuto social, a literatura. Porque decidiu abordar este tema?
De uma maneira geral, a sabedoria é um tema que me interessa. Procuro-a em todos os contextos, como a literatura, a arte, a psicoterapia. No caso da religião, mesmo que não acredite em nada, é uma fonte muito interessante de conhecimento. Sou um pensador muito pragmático e observo a religião de forma prática. Mais que pensar em comentar, costumo pensar em mudanças. As religiões mudaram o mundo, de uma forma que muito poucas outras coisas conseguiram. São uma das mais poderosas organizações intelectuais alguma vez construídas. Isso é uma coisa fantástica.
E fortíssimas no seu marketing?
É verdade, com um marketing fabuloso. Não só têm grandes ideias como sabem disseminá-las.
De tal forma que, como diz, não chega escrever livros para mudar o que quer que seja?
Sim, escrever livros não muda nada. Mesmo que se vendam muito não conseguirão mudar o mundo. O que muda o mundo é a forma como o organizamos. À medida que vou envelhecendo cada vez me interesso pela ideia de mudança, com questões práticas.
Com uma agenda tão frenética sobra- -lhe tempo para frequentar um Restaurante Ágape, por exemplo, que favoreceria o tal sentido de comunidade?
Bom, em Londres tenho uma instituição chamada School of Life, onde conseguimos fazer algumas destas coisas, como essas refeições em comunidade. Também estamos a construir uma espécie de edifício não religioso.
Os templos para ateus, de que fala?
Não é bem um templo, mas recupera algumas das lições da arquitectura religiosa. Vai ser construído na Suíça, com o arquitecto Peter Zumthor, que está muito interessado na tradição dos mosteiros. Será um edifício que evoca essa tradição mas com uma perspectiva não religiosa.
Quando sugere soluções inspiradas na religião para reabilitar a comunidade, as instituições, ou a bondade, acredita que os conceitos se aplicam da mesma forma a uma grande metrópole e a uma pequena cidade como Lisboa?
Portugal faz parte do mundo moderno e isso significa que as dinâmicas são muito parecidas, que predomina a filosofia do individualismo, a veneração do amor romântico, a crença extrema na tecnologia. Portugal já não é um país tradicional, portanto, porque não?
Mesmo sendo um país latino e tradicionalmente católico?
Sim, apesar de haver uma separação entre aquilo que podemos chamar uma classe urbana e escolarizada e uma classe mais rural, afastada das grandes cidades. Hoje levantam-se mais questões que há 20 anos. Prefiro ser ateu ou continuar a pensar como os meus avós?
Pensa que algum dia as religiões se esgotarão por completo?
Não, penso que andarão sempre por cá mas será cada vez mais difícil que as pessoas acreditem nelas. Continuará a haver uma certa atracção e fascínio, mas esse poder vai entrando em declínio. A religião torna-se cada vez menos assustadora. Basta ver como em Inglaterra há um grande afecto pela igreja mas não tem qualquer poder, é quase uma piada. A Inglaterra é o país dos Monty Python e de “A Vida de Brian”. Há séculos a religião era assustadora e talvez em Portugal essas memórias sejam mais recentes, mas mesmo assim o receio foi diminuindo. Sobrevive apenas uma certa nostalgia: “Ah, isto até parece bom mas não consigo acreditar em nada.” Foi para estas pessoas que escrevi o livro.
Não condenando a religião, e procurando até as suas virtudes, vê alguma hipótese de no final da leitura um céptico se tornar um crente?
Não me parece que haja essa hipótese. Como ateu nunca sugiro que o leitor se torne religioso. É mais uma ideia de que não temos que ver a religião como a única fonte de ética, arte ou arquitectura. Podemos roubar o que ela tem de melhor. A religião não deve ficar entregue apenas aos crentes, deve ser para todos.
No caso da educação, quando aconselha por exemplo que se estude “Madame Bovary” na escola quando se aborda uma tensão amorosa, como costumam ser as reacções?
Sim, no caso do casamento. Há muita gente que me pergunta: “Estás a falar a sério?” Sim, estou. Há uns anos escrevi um livro, “Como Proust Pode Mudar a Sua Vida” e pu-lo a perguntar pelo sentido de coisas como estas. Muita gente ficou surpreendida. Proust podia mudar as suas vidas? Claro que pode. Os livros têm o poder de mudar as nossas vidas, mas o sistema de educação recusa-se a aceitar isto, tal como os museus se recusam a aceitar que as obras de arte nos transformam. Têm um poder incrível mas não o usam.
Evoca as fotos de Thomas Struth. Muitas vezes frequentamos museus por pura convenção social?
Sim, é verdade. Diz-se hoje que os museus são as novas igrejas, por terem aspectos em comum, como falar-se em surdina.
Uma outra espécie de liturgia?
Sim, e pensam que têm o que é melhor para quem lá vai. O meu argumento é outro. A arte não nos dá tudo o que podia dar e isso acontece porque nos esquecemos de como a religião a trata, que penso que é muito mais inteligente. A forma como a utilizam é um guia sobre como viver e uma fonte de consolo e encorajamento moral. Isto parece meio assustador porque nos inquieta a ideia de que a arte nos seja útil, mas porque não?
Que diria Proust deste livro?
Ele era um homem muito educado. [Risos.] É um autor secular, que tal como muitos autores do século xix e xx pôs a arte no lugar da religião. Para ele os livros eram um substituto da religião. Concordo com esta ideia.
Da mesma forma que defende que os consultórios de psicoterapia se deviam fazer anunciar na rua com letreiros néones, como qualquer loja?
Sim, não há nada de mal na publicidade, em apresentar uma ideia ao público. Devíamos tratar o produto convenientemente. A Igreja fá-lo porque é organizada, sabe gerar dinheiro.
Teremos uma capacidade parecida ou seria exclusivo de uma minoria?
O ideal era abranger um grande grupo de pessoas. Na religião há uma união que abrange todas as classes. Na cultura moderna temos uma elite intelectual e um estrato popular sem que se estabeleça uma ponte entre eles. Depois há um medo entre as elites de ao falarem de uma forma mais popular serem corrompidos. Como se vender muitos exemplares de um livro fosse um problema, e não deve ser.
Cobre praticamente todos os assuntos. O que lhe falta?
Muita coisa. Costumo cruzar uma série de assuntos porque encontro ligações entre eles. De certa forma estou sempre a escrever o mesmo livro mas a falar de maneira diferente.
É famoso pelos seus livros de auto-ajuda. O país dos Monty Python reage bem quando lhe diz o que deve fazer?
Tem mostrado o seu interesse. Não se importa. O grande argumento neste livro é que os sinais de fraqueza pedem ajuda e toda a gente o reconhece.
Não receia que pensem: “Bolas, primeiro tínhamos Deus agora temos Alain?”
[Risos.] Não, não. Eu diria que primeiro tivemos Deus e agora devemos ter a cultura.


domingo, 3 de junho de 2012

Habemus Papam?

Habemus Papam? Não, não é uma imagem do filme de Nanni Moretti Habemus Papam.
Em 1º plano, podemos ver Tarcisio Bertone, o Secretário de Estado do Vaticano , quando se concluiu o conclave que elegeu o Papa Bento XVI en 2005 / AlessandroLESSANDRO BIANCHI (REUTERS).
Segundo o artigo de Nido de cuervos en el Vaticano
Segundo Pablo Ordaz, no artigo intitulado "Ninho de Corvos no Vaticano", publicado no site do jornal El País, "A detenção do mordomo do Papa deixou a descoberto uma guerra de poder no Vaticano. O cardial Bertone enviou para o exílio alguns dos seus colaboradores mais queridos. Bento XVI trata de obter uma trégua, mas a luta é encarniçada."

Celebração dos 60 anos de reinado de Isabel II

A rainha Isabel II saúda a multidão desde a embarcação real / REUTERS
De vez em quando, é preciso recordar que o reino Unido é dominado pela Inglaterra.

¿Por qué no amaina la crisis?

Artigo de Moisés Naím (2 de junho de 2012, site do jornal El País):

¿Por qué sigue agudizándose y extendiéndose la crisis económica europea? ¿Ignorancia? ¿Demasiado poder concentrado en pocas manos? ¿O será, quizás, todo lo contrario: que los que deben tomar las decisiones necesarias no tienen el poder para hacerlo? Creo que es una diabólica combinación de estos tres factores.
Ignorancia. Está claro que ni entre los Gobiernos ni entre los expertos hay acuerdo acerca de qué hacer. El debate entre los defensores de la austeridad y quienes proponen gastar más para estimular el crecimiento de la economía domina los titulares. A medida que la crisis arrecia, este debate se transforma en un torneo de frases hechas y afirmaciones superficiales. Después de todo, la austeridad no suele ser una opción entre varias. Los pobres no viven austeramente porque, después de pensárselo bien, decidieran que prefieren ser frugales y no manirrotos. Así, para muchos países —y familias— la austeridad es una feroz e ineludible realidad. Por otro lado, imponerle más austeridad a quienes ya no pueden vivir con lo poco que tienen tampoco es una opción válida. En todo caso, el debate sigue y la seguridad con la cual los más renombrados economistas ofrecen sus recomendaciones contrasta con la validez de sus pronósticos e interpretaciones antes y durante la crisis. Andrew Lo, un economista del MIT, acaba de publicar en el prestigioso Journal of Economic Literature una reseña de los 21 libros que más resonancia han tenido en los debates sobre la crisis. Su conclusión: “De este amplio y contradictorio conjunto de interpretaciones no emerge una narrativa única; la gran variedad de conclusiones… enfatiza la desesperada necesidad que tienen los economistas profesionales de ponerse de acuerdo sobre una base de datos común de la cual puedan construir inferencias y narrativas más precisas”.
En otras palabras, si los mejores economistas ni siquiera se pueden poner de acuerdo sobre cuáles son los hechos y datos relevantes para explicar la crisis, no debe sorprendernos que tampoco estén de acuerdo acerca de qué hacer para salir de ella. Pero no se dan por aludidos. Esta crisis ha revelado que la arrogancia intelectual es uno de los riesgos ocupacionales de practicar la economía como profesión.
Mucho poder en pocas manos. Por otro lado, también es obvio que la crisis no es solo económica y que las contradicciones y desacuerdos entre los expertos no bastan para explicar lo que está sucediendo. La política tiene mucho que ver con lo que está pasando, y hablar de política es hablar de poder. Hay protagonistas de este drama que, aunque no tienen el poder para solucionar la crisis, tienen el poder de vetar las iniciativas ajenas que no les convienen y así truncar el juego. La canciller alemana, Angela Merkel, por ejemplo, es uno de estos protagonistas con enorme poder de veto. Alemania podría estimular más su economía y apoyar otras medidas que ayuden al resto de Europa a salir de la crisis. La venta en los mercados mundiales de un bono único emitido por Europa es un buen ejemplo de iniciativas válidas que hasta ahora han sido frenadas por Alemania. Estos eurobonos tendrían la garantía colectiva de todo el continente, lo que disminuiría su prima de riesgo y los pagos que deben hacer los países más atribulados por la crisis —y que más dependen del crédito del extranjero—. Pero en estos tiempos el poder no solo se concentra en algunos países y líderes. Los financieros que tienen la capacidad de mover grandes volúmenes de capital de un país a otro también son protagonistas importantes del drama europeo. Si bien no pueden imponer políticas, sí pueden vetar decisiones o limitar las opciones de los Gobiernos.
Poco poder en muchas manos. Por otro lado, un paradójico y contradictorio aspecto del poder en estos tiempos es su escasez, precariedad y transitoriedad. Aún los más poderosos se encuentran con inmensas limitaciones para ejercer el poder. Y además lo pierden con inusitada frecuencia, siendo reemplazados por rivales, colegas o sorprendentes contendientes que aparecen súbitamente. Angela Merkel no puede hacer todo lo que le gustaría y sus opciones son restringidas por una miríada de micropoderes que, si bien no tienen la fuerza de imponer sus deseos, sí tienen cómo limitar a los más poderosos. Ni siquiera los líderes de las finanzas pueden hoy dormir tranquilos suponiendo que sus cargos e instituciones están a salvo de la turbulencia en la que vivimos. En el mundo de hoy, el poder está muy fragmentado y la crisis europea es la evidencia más clara de esta tendencia. Incluso quienes más poder tienen solo pueden influir sobre su evolución de manera tenue e indirecta. La crisis sigue porque en Europa no hay quien tenga el poder para contenerla. Por ahora.

A agenda da austeridade


Protestos frente ao Parlamento británico / PAUL HACKETT (REUTERS)
"A expansão, não a contração, é o momento certo para a austeridade." Assim declarou John Maynard Keynes 75 anos atrás, e ele tinha razão. Mesmo que você tenha um problema de deficit em longo prazo -e quem não tem?-, cortar gastos em um período de depressão econômica profunda é uma estratégia derrotista, porque só serve para agravar ainda mais a depressão. 

Por Paul Krugman, em Folha de S.Paulo (2 de junho de 2012)

Por que, então, o Reino Unido está fazendo exatamente o que não deveria? Ao contrário dos governos da Espanha ou da Califórnia, por exemplo, o britânico pode captar recursos livremente. Assim, por que está reduzindo o investimento e eliminando centenas de milhares de empregos no setor público, em lugar de esperar para fazê-lo quando a economia recuperar as forças?

Ao longo dos últimos dias, fiz essa pergunta a diversos partidários do governo do primeiro-ministro David Cameron, tanto em conversas privadas quanto na TV. E todos esses diálogos seguiram a mesma trajetória: começavam com uma má metáfora e terminavam com a revelação de motivos ulteriores.

A má metáfora equipara o problema da dívida nacional de uma economia aos problemas de dívida de uma família individual. Uma família que tenha acumulado dívidas demais, assim a história diz, precisa apertar os cintos. Portanto, se o Reino Unido como um todo acumulou dívidas demais, não deveria fazer o mesmo? O que há de errado nessa comparação?

A resposta é que uma economia não é uma família endividada. Nossa dívida consiste principalmente de dinheiro que devemos uns aos outros; ainda mais importante, nossa renda provém principalmente de vender coisas uns aos outros. Seu gasto é minha renda, e meu gasto é sua renda.

Assim, o que acontece se todo mundo reduzir gastos simultaneamente a fim de reduzir suas dívidas? A resposta: a renda de todos cai.

Quando o setor privado está se esforçando freneticamente para pagar dívidas, o setor público deveria fazer o oposto, gastando quando o setor privado não pode ou não quer fazê-lo. É claro que devemos equilibrar nosso orçamento quando a economia tiver se recuperado. A expansão, e não a contração, é o momento certo para a austeridade.

Como eu disse, nada disso é novidade. Assim, por que tantos políticos insistem em adotar medidas de austeridade em meio à crise? E por que não mudam de rumo mesmo depois que a experiência confirma as lições teóricas e históricas?

Assim, a campanha pela austeridade no Reino Unido não se refere na verdade a dívida e deficit. Ela só usa o pânico com o deficit como desculpa para desmantelar programas sociais