segunda-feira, 14 de maio de 2012

Noel Rosa



Samba "Quem dá mais", composto por Noel Rosa pode ouvir-se aqui.

O uruguaio Eduardo Galeano (Montevideu, 1940) escreveu um livro ("Los hijos de los días") com a forma de calendário. A cada dia do ano corresponde uma história com distintas localizações no espaço e no tempo.

Para o dia 4 de maio escreveu “Mientras dure la noche”:

"En 1937 murió, a los veintiséis años, Noel Rosa.
Este músico de la noche de Río de Janeiro, que en vida conoció la playa sólo por fotos, escribió y cantó sambas en los bares de la ciudad que los canta todavía.
En uno de esos bares un amigo lo encontró, a la nocturna hora de las diez de la mañana.
Noel tarareaba una canción recién parida.
En la mesa había dos botellas. Una de cerveza y otra de aguardiente de caña.
El amigo sabía que la tuberculosis lo estaba matando. Noel le adivinó la preocupación en la cara, y se sintió obligado a dictarle una lección sobre las propiedades nutritivas de la cerveza. Señalando la botella sentenció:
–Esto alimenta más que un plato de buena comida.
 El amigo, no muy convencido, apuntó a la botella de caña:
¿Y esto?
Y Noel explicó:
–Es que no tiene gracia comer sin alguna cosita que acompañe."

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Rafael Moneo

Foto de Gorka Lejarcegi
Ao saber que lhe tinha sido atribuído o Prémio Príncipe das Astúrias das Artes, Rafael Moneo declarou: "Cuando creía pasado mi turno, reconocen mi trabajo"
Notícias no site do jornal "El País":
http://cultura.elpais.com/cultura/2012/05/09/actualidad/1336563827_576698.html
http://cultura.elpais.com/cultura/2012/05/08/actualidad/1336507256_250140.html
Notícia no site do jornal Público:
"Moneo foi escolhido entre 39 candidaturas nas mais diversas áreas da arte, apresentadas por 25 países. Portugal concorreu com a pintora Paula Rego. Outro pintor, Jasper Jones, o designer Philippe Starck, a cantora mexicana Chavela Vargas, o Teatro Bolshoi e Frank Gehry, o arquitecto norte-americano que desenhou o Museu Guggenheim de Bilbau, também eram candidatos.

De acordo com a acta do júri, presidido pelo espanhol José Lladó y Fernández-Urrutia, Moneo foi escolhido por ser um arquitecto "dimensão universal, cuja obra enriquece os espaços urbanos com uma arquitectura serena e esmerada". "Mestre reconhecido no âmbito académico e profissional, Moneo deixa uma marca própria em cada uma das suas criações e, ao mesmo tempo, combina estética com funcionalidade, especialmente nos espaços interiores diáfanos que servem de enquadramento impecável para as grandes obras da cultura e do espírito", lê-se na acta.

Moneo, que também projectou o Museu Romano de Mérida e o famoso Kursaal – o auditório e centro de congressos em forma de cubo à beira-mar, em San Sebastián –, recebeu já alguns dos mais importantes prémios de arquitectura do mundo, incluindo o Pritzker, em 1996 (é o único espanhol a tê-lo), o Mies van der Rohe, de 2001, e o RIBA (Royal Institute of British Architects), em 2003.

Criado em 1981, o prémio que distingue os que contribuíram “de forma relevante para o património cultural da humanidade” volta assim a escolher um arquitecto, depois de Francisco Javier Sáenz de Oiza, Óscar Niemeyer, Santiago Calatrava e Norman Foster. Na edição do ano passado o prémio foi para o maestro Riccardo Muti. "

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Aquela cativa...


Endechas a uma cativa com quem andava de amores na Índia, chamada Bárbara
Poema de Luis de Camões, Música de Zeca Afonso, Intérprete: Zeca Afonso (pode ouvir-se aqui)
Aquela cativa
que me tem cativo,

porque nela vivo

já não quer que viva.

Eu nunca vi rosa

em suaves molhos,

que para meus olhos

fosse mais fermosa.

Nem no campo flores,

nem no céu estrelas

me parecem belas

como os meus amores.

Rosto singular,

olhos sossegados,

pretos e cansados,

mas não de matar.

Uma graça viva,

que neles lhe mora,

para ser senhora

de quem é cativa.

Pretos os cabelos,

onde o povo vão

perde opinião

que os louros são belos.

Pretidão de Amor,

tão doce a figura,

que a neve lhe jura

que trocara a cor.

Leda mansidão,

que o siso acompanha;

bem parece estranha,

mas bárbara não.

Presença serena

que a tormenta amansa;

nela, enfim, descansa

toda a minha pena.

Esta é a cativa

que me tem cativo;

e, pois nela vivo,

é força que viva.

Quem poderá domar...


Canção tão simples (ouvir aqui)
Música: António Portugal; Letra: Manuel Alegre; Intérprete:
Adriano Correia de Oliveira;

Quem poderá domar os cavalos do vento
quem poderá domar este tropel
do pensamento
à flor da pele?

Quem poderá calar a voz do sino triste
que diz por dentro do que não se diz
a fúria em riste
do meu país?

Quem poderá proibir estas letras de chuva
que gota a gota escrevem nas vidraças
pátria viúva
a dor que passa?

Quem poderá prender os dedos farpas
que dentro da canção fazem das brisas
as armas harpas
que são precisas?

sábado, 5 de maio de 2012

Magistratura de influência

O Presidente da República preferiu esta sexta-feira não comentar a «corrida» dos portugueses às lojas do Pingo Doce, no dia 1 de maio, considerando que «não deve tomar posição» quanto «à decisão de uma empresa e dos consumidores que decidiram aproveitar a promoção».

Salientando que não teve a «oportunidade de ver as imagens», mas leu «o que aconteceu», Cavaco Silva disse, em conferência de imprensa em Cascais, que não está «em condições de comentar aquilo que ocorreu na corrida aos supermercados, até porque estão a decorrer investigações para saber se houve ou não alguma violação das normas legais»

(notícia no site tvi24)

Neoliberalismo

Escreve João Bosco Mota Amaral, no Expresso de hoje:
"A aplicação das doutrinas do neoliberalismo económico vai deixando atrás de si, por toda a Europa, um rasto de destruição e ruína, sem que se veja surgir, em compensação, o crescimento robusto prometido como fruto da renovada competitividade resultante do empobrecimento e da degradação da rede de proteção social."
Entretanto, diz Passos Coelho: "Habituem-se!"

quarta-feira, 2 de maio de 2012

José Mattoso

Foto de Clara Azevedo
"A sabedoria vive no labirinto do mundo contemporâneo justamente por se esconder sob muitas formas. É ignorada por muitos que julgam possuí-la. Acredita na eficácia dos pequenos passos. Confia mais na qualidade do que na quantidade. Confere o dom de superar a contradição (o céu e a terra, o bom e o mau, o forte e o fraco, o pequeno e o grande). Sabe esperar a sua vez. Permanece e multiplica-se de forma incompreensível. Ninguém sabe onde está o “fio de Ariadne”, mas os sábios acabam por encontrá-lo."
José Mattoso (no Jornal de Letras, Artes e Ideias de 2 de maio de 2012)