terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Charles Dickens

"As this was a great deal for the carrier (whose name was Mr. Barkis) to say - he being, as I observed in a former chapter, of a phlegmatic temperament, and not at all conversational - I offered him a cake as a mark of attention, which he ate at one gulp, exactly like an elephant, and which made no more impression on his big face than it would have done on an elephant's.

'Did SHE make 'em, now?' said Mr. Barkis, always leaning forward, in his slouching way, on the footboard of the cart with an arm on each knee.

'Peggotty, do you mean, sir?'

'Ah!' said Mr. Barkis. 'Her.'

'Yes. She makes all our pastry, and does all our cooking.'

'Do she though?' said Mr. Barkis. He made up his mouth as if to whistle, but he didn't whistle. He sat looking at the horse's ears, as if he saw something new there; and sat so, for a considerable time. By and by, he said:

'No sweethearts, I b'lieve?'

'Sweetmeats did you say, Mr. Barkis?' For I thought he wanted something else to eat, and had pointedly alluded to that description of refreshment.

'Hearts,' said Mr. Barkis. 'Sweet hearts; no person walks with her!'

'With Peggotty?'

'Ah!' he said. 'Her.'

'Oh, no. She never had a sweetheart.'

'Didn't she, though!' said Mr. Barkis.

Again he made up his mouth to whistle, and again he didn't whistle, but sat looking at the horse's ears.

'So she makes,' said Mr. Barkis, after a long interval of reflection, 'all the apple parsties, and doos all the cooking, do she?'

I replied that such was the fact.

'Well. I'll tell you what,' said Mr. Barkis. 'P'raps you might be writin' to her?'

'I shall certainly write to her,' I rejoined.

'Ah!' he said, slowly turning his eyes towards me. 'Well! If you was writin' to her, p'raps you'd recollect to say that Barkis was willin'; would you?'

'That Barkis is willing,' I repeated, innocently. 'Is that all the message?'

'Ye-es,' he said, considering. 'Ye-es. Barkis is willin'."

David Copperfield

Charles Dickens

"Please, sir, I want some more." Illustration by George Cruikshank

"Todos conhecem a história daquele outro filósofo experimental, que imaginara uma bela teoria para fazer com que um cavalo vivesse sem comer e que a aplicou tão bem que chegou a dar ao cavalo a ração de fio de palha. Indubitavelmente, ficaria aquele animal ágil e ligeiro, se não tivesse morrido vinte e quatro horas antes de receber pela primeira vez uma forte ração de ar puro." Oliver Twist

Charles Dickens

Ilustração para o livro "Little Dorrit", por Sol Eytinge, Jr. 1871


"Naquela noite, os moradores do Coração-que-Sangra reuniram-se, para se queixarem da dureza de Pancks.
— Ah, se ao menos fosse o senhor Casby a receber as rendas, o caso era diferente. Um cavalheiro com um olhar tão bondoso e de rosto tão venerando!
Mas, nesse mesmo instante, o senhor Casby, esse impostor, dizia a Pancks, virando os polegares:
— Que dia mau, Pancks, não me conseguiu grande coisa! A sua obrigação era ter-me trazido muito, muito mais dinheiro."
No original: " You must squeeze them"
Little Dorrit (livro que conta a história de uma jovem que nasceu e cresceu numa prisão para devedores de Marshalsea, onde o seu pai se encontrava preso. Também o pai de Dickens tinha estado preso nessa mesma prisão para devedores)

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

François Truffaut

Imagem do filme Jules et Jim

François Truffault nasceu há precisamente 80 anos. Em conjunto com Jean-Luc Godard, Alain Resnais, Claude Chabrol, Jacques Rivette e Eric Rohmer, formou o movimento Nouvelle Vague. Críticos de cinema, da revista Cahiers du Cinema, não se limitaram a criticar: mostraram como entendiam que se devia fazer. Revolucionaram a maneira de fazer cinema.
A primeira longa metragem de Truffaut - Os Quatrocentos Golpes - venceu o Prémio da Realização do Festival de Cannes de 1959 - foi o reconhecimento internacional da Nouvelle Vague. O filme passou há poucos meses na RTP2 e é um filme admirável. Como admirável é o filme Jules et Jim, através do qual Truffaut atingiu o cume.
Importante para a compreensão da Nouvelle Vague é a leitura do 1º artigo de Truffaut publicado nos Cahiers du Cinema, em 1954: "Uma certa tendência do cinema francês".

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Pedro Rosa Mendes deixa recado na sua última crónica

Numa crónica emitida esta quarta-feira de manhã, a sua última na Antena 1, o escritor e jornalista Pedro Rosa Mendes não deixou de repudiar o que considera ser "uma sociadade asfixiada por valores do silêncio, da cobardia, do bajulamento".

O espaço de opinião "Este Tempo", na Antena 1, chegou ao fim envolto em polémica. Depois de Pedro Rosa Mendes ter acusado a antena pública de "censura", na sequência do seu afastamento alegadamente na sequência de uma crónica sobre a RTP e Angola, o jornalista encerrou a sua colaboração dedicando a primeira parte da sua crónica, de quase seis minutos, ao livro de memórias do cineasta cambojano Rithy Panh, L'élimination [A eliminação], editado recentemente em França. E na segunda parte traça um paralelo entre o regime dos Kmer Vermelhos e o Portugal de hoje. "Rithy Panh conta-me o Camboja dos anos 1970 e o seu livro reenvia-me, uma e outra página, com uma força que me deixa sem pulso, para o Portugal do presente. Para um país, precisamente, onde quatro décadas de democracia produziram, afinal, uma sociedade asfixiada por valores do silêncio, da cobardia, do bajulamento e dessa gangrena da nossa pátria que é a inveja social", afirmou, para continuar: "Por junto, uma cultura mesquinha que quase sempre não há ninguém que diga aquilo que todos sabem, mas que todos devem calar. Uma terra onde, finalmente, se instalou o medo e uma noção puramente alimentar da dignidade individual. Traduza-se: "está caladinho, para guardares o trabalhinho"."E o jornalista prossegue: "Neste aspecto, em genocídio ou em democracia, os reflexos e os mecanismos são os mesmos. O rapazinho de 13 anos, por exemplo, conta como foi uma vez chamado pela directora das crianças lá no campo [de concentração]: "Camarada, tens de fazer a tua autocrítica. Ontem, contaste que homens chegaram à Lua e fizeste o elogio dos imperialistas americanos. São invenções. Mentiras. O teu comportamento é inaceitável. Traíste os teus camaradas. Estamos a ouvir-te." Retenho também um provérbio kmer, escrito numa frase isolada por Rithy Panh: "A verdade é um veneno"."Para fechar a crónica, Rosa Mendes deixa uma espécie de recado: "Tenho para mim que as escolhas limite se fazem todos os dias, no nosso quotidiano, e duvido muito que quem vive de espinha dobrada em tempo de paz, em tempo feliz como é - já nos esquecemos - o tempo democrático, seja capaz de endireitar a espinha em tempos difíceis". A última crónica de Pedro Rosa Mendes na Antena 1 termina com um lacónico "bom dia e muito boa sorte".

Recorde-se que também a cineasta Raquel Freire se despediu esta semana da rubrica, tendo revelado ao DN: "Há um ano que estou a ser ameaçada pela direção, desde que fiz uma crónica sobre o presidente da República, Cavaco Silva".

Fonte oficial do gabinete do ministro adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, demarca-se de qualquer ligação ao caso: "É uma decisão editorial da RDP", insiste. O PS e o BE já vieram exigir explicações às direções da rádio, que oficialmente ainda não se pronunciaram sobre o assunto. "A decisão de terminar com a série já estava tomada há algum tempo, antes do referido programa [o de Pedro Rosa Mendes] ter sido emitido. Os contratos dos colaboradores terminam a 31 de janeiro", lê-se no comunicado de Luís Marinho, diretor-geral.

(notícia no site do Diário de Notícias)

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Fico atónito quando o Governo vai além da troika

Fotografia de Nuno Pinto Fernandes

D. Januário Torgal Ferreira revelou ficar "atónito" com as medidas tomadas pelo Governo que vão além do memorando de entendimento assinado com a troika. "As medidas da troika são duras mas não me deixam surpreso, mas depois descubro que os nossos governantes vão além dos sacrifícios impostos pela troika e fico atónito", confessou o bispo.
O bispo das Forças Armadas não poupa críticas ao Governo, referindo que as medidas que têm sido tomadas são como uma manta que, quando se puxa para tapar a cabeça, destapa os pés. "Não acredito que quando começarem a morrer pessoas à fome, quando começar tudo numa barafunda, se continue a achar que vale a pena puxar a manta", considera. (notícia contida no site do Diário de Notícias)

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Linguagem vernacular

"Imbecilmente sublime, disse Marx", de Jorge Fiel:
"Como é hábito na nossa terra, ao mínimo descuido recorro ao calão e tenho especial apreço pelo insulto, uma disciplina elevada à categoria de arte pelo capitão Haddock.
Da fabulosa colecção de insultos do velho marinheiro, destaco aqui alguns avulso, como analfabeto diplomado, astronauta de água doce, apache, cataplasma, flibusteiro, protozoário (acho delicioso insinuar que alguém é um ser unicelular, sem funções diferenciadas) e troglodita - um insulto que o professor Marcelo adora usar.
"Sua badalhoca! Não te lavas por baixo", foi o mais espectacular insulto que ouvi, algures nos anos 80, numa briga entre mulheres na Ribeira.
A arte do insulto não é um exclusivo de personagens de banda desenhada ou mulheres arreliadas. Também é declinada por políticos ilustres.
"Vadio grotesco, desajeitadamente manhoso, velhacamente ingénuo, imbecilmente sublime, superstição premeditada, paródia patética, anacronismo inteligentemente estúpido, palhaçada histórico-mundial, hieróglifo indecifrável" foi o comentário escrito por Karl Marx a propósito da esmagadora vitória de Luís Napoleão nas presidenciais francesas de 1848.
Entre nós, o "vá para a puta que o pariu", cuspido a Francisco Sousa Tavares por Raul Rego, e registado no Diário da Assembleia da República de 19 Março 1980, soa cru e brutal, mas a altercação valeu pela resposta do marido de Sophia: "O senhor é um escarro moral".
Um insulto pode ser voluntário e Scut (ou seja, sem consequências), como foi o caso do cabo da GNR que mandou "prò caralho" o sargento que lhe recusou uma troca de turno e foi absolvido pela Relação de Lisboa, que lhe perdoou a virilidade verbal.
Um insulto pode ser involuntário e portajado (ou seja, ter consequências), como está a ser o caso do presidente da República que faltou ao respeito de 9,9 milhões de portugueses ao queixar-se que os dez mil euros que recebe por mês não lhe vão chegar para as despesas.
Cavaco arrependeu-se e ficou desorientado, como se vê pelo facto de ter tentado emendar a mão através de um circunspecto comunicado à Lusa, em vez dos habituais e modernaços posts no Facebook.
Compreende-se que ele queira controlar os danos e virar as atenções para outro lado. Mas, caramba, ele e a sua rapaziada deviam ter aprendido alguma coisa com aquela barraca das escutas a Belém inventadas no Verão de 2010 em benefício do "Público".
Pior que o insulto involuntário é tentar encobri-lo pondo "fontes da Presidência" a jorrar uma intriga de meia-tigela que no fim-de-semana fez as primeiras páginas do "Expresso" ("Cavaco contra Estado mínimo de Passos Coelho") e do "Público" ("Cavaquistas querem que Vítor Gaspar saia"), baseadas naquilo que Marcelo apelidou, com graça, "cavaquistas anónimos".
A um PR exige-se mais profissionalismo e competência. Em tudo. Até nas manobras de intoxicação e contra-informação."