sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Mario Vargas Llosa diz não ao Cervantes

Mario Vargas Llosa não aceitou o convite para presidir ao Instituto Cervantes, por considerar que o cargo é incompatível com as suas tarefas literárias. O título no site do jornal El País é: "Un Vargas Llosa lleno de proyectos literarios dice 'no' al Cervantes" (notícia aqui).
O escritor recusou a oferta através de carta enviada ao presidente do governo, Mariano Rajoy, manifestando a sua disponibildade para continuar a colaborar com a instituição.
Esta é a segunda vez que o Prémio Nobel recusa a oferta. Em 1996 o então presidente do governo, José María Aznar, tinha-lhe feito uma proposta semelhante.
Obviamente, subiu na minha consideração e, quanto a mim, mostrou vontade de manter a independência e liberdade na sua efectiva intervenção social, recusando tornar-se uma figura decorativa.

A única sabedoria digna desse nome

"Morte de Séneca", de Rubens (Museu do Prado)

Inês Pedrosa no jornal Sol de hoje:

“Na era das redes sociais, a dignidade individual parece mercadoria de saldo.

Olha-se para o outro como para mais uma coisa a usar e descartar, um elemento lúdico ou decorativo, um saco de boxe no qual se descarregam as tensões e frustrações, tornadas endémicas pela aceleração da vida.

Os medos teletransportam-se do mundo real para o virtual, transfiguram-se em mísseis de ataqueou troféus de competição. Ninguém quer, como Séneca recomendava a Lucílio, entregar-se à sua verdade, ao culto demorado dos afectos partilhados e à alegria deste frugal modo de vida que constitui a única sabedoria digna desse nome.”

A propósito, excerto de “Cartas a Lucílio” da autoria de Séneca:

A alegria pode sofrer interrupções no caso de pessoas ainda insuficientemente avançadas, enquanto, no caso do sábio, o bem estar é um tecido contínuo que nenhuma ocorrência, nenhum acidente pode romper; em todo o tempo, em todo o lugar o sábio goza de tranquilidade! Porquê? Porque o sábio não depende de factores externos, não está à espera dos favores da fortuna ou dos outros homens. A sua felicidade está dentro dele; fazê-la vir de fora seria expulsá-la da alma, que é onde, de facto, a felicidade nasce! Pode uma vez por outra surgir qualquer ocorrência que lembre ao sábio a sua condição de mortal, mas ocorrências deste tipo são de somenos importância e não o atingem mais do que à flor da pele. O sábio, insisto, pode ser tocado ao de leve por um ou outro contratempo, mas para ele o sumo bem permanece inalterável. Volto a dizer que lhe podem ocorrer contratempos provindos do exterior, tal como um homem de físico robusto não está livre de um furúnculo ou de uma ferida superficial; em profundidade, porém, não há mal que o atinja.

A diferença existente, insisto ainda outra vez, entre o homem que atingiu a plenitude da sabedoria e aquele que ainda lá não chegou é a mesma que se verifica entre um homem são e um convalescente de doença grave e prolongada. Para este a diminuição da intensidade da doença já quase significa saúde mas, se não se precaver, o mal rapidamente se agrava e volta à primitiva forma; o sábio, em contrapartida, nem pode retroceder, nem sequer avançar mais na via da sapiência. A saúde do corpo está à mercê do tempo e o médico, se a pode restituir, não a pode garantir perpetuamente, e tanto assim é que com frequência o mesmo doente o volta de novo a chamar; a saúde da alma, essa - obtém-se de uma vez por todas - e totalmente! Dir-te-ei agora o que significa uma alma sã: é cada um contentar-se consigo mesmo, ter confiança em si próprio, saber que todos os votos feitos pelos homens, todos os benefícios que trocam entre si não têm a mínima importância para a obtenção da felicidade. Uma coisa passível de acréscimo não é uma coisa perfeita; o homem que quer vir a possuir uma permanente alegria, tem de fruir apenas do que efectivamente lhe pertence. Ora todos os bens a que o comum dos mortais aspira são, de uma forma ou outra, transitórios, pois de coisa alguma a fortuna nos permite a posse para sempre.”

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Edgar Morin

No dia 15 de março de 2011, Edgar Morin esteve no Rio de Janeiro a participar no seminário "Um pensamento do Sul". Muito interessante a sua comunicação que evoca o exemplo da resistência e vitória da democracia ateniense sobre os persas. A comunicação pode ser lida aqui.
A parte final da sua comunicação:

"Quando um sistema não é capaz de tratar seus problemas vitais e fundamentais, ele se desintegra, ou então é capaz de se metamorfosear, ou seja, de engendrar um metassistema mais rico que possa tratar esses problemas. O sistema Terra não consegue hoje tratar seus problemas vitais: o retorno da fome; a morte da humanidade representada pela utilização das armas nucleares; a degradação da natureza; a violência da economia. Nosso sistema encontra-se, portanto, condenado à morte ou à metamorfose. Claro, a metamorfose não se decreta. A metamorfose não se programa. Não se pode, talvez, até mesmo prever a forma que essa nova sociedade assumiria na escala do mundo, algo que certamente não negaria as pátrias, mas criaria uma verdadeira Terra-pátria. Então busquemos, busquemos os caminhos, caminhos improváveis, é verdade, mas possíveis, que permitirão caminhar na direção da metamorfose. Seria essa a missão grandiosa e universal do pensamento do Sul."

Caos em vez de música

Era este o título da notícia do jornal Pravda, referindo-se à música de Shostakovich, mais concretamente à sua ópera Lady Macbeth de Mtsensk.
A notícia pode ser lida aqui.
A música pode ser ouvida aqui. Música violenta que corresponde a imagens violentas.
Talvez a composição mais conhecida de Dimitri Shostakovich: a valsa n.º 2 que, antes de ter integrado a banda sonora de "De olhos bem fechados" foi difundida num anúncio a uma companhia de seguros. Pode ser visto aqui.
Poderosa é, sem dúvida, a música de Shostakovich. Aqui a Cheryomushki, opus 105, parte 1.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Rui Cardoso comenta o Expresso desta semana

Rui Cardoso comenta o Expresso desta semana - vídeo

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

"Eu não quero ser primeiro-ministro para dar empregos ao PSD"

Diário de Notícias de 1 de Junho de 2011 (notícia aqui):
"eu não quero ser primeiro-ministro para dar empregos ao PSD, eu não quero ser primeiro-ministro para proteger aqueles que são mais ricos em Portugal e os que vivem das rendas do Estado", disse Passos Coelho.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Apollonide - Memórias de um Bordel

No site da Visão/JL:
"Não há sombra de erotismo, antes de uma violência consentida e uma esperança enganada, que Bertrand não fecha no seu tempo. Elabora-o antes de forma a transportá-lo implicitamente para a atualidade, dando-lhe um ar de tese inacabada ou mera curiosidade sobre a 'mais velha profissão do mundo'. Ou apenas um fascínio sobre esta personagem sem tempo nem espaço a que se pode chamar: a prostituta."
Ler mais aqui
O trailer do filme aqui (ouve-se Bad Girl de Lee Moses)
Em Portugal, estreia amanhã.