
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
François Truffaut

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Pedro Rosa Mendes deixa recado na sua última crónica
Numa crónica emitida esta quarta-feira de manhã, a sua última na Antena 1, o escritor e jornalista Pedro Rosa Mendes não deixou de repudiar o que considera ser "uma sociadade asfixiada por valores do silêncio, da cobardia, do bajulamento".
O espaço de opinião "Este Tempo", na Antena 1, chegou ao fim envolto em polémica. Depois de Pedro Rosa Mendes ter acusado a antena pública de "censura", na sequência do seu afastamento alegadamente na sequência de uma crónica sobre a RTP e Angola, o jornalista encerrou a sua colaboração dedicando a primeira parte da sua crónica, de quase seis minutos, ao livro de memórias do cineasta cambojano Rithy Panh, L'élimination [A eliminação], editado recentemente em França. E na segunda parte traça um paralelo entre o regime dos Kmer Vermelhos e o Portugal de hoje. "Rithy Panh conta-me o Camboja dos anos 1970 e o seu livro reenvia-me, uma e outra página, com uma força que me deixa sem pulso, para o Portugal do presente. Para um país, precisamente, onde quatro décadas de democracia produziram, afinal, uma sociedade asfixiada por valores do silêncio, da cobardia, do bajulamento e dessa gangrena da nossa pátria que é a inveja social", afirmou, para continuar: "Por junto, uma cultura mesquinha que quase sempre não há ninguém que diga aquilo que todos sabem, mas que todos devem calar. Uma terra onde, finalmente, se instalou o medo e uma noção puramente alimentar da dignidade individual. Traduza-se: "está caladinho, para guardares o trabalhinho"."E o jornalista prossegue: "Neste aspecto, em genocídio ou em democracia, os reflexos e os mecanismos são os mesmos. O rapazinho de 13 anos, por exemplo, conta como foi uma vez chamado pela directora das crianças lá no campo [de concentração]: "Camarada, tens de fazer a tua autocrítica. Ontem, contaste que homens chegaram à Lua e fizeste o elogio dos imperialistas americanos. São invenções. Mentiras. O teu comportamento é inaceitável. Traíste os teus camaradas. Estamos a ouvir-te." Retenho também um provérbio kmer, escrito numa frase isolada por Rithy Panh: "A verdade é um veneno"."Para fechar a crónica, Rosa Mendes deixa uma espécie de recado: "Tenho para mim que as escolhas limite se fazem todos os dias, no nosso quotidiano, e duvido muito que quem vive de espinha dobrada em tempo de paz, em tempo feliz como é - já nos esquecemos - o tempo democrático, seja capaz de endireitar a espinha em tempos difíceis". A última crónica de Pedro Rosa Mendes na Antena 1 termina com um lacónico "bom dia e muito boa sorte".
Recorde-se que também a cineasta Raquel Freire se despediu esta semana da rubrica, tendo revelado ao DN: "Há um ano que estou a ser ameaçada pela direção, desde que fiz uma crónica sobre o presidente da República, Cavaco Silva".
Fonte oficial do gabinete do ministro adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, demarca-se de qualquer ligação ao caso: "É uma decisão editorial da RDP", insiste. O PS e o BE já vieram exigir explicações às direções da rádio, que oficialmente ainda não se pronunciaram sobre o assunto. "A decisão de terminar com a série já estava tomada há algum tempo, antes do referido programa [o de Pedro Rosa Mendes] ter sido emitido. Os contratos dos colaboradores terminam a 31 de janeiro", lê-se no comunicado de Luís Marinho, diretor-geral.
(notícia no site do Diário de Notícias)
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Fico atónito quando o Governo vai além da troika
Fotografia de Nuno Pinto Fernandes
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
Linguagem vernacular
"Imbecilmente sublime, disse Marx", de Jorge Fiel:
"Como é hábito na nossa terra, ao mínimo descuido recorro ao calão e tenho especial apreço pelo insulto, uma disciplina elevada à categoria de arte pelo capitão Haddock.
Da fabulosa colecção de insultos do velho marinheiro, destaco aqui alguns avulso, como analfabeto diplomado, astronauta de água doce, apache, cataplasma, flibusteiro, protozoário (acho delicioso insinuar que alguém é um ser unicelular, sem funções diferenciadas) e troglodita - um insulto que o professor Marcelo adora usar.
"Sua badalhoca! Não te lavas por baixo", foi o mais espectacular insulto que ouvi, algures nos anos 80, numa briga entre mulheres na Ribeira.
A arte do insulto não é um exclusivo de personagens de banda desenhada ou mulheres arreliadas. Também é declinada por políticos ilustres.
"Vadio grotesco, desajeitadamente manhoso, velhacamente ingénuo, imbecilmente sublime, superstição premeditada, paródia patética, anacronismo inteligentemente estúpido, palhaçada histórico-mundial, hieróglifo indecifrável" foi o comentário escrito por Karl Marx a propósito da esmagadora vitória de Luís Napoleão nas presidenciais francesas de 1848.
Entre nós, o "vá para a puta que o pariu", cuspido a Francisco Sousa Tavares por Raul Rego, e registado no Diário da Assembleia da República de 19 Março 1980, soa cru e brutal, mas a altercação valeu pela resposta do marido de Sophia: "O senhor é um escarro moral".
Um insulto pode ser voluntário e Scut (ou seja, sem consequências), como foi o caso do cabo da GNR que mandou "prò caralho" o sargento que lhe recusou uma troca de turno e foi absolvido pela Relação de Lisboa, que lhe perdoou a virilidade verbal.
Um insulto pode ser involuntário e portajado (ou seja, ter consequências), como está a ser o caso do presidente da República que faltou ao respeito de 9,9 milhões de portugueses ao queixar-se que os dez mil euros que recebe por mês não lhe vão chegar para as despesas.
Cavaco arrependeu-se e ficou desorientado, como se vê pelo facto de ter tentado emendar a mão através de um circunspecto comunicado à Lusa, em vez dos habituais e modernaços posts no Facebook.
Compreende-se que ele queira controlar os danos e virar as atenções para outro lado. Mas, caramba, ele e a sua rapaziada deviam ter aprendido alguma coisa com aquela barraca das escutas a Belém inventadas no Verão de 2010 em benefício do "Público".
Pior que o insulto involuntário é tentar encobri-lo pondo "fontes da Presidência" a jorrar uma intriga de meia-tigela que no fim-de-semana fez as primeiras páginas do "Expresso" ("Cavaco contra Estado mínimo de Passos Coelho") e do "Público" ("Cavaquistas querem que Vítor Gaspar saia"), baseadas naquilo que Marcelo apelidou, com graça, "cavaquistas anónimos".
A um PR exige-se mais profissionalismo e competência. Em tudo. Até nas manobras de intoxicação e contra-informação."
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Festival de Angôuleme

Guy Delisle
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
Mariscal: "Ganhámos com um 600 retocado"


