segunda-feira, 4 de junho de 2012

O ministro não se demite. Demite-se a jornalista.


Maria José Oliveira, a jornalista do "Público" no centro da controvérsia com o ministro Miguel Relvas, apresentou hoje a demissão à direção do jornal.
Ao Expresso, a repórter da secção de política afirmou que a forma como o caso foi gerido a fez perder a confiança na direção do diário e a vontade de lá continuar a trabalhar.
(Notícia inserida no site do jornal Expresso)

Alain de Botton

Esta noite, Alain de Botton foi entrevistado no programa "Câmara Clara". O programa ficará disponível aqui.
Fiquei com vontade de ler um livro dele.
Há um ano, foi publicada, no jornal i, uma entrevista:

Ateus ou crentes. Tem noção de quem tem lido mais este livro?
Penso que o público são essencialmente pessoas que de alguma forma já acreditaram e deixaram de acreditar. Ou que acreditam um pouco mas não tanto como já acreditaram. Talvez mesmo pessoas que querem acreditar mas na verdade não conseguem. Não penso que seja para pessoas que detestam a religião. Podem ter alguma espécie de crença mas vivem ao mesmo tempo com dúvidas.
Estabelece um compromisso entre o mundo religioso e o secular. Quis ser menos polémico que outros autores?
Isso mesmo, é deliberado. Penso que a linha seguida por Richard Dawkins ou Christopher Hitchens se torna um estereótipo, como se todos os ateus detestassem a religião. Mais interessante que atacar quem acredita é perguntar como podemos viver fora desta esfera. O que pode acontecer quando não acreditamos. Ainda assim, o livro tem um lado bastante provocador e há quem o tenha odiado e amado. Há sempre drama à mistura.
O facto de ser mais conciliador que fundamentalista beneficia ou prejudica a venda de livros como este?
Não sei ao certo, mas tem-se vendido muito bem. Dependerá sempre do livro.
Já escreveu sobre o amor, a arquitectura, o estatuto social, a literatura. Porque decidiu abordar este tema?
De uma maneira geral, a sabedoria é um tema que me interessa. Procuro-a em todos os contextos, como a literatura, a arte, a psicoterapia. No caso da religião, mesmo que não acredite em nada, é uma fonte muito interessante de conhecimento. Sou um pensador muito pragmático e observo a religião de forma prática. Mais que pensar em comentar, costumo pensar em mudanças. As religiões mudaram o mundo, de uma forma que muito poucas outras coisas conseguiram. São uma das mais poderosas organizações intelectuais alguma vez construídas. Isso é uma coisa fantástica.
E fortíssimas no seu marketing?
É verdade, com um marketing fabuloso. Não só têm grandes ideias como sabem disseminá-las.
De tal forma que, como diz, não chega escrever livros para mudar o que quer que seja?
Sim, escrever livros não muda nada. Mesmo que se vendam muito não conseguirão mudar o mundo. O que muda o mundo é a forma como o organizamos. À medida que vou envelhecendo cada vez me interesso pela ideia de mudança, com questões práticas.
Com uma agenda tão frenética sobra- -lhe tempo para frequentar um Restaurante Ágape, por exemplo, que favoreceria o tal sentido de comunidade?
Bom, em Londres tenho uma instituição chamada School of Life, onde conseguimos fazer algumas destas coisas, como essas refeições em comunidade. Também estamos a construir uma espécie de edifício não religioso.
Os templos para ateus, de que fala?
Não é bem um templo, mas recupera algumas das lições da arquitectura religiosa. Vai ser construído na Suíça, com o arquitecto Peter Zumthor, que está muito interessado na tradição dos mosteiros. Será um edifício que evoca essa tradição mas com uma perspectiva não religiosa.
Quando sugere soluções inspiradas na religião para reabilitar a comunidade, as instituições, ou a bondade, acredita que os conceitos se aplicam da mesma forma a uma grande metrópole e a uma pequena cidade como Lisboa?
Portugal faz parte do mundo moderno e isso significa que as dinâmicas são muito parecidas, que predomina a filosofia do individualismo, a veneração do amor romântico, a crença extrema na tecnologia. Portugal já não é um país tradicional, portanto, porque não?
Mesmo sendo um país latino e tradicionalmente católico?
Sim, apesar de haver uma separação entre aquilo que podemos chamar uma classe urbana e escolarizada e uma classe mais rural, afastada das grandes cidades. Hoje levantam-se mais questões que há 20 anos. Prefiro ser ateu ou continuar a pensar como os meus avós?
Pensa que algum dia as religiões se esgotarão por completo?
Não, penso que andarão sempre por cá mas será cada vez mais difícil que as pessoas acreditem nelas. Continuará a haver uma certa atracção e fascínio, mas esse poder vai entrando em declínio. A religião torna-se cada vez menos assustadora. Basta ver como em Inglaterra há um grande afecto pela igreja mas não tem qualquer poder, é quase uma piada. A Inglaterra é o país dos Monty Python e de “A Vida de Brian”. Há séculos a religião era assustadora e talvez em Portugal essas memórias sejam mais recentes, mas mesmo assim o receio foi diminuindo. Sobrevive apenas uma certa nostalgia: “Ah, isto até parece bom mas não consigo acreditar em nada.” Foi para estas pessoas que escrevi o livro.
Não condenando a religião, e procurando até as suas virtudes, vê alguma hipótese de no final da leitura um céptico se tornar um crente?
Não me parece que haja essa hipótese. Como ateu nunca sugiro que o leitor se torne religioso. É mais uma ideia de que não temos que ver a religião como a única fonte de ética, arte ou arquitectura. Podemos roubar o que ela tem de melhor. A religião não deve ficar entregue apenas aos crentes, deve ser para todos.
No caso da educação, quando aconselha por exemplo que se estude “Madame Bovary” na escola quando se aborda uma tensão amorosa, como costumam ser as reacções?
Sim, no caso do casamento. Há muita gente que me pergunta: “Estás a falar a sério?” Sim, estou. Há uns anos escrevi um livro, “Como Proust Pode Mudar a Sua Vida” e pu-lo a perguntar pelo sentido de coisas como estas. Muita gente ficou surpreendida. Proust podia mudar as suas vidas? Claro que pode. Os livros têm o poder de mudar as nossas vidas, mas o sistema de educação recusa-se a aceitar isto, tal como os museus se recusam a aceitar que as obras de arte nos transformam. Têm um poder incrível mas não o usam.
Evoca as fotos de Thomas Struth. Muitas vezes frequentamos museus por pura convenção social?
Sim, é verdade. Diz-se hoje que os museus são as novas igrejas, por terem aspectos em comum, como falar-se em surdina.
Uma outra espécie de liturgia?
Sim, e pensam que têm o que é melhor para quem lá vai. O meu argumento é outro. A arte não nos dá tudo o que podia dar e isso acontece porque nos esquecemos de como a religião a trata, que penso que é muito mais inteligente. A forma como a utilizam é um guia sobre como viver e uma fonte de consolo e encorajamento moral. Isto parece meio assustador porque nos inquieta a ideia de que a arte nos seja útil, mas porque não?
Que diria Proust deste livro?
Ele era um homem muito educado. [Risos.] É um autor secular, que tal como muitos autores do século xix e xx pôs a arte no lugar da religião. Para ele os livros eram um substituto da religião. Concordo com esta ideia.
Da mesma forma que defende que os consultórios de psicoterapia se deviam fazer anunciar na rua com letreiros néones, como qualquer loja?
Sim, não há nada de mal na publicidade, em apresentar uma ideia ao público. Devíamos tratar o produto convenientemente. A Igreja fá-lo porque é organizada, sabe gerar dinheiro.
Teremos uma capacidade parecida ou seria exclusivo de uma minoria?
O ideal era abranger um grande grupo de pessoas. Na religião há uma união que abrange todas as classes. Na cultura moderna temos uma elite intelectual e um estrato popular sem que se estabeleça uma ponte entre eles. Depois há um medo entre as elites de ao falarem de uma forma mais popular serem corrompidos. Como se vender muitos exemplares de um livro fosse um problema, e não deve ser.
Cobre praticamente todos os assuntos. O que lhe falta?
Muita coisa. Costumo cruzar uma série de assuntos porque encontro ligações entre eles. De certa forma estou sempre a escrever o mesmo livro mas a falar de maneira diferente.
É famoso pelos seus livros de auto-ajuda. O país dos Monty Python reage bem quando lhe diz o que deve fazer?
Tem mostrado o seu interesse. Não se importa. O grande argumento neste livro é que os sinais de fraqueza pedem ajuda e toda a gente o reconhece.
Não receia que pensem: “Bolas, primeiro tínhamos Deus agora temos Alain?”
[Risos.] Não, não. Eu diria que primeiro tivemos Deus e agora devemos ter a cultura.


domingo, 3 de junho de 2012

Habemus Papam?

Habemus Papam? Não, não é uma imagem do filme de Nanni Moretti Habemus Papam.
Em 1º plano, podemos ver Tarcisio Bertone, o Secretário de Estado do Vaticano , quando se concluiu o conclave que elegeu o Papa Bento XVI en 2005 / AlessandroLESSANDRO BIANCHI (REUTERS).
Segundo o artigo de Nido de cuervos en el Vaticano
Segundo Pablo Ordaz, no artigo intitulado "Ninho de Corvos no Vaticano", publicado no site do jornal El País, "A detenção do mordomo do Papa deixou a descoberto uma guerra de poder no Vaticano. O cardial Bertone enviou para o exílio alguns dos seus colaboradores mais queridos. Bento XVI trata de obter uma trégua, mas a luta é encarniçada."

Celebração dos 60 anos de reinado de Isabel II

A rainha Isabel II saúda a multidão desde a embarcação real / REUTERS
De vez em quando, é preciso recordar que o reino Unido é dominado pela Inglaterra.

¿Por qué no amaina la crisis?

Artigo de Moisés Naím (2 de junho de 2012, site do jornal El País):

¿Por qué sigue agudizándose y extendiéndose la crisis económica europea? ¿Ignorancia? ¿Demasiado poder concentrado en pocas manos? ¿O será, quizás, todo lo contrario: que los que deben tomar las decisiones necesarias no tienen el poder para hacerlo? Creo que es una diabólica combinación de estos tres factores.
Ignorancia. Está claro que ni entre los Gobiernos ni entre los expertos hay acuerdo acerca de qué hacer. El debate entre los defensores de la austeridad y quienes proponen gastar más para estimular el crecimiento de la economía domina los titulares. A medida que la crisis arrecia, este debate se transforma en un torneo de frases hechas y afirmaciones superficiales. Después de todo, la austeridad no suele ser una opción entre varias. Los pobres no viven austeramente porque, después de pensárselo bien, decidieran que prefieren ser frugales y no manirrotos. Así, para muchos países —y familias— la austeridad es una feroz e ineludible realidad. Por otro lado, imponerle más austeridad a quienes ya no pueden vivir con lo poco que tienen tampoco es una opción válida. En todo caso, el debate sigue y la seguridad con la cual los más renombrados economistas ofrecen sus recomendaciones contrasta con la validez de sus pronósticos e interpretaciones antes y durante la crisis. Andrew Lo, un economista del MIT, acaba de publicar en el prestigioso Journal of Economic Literature una reseña de los 21 libros que más resonancia han tenido en los debates sobre la crisis. Su conclusión: “De este amplio y contradictorio conjunto de interpretaciones no emerge una narrativa única; la gran variedad de conclusiones… enfatiza la desesperada necesidad que tienen los economistas profesionales de ponerse de acuerdo sobre una base de datos común de la cual puedan construir inferencias y narrativas más precisas”.
En otras palabras, si los mejores economistas ni siquiera se pueden poner de acuerdo sobre cuáles son los hechos y datos relevantes para explicar la crisis, no debe sorprendernos que tampoco estén de acuerdo acerca de qué hacer para salir de ella. Pero no se dan por aludidos. Esta crisis ha revelado que la arrogancia intelectual es uno de los riesgos ocupacionales de practicar la economía como profesión.
Mucho poder en pocas manos. Por otro lado, también es obvio que la crisis no es solo económica y que las contradicciones y desacuerdos entre los expertos no bastan para explicar lo que está sucediendo. La política tiene mucho que ver con lo que está pasando, y hablar de política es hablar de poder. Hay protagonistas de este drama que, aunque no tienen el poder para solucionar la crisis, tienen el poder de vetar las iniciativas ajenas que no les convienen y así truncar el juego. La canciller alemana, Angela Merkel, por ejemplo, es uno de estos protagonistas con enorme poder de veto. Alemania podría estimular más su economía y apoyar otras medidas que ayuden al resto de Europa a salir de la crisis. La venta en los mercados mundiales de un bono único emitido por Europa es un buen ejemplo de iniciativas válidas que hasta ahora han sido frenadas por Alemania. Estos eurobonos tendrían la garantía colectiva de todo el continente, lo que disminuiría su prima de riesgo y los pagos que deben hacer los países más atribulados por la crisis —y que más dependen del crédito del extranjero—. Pero en estos tiempos el poder no solo se concentra en algunos países y líderes. Los financieros que tienen la capacidad de mover grandes volúmenes de capital de un país a otro también son protagonistas importantes del drama europeo. Si bien no pueden imponer políticas, sí pueden vetar decisiones o limitar las opciones de los Gobiernos.
Poco poder en muchas manos. Por otro lado, un paradójico y contradictorio aspecto del poder en estos tiempos es su escasez, precariedad y transitoriedad. Aún los más poderosos se encuentran con inmensas limitaciones para ejercer el poder. Y además lo pierden con inusitada frecuencia, siendo reemplazados por rivales, colegas o sorprendentes contendientes que aparecen súbitamente. Angela Merkel no puede hacer todo lo que le gustaría y sus opciones son restringidas por una miríada de micropoderes que, si bien no tienen la fuerza de imponer sus deseos, sí tienen cómo limitar a los más poderosos. Ni siquiera los líderes de las finanzas pueden hoy dormir tranquilos suponiendo que sus cargos e instituciones están a salvo de la turbulencia en la que vivimos. En el mundo de hoy, el poder está muy fragmentado y la crisis europea es la evidencia más clara de esta tendencia. Incluso quienes más poder tienen solo pueden influir sobre su evolución de manera tenue e indirecta. La crisis sigue porque en Europa no hay quien tenga el poder para contenerla. Por ahora.

A agenda da austeridade


Protestos frente ao Parlamento británico / PAUL HACKETT (REUTERS)
"A expansão, não a contração, é o momento certo para a austeridade." Assim declarou John Maynard Keynes 75 anos atrás, e ele tinha razão. Mesmo que você tenha um problema de deficit em longo prazo -e quem não tem?-, cortar gastos em um período de depressão econômica profunda é uma estratégia derrotista, porque só serve para agravar ainda mais a depressão. 

Por Paul Krugman, em Folha de S.Paulo (2 de junho de 2012)

Por que, então, o Reino Unido está fazendo exatamente o que não deveria? Ao contrário dos governos da Espanha ou da Califórnia, por exemplo, o britânico pode captar recursos livremente. Assim, por que está reduzindo o investimento e eliminando centenas de milhares de empregos no setor público, em lugar de esperar para fazê-lo quando a economia recuperar as forças?

Ao longo dos últimos dias, fiz essa pergunta a diversos partidários do governo do primeiro-ministro David Cameron, tanto em conversas privadas quanto na TV. E todos esses diálogos seguiram a mesma trajetória: começavam com uma má metáfora e terminavam com a revelação de motivos ulteriores.

A má metáfora equipara o problema da dívida nacional de uma economia aos problemas de dívida de uma família individual. Uma família que tenha acumulado dívidas demais, assim a história diz, precisa apertar os cintos. Portanto, se o Reino Unido como um todo acumulou dívidas demais, não deveria fazer o mesmo? O que há de errado nessa comparação?

A resposta é que uma economia não é uma família endividada. Nossa dívida consiste principalmente de dinheiro que devemos uns aos outros; ainda mais importante, nossa renda provém principalmente de vender coisas uns aos outros. Seu gasto é minha renda, e meu gasto é sua renda.

Assim, o que acontece se todo mundo reduzir gastos simultaneamente a fim de reduzir suas dívidas? A resposta: a renda de todos cai.

Quando o setor privado está se esforçando freneticamente para pagar dívidas, o setor público deveria fazer o oposto, gastando quando o setor privado não pode ou não quer fazê-lo. É claro que devemos equilibrar nosso orçamento quando a economia tiver se recuperado. A expansão, e não a contração, é o momento certo para a austeridade.

Como eu disse, nada disso é novidade. Assim, por que tantos políticos insistem em adotar medidas de austeridade em meio à crise? E por que não mudam de rumo mesmo depois que a experiência confirma as lições teóricas e históricas?

Assim, a campanha pela austeridade no Reino Unido não se refere na verdade a dívida e deficit. Ela só usa o pânico com o deficit como desculpa para desmantelar programas sociais

¿Por qué Grecia?


Crónica de Mario Vargas Llosa publicada hoje no jornal El País:
En aquella cena, hace ya varios años, me sentaron junto a una señora de edad que cubría sus ojos con unos grandes anteojos oscuros. Era amable, elegante, hablaba un francés exquisito y, pese a que hacía grandes esfuerzos por disimularlo, en todo lo que decía y opinaba se traslucía una enorme cultura. Sólo a media cena advertí, por las grandes precauciones con que manejaba los cubiertos, que era ciega o, cuando menos, que su visión era mínima. Sólo después de despedirnos, averigüé que Jacqueline de Romilly era una gran helenista, catedrática de griego clásico en la École Normale y en la Sorbona, la primera mujer en ser elegida miembro del Colegio de Francia y una de las pocas representantes del género femenino en la Academia Francesa.
El primer libro suyo que leí, Pourquoi la Grèce?, me deslumbró tanto como su persona. Aunque lo que dice y cuenta en él ocurrió hace 25 siglos, es de una extraordinaria actualidad y su lectura debería ser obligatoria en estos días para aquellos europeos que, espantados con lo que está ocurriendo en Grecia, su deuda vertiginosa, su anarquía política, su empobrecimiento pavoroso y la ascensión de los extremismos fascista y comunista en sus últimas elecciones, creen que la salida de ese país de la moneda única, e incluso de la Unión Europea, es inevitable y hasta necesaria.
El libro cuenta cómo la joven Jacqueline leyó en sus años escolares a Tucídides y cómo la impresión que hizo en ella uno de los dos fundadores de la disciplina histórica (con Heródoto) orientó su vocación a los estudios de la Grecia clásica, a la que dedicaría su vida. El ensayo pasa revista, de manera clara, entretenida y profunda —rara alianza para una especialista— a ese milagroso siglo V antes de nuestra era en el que la historia, la filosofía, la tragedia, la política, la retórica, la medicina, la escultura alcanzan en Grecia su apogeo y sientan las bases de lo que con el tiempo se llamaría la cultura occidental. Homero y Hesíodo son bastante anteriores al siglo V, desde luego, y hay artistas, pensadores y comediógrafos posteriores a ese marco temporal. El ensayo no vacila en retroceder o avanzar para incluirlos en el legado griego, aunque el grueso de lo que llama “una visita guiada a través de los textos” se concentra en ese pequeño período de 100 años en que en el reducido espacio del mundo heleno hay como una eclosión frenética, enloquecida, de creatividad en todos los dominios del espíritu, con ideas, modelos estéticos, patrones intelectuales, inventos y descubrimientos, gracias a los cuales la civilización del logos tomaría una distancia decisiva respecto a todas las otras culturas del pasado y de su tiempo y, sin pretenderlo ni saberlo, cambiaría para siempre la historia del mundo.
Jacqueline de Romilly muestra que en Grecia nacieron, o cobraron una realidad y dinamismo que nunca tuvieron antes en la vida social de pueblo alguno, los factores determinantes del progreso humano, como la democracia, la libertad, el derecho, la razón y el arte emancipados de la religión, las nociones de igualdad, de soberanía individual, de ciudadanía, y una manera absolutamente nueva de relacionarse el hombre con el más allá y con los dioses, además, por supuesto, de una idea de la belleza y de la fealdad, de la bondad y la maldad, de la felicidad y la desdicha, que, aunque con los inevitables matices y adaptaciones que ha ido imponiéndoles la historia, siguen vigentes.
Maravilla que un pueblo tan pequeño y tan poco cohesionado políticamente, hecho de unas cuantas ciudades y colonias repartidas por Europa y el Asia Menor, que conservaban un enorme margen de autonomía entre ellas, un pueblo tan instintivamente reticente a conformar un imperio, a practicar el imperialismo y a someterse a la prepotencia de un tirano (como hicieron todos los otros) haya sido capaz de dejar en la historia de la humanidad una huella tan honda, tan presente todavía tantos siglos después, en tanto que casi todos los otros grandes imperios o civilizaciones —los persas y los egipcios, por ejemplo— sean ahora sobre todo, sin olvidar ninguna de sus maravillas, piezas de museo.
No fue un accidente, ni obra del azar, hubo razones para ello y el libro de Jacqueline de Romilly las hace desfilar ante nuestros ojos con la misma desenvoltura, belleza y elegancia con que su conversación me hechizó a mí aquella noche. Los diálogos socráticos y platónicos, además de una manera de filosofar, nos explica, enseñaron a los seres humanos que conversar, hablar en grupo, es una manera más civilizada y ética de convivir que dando órdenes u obedeciéndolas, una forma de la comunicación que reconoce o establece de entrada una igualdad de base, una reciprocidad de derechos, entre los interlocutores. Así fue surgiendo la libertad, desanimalizándose el hombre, naciendo de verdad la humanidad del ser humano.
Esta demostración en Pourquoi la Grèce? no aparece como un discurso abstracto, sino a través de comentarios y de citas literarias, porque, como su autora no se cansa de repetirlo, todo aquello que constituye una cultura está esencialmente representado en sus obras literarias, y la verdadera crítica es aquella que escudriña la poesía, la narrativa, el drama, los ensayos que una sociedad produce en busca de esas verdades recónditas que alimentan su imaginación e impregnan las aventuras y los personajes a que sus artistas dieron vida para aplacar la sed de absoluto, de vivir otras vidas, de sus gentes.
“Sin saberlo, respiramos el aire de Grecia a cada instante”, dice en una de sus páginas. No es la menor de las paradojas que los griegos, que nunca conquistaron a pueblo alguno y sólo combatieron en defensa de su libertad, hayan dominado luego discretamente al mundo entero, empezando por Roma, cuyas legiones creyeron apoderarse de Grecia sin esfuerzo, cuando, en verdad, sería el pueblo vencido el que terminaría por infiltrarse en la mente, el espíritu y hasta la lengua del conquistador. (El ensayo revela que, durante buen tiempo, fue de buen gusto entre las familias romanas contemporáneas de Cicerón y de Virgilio hablar en lengua griega).
Es verdad que la Grecia de nuestros días es muy distinta de aquella donde se construyó el Partenón, en la que peroraba Solón y esculpía Fidias sus estatuas. En los 25 siglos intermedios su pueblo ha experimentado acaso más infortunios y catástrofes que la mayoría de los otros: guerras externas e internas, ocupaciones que por siglos acabaron con su libertad, tiranías y segregaciones que varias veces amenazaron con desintegrarla. Esta mañana leo en el International Herald Tribune una espeluznante descripción del estado de su economía, los grotescos privilegios de que han gozado en todos estos años sus armadores, banqueros y empresarios más prósperos, exonerados de pagar impuestos, y las fortunas que han fugado y siguen fugando del país hacia Suiza y los paraísos fiscales más seguros del planeta, en tanto que el pueblo griego se sigue empobreciendo, viendo encogerse sus salarios o pasando al paro, a la mendicidad y al hambre.
Ante este panorama, lo que debería sorprender no es que muchos griegos hayan votado en las últimas elecciones por nazis y extremistas de izquierda; sino, más bien, que haya todavía tantos griegos que sigan creyendo en la democracia, y que las encuestas para la próxima elección señalen que los partidos de centro izquierda, centro y centro derecha, que defienden la opción europea y aceptan las condiciones que ha impuesto Bruselas para el rescate griego, podrían obtener la mayoría y formar gobierno.
Mi esperanza es que así sea porque, simplemente, Grecia no puede dejar de formar parte integral de Europa sin que ésta se vuelva una caricatura grotesca de sí misma, condenada al más estrepitoso fracaso. Europa nació allá, al pie de la Acrópolis, hace 25 siglos, y todo lo mejor que hay en ella, lo que más aprecia y admira de sí misma, incluyendo la religión de Cristo —una de las páginas más hermosas del ensayo de Jacqueline de Romilly explica por qué buena parte de los Evangelios se escribieron en lengua griega—, así como las instituciones democráticas, la libertad y los derechos humanos tienen su lejana raíz en ese pequeño rincón del viejo continente, a orillas del Egeo, donde la luz del sol es más potente y el mar es más azul. Grecia es el símbolo de Europa y los símbolos no pueden desaparecer sin que lo que ellos encarnan se desmorone y deshaga en esa confusión bárbara de irracionalidad y violencia de la que la civilización griega nos sacó.