segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

François Truffaut

Imagem do filme Jules et Jim

François Truffault nasceu há precisamente 80 anos. Em conjunto com Jean-Luc Godard, Alain Resnais, Claude Chabrol, Jacques Rivette e Eric Rohmer, formou o movimento Nouvelle Vague. Críticos de cinema, da revista Cahiers du Cinema, não se limitaram a criticar: mostraram como entendiam que se devia fazer. Revolucionaram a maneira de fazer cinema.
A primeira longa metragem de Truffaut - Os Quatrocentos Golpes - venceu o Prémio da Realização do Festival de Cannes de 1959 - foi o reconhecimento internacional da Nouvelle Vague. O filme passou há poucos meses na RTP2 e é um filme admirável. Como admirável é o filme Jules et Jim, através do qual Truffaut atingiu o cume.
Importante para a compreensão da Nouvelle Vague é a leitura do 1º artigo de Truffaut publicado nos Cahiers du Cinema, em 1954: "Uma certa tendência do cinema francês".

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Pedro Rosa Mendes deixa recado na sua última crónica

Numa crónica emitida esta quarta-feira de manhã, a sua última na Antena 1, o escritor e jornalista Pedro Rosa Mendes não deixou de repudiar o que considera ser "uma sociadade asfixiada por valores do silêncio, da cobardia, do bajulamento".

O espaço de opinião "Este Tempo", na Antena 1, chegou ao fim envolto em polémica. Depois de Pedro Rosa Mendes ter acusado a antena pública de "censura", na sequência do seu afastamento alegadamente na sequência de uma crónica sobre a RTP e Angola, o jornalista encerrou a sua colaboração dedicando a primeira parte da sua crónica, de quase seis minutos, ao livro de memórias do cineasta cambojano Rithy Panh, L'élimination [A eliminação], editado recentemente em França. E na segunda parte traça um paralelo entre o regime dos Kmer Vermelhos e o Portugal de hoje. "Rithy Panh conta-me o Camboja dos anos 1970 e o seu livro reenvia-me, uma e outra página, com uma força que me deixa sem pulso, para o Portugal do presente. Para um país, precisamente, onde quatro décadas de democracia produziram, afinal, uma sociedade asfixiada por valores do silêncio, da cobardia, do bajulamento e dessa gangrena da nossa pátria que é a inveja social", afirmou, para continuar: "Por junto, uma cultura mesquinha que quase sempre não há ninguém que diga aquilo que todos sabem, mas que todos devem calar. Uma terra onde, finalmente, se instalou o medo e uma noção puramente alimentar da dignidade individual. Traduza-se: "está caladinho, para guardares o trabalhinho"."E o jornalista prossegue: "Neste aspecto, em genocídio ou em democracia, os reflexos e os mecanismos são os mesmos. O rapazinho de 13 anos, por exemplo, conta como foi uma vez chamado pela directora das crianças lá no campo [de concentração]: "Camarada, tens de fazer a tua autocrítica. Ontem, contaste que homens chegaram à Lua e fizeste o elogio dos imperialistas americanos. São invenções. Mentiras. O teu comportamento é inaceitável. Traíste os teus camaradas. Estamos a ouvir-te." Retenho também um provérbio kmer, escrito numa frase isolada por Rithy Panh: "A verdade é um veneno"."Para fechar a crónica, Rosa Mendes deixa uma espécie de recado: "Tenho para mim que as escolhas limite se fazem todos os dias, no nosso quotidiano, e duvido muito que quem vive de espinha dobrada em tempo de paz, em tempo feliz como é - já nos esquecemos - o tempo democrático, seja capaz de endireitar a espinha em tempos difíceis". A última crónica de Pedro Rosa Mendes na Antena 1 termina com um lacónico "bom dia e muito boa sorte".

Recorde-se que também a cineasta Raquel Freire se despediu esta semana da rubrica, tendo revelado ao DN: "Há um ano que estou a ser ameaçada pela direção, desde que fiz uma crónica sobre o presidente da República, Cavaco Silva".

Fonte oficial do gabinete do ministro adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, demarca-se de qualquer ligação ao caso: "É uma decisão editorial da RDP", insiste. O PS e o BE já vieram exigir explicações às direções da rádio, que oficialmente ainda não se pronunciaram sobre o assunto. "A decisão de terminar com a série já estava tomada há algum tempo, antes do referido programa [o de Pedro Rosa Mendes] ter sido emitido. Os contratos dos colaboradores terminam a 31 de janeiro", lê-se no comunicado de Luís Marinho, diretor-geral.

(notícia no site do Diário de Notícias)

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Fico atónito quando o Governo vai além da troika

Fotografia de Nuno Pinto Fernandes

D. Januário Torgal Ferreira revelou ficar "atónito" com as medidas tomadas pelo Governo que vão além do memorando de entendimento assinado com a troika. "As medidas da troika são duras mas não me deixam surpreso, mas depois descubro que os nossos governantes vão além dos sacrifícios impostos pela troika e fico atónito", confessou o bispo.
O bispo das Forças Armadas não poupa críticas ao Governo, referindo que as medidas que têm sido tomadas são como uma manta que, quando se puxa para tapar a cabeça, destapa os pés. "Não acredito que quando começarem a morrer pessoas à fome, quando começar tudo numa barafunda, se continue a achar que vale a pena puxar a manta", considera. (notícia contida no site do Diário de Notícias)

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Linguagem vernacular

"Imbecilmente sublime, disse Marx", de Jorge Fiel:
"Como é hábito na nossa terra, ao mínimo descuido recorro ao calão e tenho especial apreço pelo insulto, uma disciplina elevada à categoria de arte pelo capitão Haddock.
Da fabulosa colecção de insultos do velho marinheiro, destaco aqui alguns avulso, como analfabeto diplomado, astronauta de água doce, apache, cataplasma, flibusteiro, protozoário (acho delicioso insinuar que alguém é um ser unicelular, sem funções diferenciadas) e troglodita - um insulto que o professor Marcelo adora usar.
"Sua badalhoca! Não te lavas por baixo", foi o mais espectacular insulto que ouvi, algures nos anos 80, numa briga entre mulheres na Ribeira.
A arte do insulto não é um exclusivo de personagens de banda desenhada ou mulheres arreliadas. Também é declinada por políticos ilustres.
"Vadio grotesco, desajeitadamente manhoso, velhacamente ingénuo, imbecilmente sublime, superstição premeditada, paródia patética, anacronismo inteligentemente estúpido, palhaçada histórico-mundial, hieróglifo indecifrável" foi o comentário escrito por Karl Marx a propósito da esmagadora vitória de Luís Napoleão nas presidenciais francesas de 1848.
Entre nós, o "vá para a puta que o pariu", cuspido a Francisco Sousa Tavares por Raul Rego, e registado no Diário da Assembleia da República de 19 Março 1980, soa cru e brutal, mas a altercação valeu pela resposta do marido de Sophia: "O senhor é um escarro moral".
Um insulto pode ser voluntário e Scut (ou seja, sem consequências), como foi o caso do cabo da GNR que mandou "prò caralho" o sargento que lhe recusou uma troca de turno e foi absolvido pela Relação de Lisboa, que lhe perdoou a virilidade verbal.
Um insulto pode ser involuntário e portajado (ou seja, ter consequências), como está a ser o caso do presidente da República que faltou ao respeito de 9,9 milhões de portugueses ao queixar-se que os dez mil euros que recebe por mês não lhe vão chegar para as despesas.
Cavaco arrependeu-se e ficou desorientado, como se vê pelo facto de ter tentado emendar a mão através de um circunspecto comunicado à Lusa, em vez dos habituais e modernaços posts no Facebook.
Compreende-se que ele queira controlar os danos e virar as atenções para outro lado. Mas, caramba, ele e a sua rapaziada deviam ter aprendido alguma coisa com aquela barraca das escutas a Belém inventadas no Verão de 2010 em benefício do "Público".
Pior que o insulto involuntário é tentar encobri-lo pondo "fontes da Presidência" a jorrar uma intriga de meia-tigela que no fim-de-semana fez as primeiras páginas do "Expresso" ("Cavaco contra Estado mínimo de Passos Coelho") e do "Público" ("Cavaquistas querem que Vítor Gaspar saia"), baseadas naquilo que Marcelo apelidou, com graça, "cavaquistas anónimos".
A um PR exige-se mais profissionalismo e competência. Em tudo. Até nas manobras de intoxicação e contra-informação."

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Festival de Angôuleme

Jean-Claude Denis venceu o Festival de Angôuleme. As suas obras mais importantes são "Quelques mois à l'Amélie" e a série "Luc Leroi". "O seu traço meticuloso e sensível, a sua paleta de cores espectaculares, o seu sentido da narrativa e a sua escrita fazem de Jean-Claude Denis um artista incomparável”, disse à AFP o crítico e editor de BD Dominique Poncet, comentando o grande prémio. “Com o seu desenho luminoso e elegante, como ele próprio aliás, aproxima-se do realismo ‘à la’ Peyo [autor belga criador dos Estrunfes].”

Guy Delisle

No Festival de Angôuleme, o prémio para o melhor álbum foi atribuido a "Crónicas de Jerusalém" da autoria de Guy Delisle.
Blog "Comme ci, comme ça" de Guy Delisle, aqui.
Trailer do documentário "The Guy Delisle Chronicles" realizado por Phillip Rashleigh, aqui.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Mariscal: "Ganhámos com um 600 retocado"

O trailer do filme aqui.
Espreitar os bastidores aqui.
Chico e Rita - Besame Mucho, aqui.
Chico e Rita - Excerto 1, aqui.
Chico e Rita - Excerto 2, aqui.
Chico e Rita - Excerto 3, aqui.
Chico e Rita - Excerto 4, aqui.
Chico e Rita - Excerto 5, aqui.
O filme de animação "Chico e Rita" de Fernando Trueba e de Javier Mariscal acaba de ser nomeado para o óscar de melhor filme de animação.
Estou certo que é melhor do que o "Segredo do Licorne", o que não é difícil, apesar dos, comparativamente, muito escassos recursos utilizados.
Mariscal faz uma comparação eloquente: "Isto não é um Mercedes, é um 600 retocado. Não trabalhámos com software sofisticado mas apenas com o que nós próprios inventámos, fizemos a animação de toda a vida".
Notícia no site do El Pais, aqui.