sábado, 5 de maio de 2012

Neoliberalismo

Escreve João Bosco Mota Amaral, no Expresso de hoje:
"A aplicação das doutrinas do neoliberalismo económico vai deixando atrás de si, por toda a Europa, um rasto de destruição e ruína, sem que se veja surgir, em compensação, o crescimento robusto prometido como fruto da renovada competitividade resultante do empobrecimento e da degradação da rede de proteção social."
Entretanto, diz Passos Coelho: "Habituem-se!"

quarta-feira, 2 de maio de 2012

José Mattoso

Foto de Clara Azevedo
"A sabedoria vive no labirinto do mundo contemporâneo justamente por se esconder sob muitas formas. É ignorada por muitos que julgam possuí-la. Acredita na eficácia dos pequenos passos. Confia mais na qualidade do que na quantidade. Confere o dom de superar a contradição (o céu e a terra, o bom e o mau, o forte e o fraco, o pequeno e o grande). Sabe esperar a sua vez. Permanece e multiplica-se de forma incompreensível. Ninguém sabe onde está o “fio de Ariadne”, mas os sábios acabam por encontrá-lo."
José Mattoso (no Jornal de Letras, Artes e Ideias de 2 de maio de 2012)

segunda-feira, 30 de abril de 2012

O Dia Nemésio


No dia 16 de junho a Irlanda - e não só - celebra o Bloomsday. É, talvez, a única celebração anual de um romance. Leopold Bloom é o personagem principal do romance Ulisses, da autoria de James Joyce e a epopeia em que se vê envolvido decorre durante 16 horas do dia 16 de junho de 1904. 

Em Dublin, os organizadores do evento principal promovido pelo governo - o Bloomsday Festival - recordam os acontecimentos do livro, passados em dezanove ruas da capital irlandesa.
O Bloomsday Festival de Dublin tem a duração de uma semana, entre os dias 11 e 16, com uma programação especial no último dia.
Terra verde e brumosa, poderia o grupo central açoriano comemorar o Dia Nemésio (não sou adepto do Dia Margarida).

Vitorino Nemésio


A minha vida está velha
Mas eu sou novo até aos dentes.
Bendito seja o deus do encontro,
O mar que nos criou
Na sêde da verdade,
A moça que o Canal tocou com seus fantasmas
E se deu de repente a mim como uma mãe,
Pois fica-se sabendo
Que da espuma do mar sai gente e amor também.
Bendita a Milha, o espaço ardente,
E a mão cerrada
Contra a vida esmagada.
Abençoemos o impossível
E que o silêncio bem ouvido
Seja por mim no amor de alguém.

Autor: Vitorino Nemésio

sábado, 28 de abril de 2012

Portugal à espera da Europa

(...)
Veio então a fase pior: em 2011, um acordo necessário, mas leonino, com os credores; e uma receita punitiva (sobretudo austeridade), sem olhar ao crescimento e ao emprego. Impuseram-nos a seguinte divisa: " É preciso que tudo fique pior, até que algo possa começar a melhorar. "Ora, todos sabemos que um país endividado, se não quer morrer ou passar fome, tem de aplicar a austeridade ao consumo, mas não ao investimento, pois precisa de crescimento e de emprego. A própria UE o reconheceu, por unanimidade, no comunicado final da cimeira de Amesterdão, de Junho de 1997.
É isso possível? Claro que sim: basta conhecer a experiência dos governos estaduais falidos, nos EUA. A receita é dupla: de um lado, negoceiam com a banca programas de austeridade; do outro, recebem de Washington generosos contratos de apoio ao investimento civil e militar. É remédio santo.
Ou seja, e como há anos venho defendendo: a Europa tem de ser federal, ou acabará mal. Mas o federalismo democrático que sempre defendi não comporta qualquer directório: pressupõe a eleição directa, por todos os cidadãos europeus, de um Parlamento que legisle e de um Executivo que governe. Esses dois órgãos federais poderiam impor-nos sacrifícios? Sim, se necessários; mas seriam sempre sacrifícios decididos por quem nós tivéssemos escolhido para dirigir a União (o que hoje não sucede). E deviam fiscalizar as nossas fantasias despesistas, é óbvio. Mas, com uma Europa federal solidária, não poderia haver apenas sacrifícios nacionais: o governo federal teria de ajudar os países em dificuldade, fazendo investimentos geradores de emprego. Devia efectuá-los com receitas próprias (fundos estruturais) e com eurobonds; mais tarde ou mais cedo, estes vão ser inevitáveis. O meu federalismo - como o de Jean Monnet, ou De Gasperi, Adenauer, Paul-Henri Spaak - seria uma boa "democracia sobre democracias". O que hoje temos é uma nefasta "ditadura sobre democracias". Até quando? Como dizia Cícero, em discurso famoso, "até quando, Catilina, abusarás da nossa paciência?
(Diogo Freitas do Amaral, Público de 25 de Abril de 2012)

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Guernica

Fez ontem 75 anos que Guernica foi bombardeada.
No dia 28 de Abril de 1937, os jornais "The Times" e "The New York Times" publicaram o emocionante relato de George Steer, o mais reproduzido e comentado em quase todo o mundo mas sem qualquer eco em Portugal.
Steer escreve: "Às duas horas da manhã de hoje, quando visitei a cidade, o seu conjunto apresentava uma visão aterradora, ardendo de ponta a ponta. O reflexo das chamas podia ser visto nas nuvens de fumaça acima das montanhas a dez quilómetros de distância. Durante toda a noite caíam casas e as ruas tornavam-se longas pilhas de destroços vermelhos impenetráveis. Muitos dos sobreviventes civis iniciaram a longa caminhada de Guernica a Bilbau em antigas e sólidas carroças bascas puxadas por bois. As carroças, repletas de todo o tipo de utensílios domésticos, obstruiram as estradas durante toda a noite. Outros sobreviventes foram evacuados em camiões do Governo, mas muitos foram forçados a permanecer nas redondezas da cidade incendiada deitados em colchões ou procurando parentes e crianças perdidas, enquanto unidades dos bombeiros e da polícia basca motorizada, sob orientação pessoal do ministro do Interior, senhor Monzon e sua esposa, continuavam o trabalho de resgate até o amanhecer" (...) "Pela sua execução e grau de destruição perpetrado, assim como pela eleição do objetivo, o bombardeamento de Guernica não tem exemplo na história militar".
(Texto retirado daqui)

My rainbow race

Foto de Kyrre Lien
Cerca de 40.000 pessoas com rosas e guarda-chuvas nas mãos cantaram nesta quinta-feira em Oslo uma canção infantil em um ato de desagravo contra o extremista de direita Anders Behring Breivik, autor confesso da matança de 77 pessoas no ano passado na Noruega.
Apesar da chuva, os manifestantes cantaram a canção "Filhos do arco-íris", de Lillebjoern Nilsen, a alguns metros da sede do tribunal de Oslo, onde Breivik está sendo julgado.
Para Breivik, este músico é "um bom exemplo de marxista" e sua canção serve para "lavar o cérebro dos alunos nas escolas".
Os manifestantes, que incluíam idosos em cadeira de rodas e estudantes, cantaram esta música que é uma adaptação de "My rainbow race", do americano Pete Seeger. "Juntos viveremos, cada irmão e cada irmã, filhos do arco-íris e de uma terra fértil", afirma o refrão.

Canção My rainbow race
(Notícia retirada daqui)