domingo, 13 de novembro de 2011

O dinheiro tornou-se obsoleto?

Excertos do texto de Anselm Jappe, publicado no suplemento Actual, do Expresso de ontem:
A crise confronta-nos com o paradoxo fundador da sociedade capitalista: a produção dos bens e serviços não é para ela um objectivo, mas apenas um meio. O único objectivo é a multiplicação do dinheiro, é investir um euro para conseguir dois. Quando este mecanismo entra em falha, é toda a produção real que sofre e que pode mesmo bloquear completamente. Ficamos então como Tântalo que, pelos crimes que cometeu, foi condenado a uma fome e sede eternas, apesar de ter alimento e bebidas aparentemente à descrição.
Não existe nenhuma crise na produção em si, o que já não funciona é o interface que se coloca entre humanos e o que eles produzem: o dinheiro. Teremos armazéns cheios, mas sem clientes, fábricas em condições de funcionar perfeitamente, mas sem ninguém que nelas trabalhe, escolas onde os professores já não se apresentam, porque ficaram durante meses sem salário.
As misérias do mundo devem-se a uma espécie de feitiço que separa os homens dos seus produtos.
Só nas últimas décadas é que chegámos ao ponto de quase toda a manifestação da vida passar pelo dinheiro e este se te infiltrado até aos recantos ínfimos da existência individual e colectiva. Sem o dinheiro, que faz circular as coisas, somos como um corpo sem sangue.
Assistimos a uma desvalorização do dinheiro enquanto tal, à perda do seu papel, à obsolescência.
A substituição do trabalho vivo – a única fonte do valor que, sob a forma de dinheiro, é a finalidade única da produção capitalista – pelas tecnologias, que não criam valor, quase fez secar a fonte da produção de valor. O capitalismo, ao desenvolver, sob a pressão da concorrência, as tecnologias, serrou, a longo termo, o ramo em que estava sentado. A não rentabilidade do emprego de capital só pode ser mascarada com um recurso cada vez mais maciço ao crédito, que é um consumo antecipado dos ganhos esperados para o futuro.
Ninguém pode dizer honestamente que sabe como organizar a vida de dezenas de milhões de pessoas quando o dinheiro tiver perdido a sua função. Seria bom admitir, pelo menos, o problema. É talvez necessário prepararmo-nos para o pós-dinheiro como para o pós-petróleo.

De mal a pior?

Ou há cura? Com europeus do norte e do sul cada vez mais desgarrados uns dos outros e americanos entalados entre um banana na Casa Branca que não sabe usar os dons que tem e fundamentalistas da fé e do mercado cuja ignorância assusta (nenhum dos candidatos a candidato republicano à presidência em 2012 admite aumentar qualquer imposto e um dos dois à frente nas sondagens não sabia que a China tinha armas nucleares), o mundo não encontra fixe onde cravar o primeiro pilar de uma ponte que levasse a futuro melhor. (...)
Crónica de José Cutileiro publicada no Expresso de ontem.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Muita acção e pouco humor!

Muita acção e pouco humor é, de uma forma muito sintética, o que eu achei do filme “O Segredo do Licorne” de Steven Spielperg. A banda desenhada tem cenas de fino e superior humor que, neste filme, é afogado pelas ondas de acção e violência. O capitão Haddock, os irmãos Dupond e Dupont, Bianca Castafiore, personagens que a banda desenhada tão bem caracterizou, aparecem diluídos na acção. Da mesma forma que prefiro slow food, teria preferido um cinema em que pudéssemos saborear a riqueza das personagens criadas e tão bem definidas por Hergé.

Destas Aventuras de Tintim, não gostei!

domingo, 6 de novembro de 2011

Na Líbia, há mulheres com menos liberdade!

Na Líbia, actualmente, há homens com mais liberdade mas há mulheres com menos liberdade.
No Expresso de ontem, da autoria de José Cutileiro:
"Há dias, o presidente do conselho nacional de transição da República da Líbia, Mustafa Abdel-Jalil, congratulou-se com o sucesso da revolução, exprimiu o desejo de que o país se tornasse mais piedoso, disse que a sharia, a lei islâmica, determinaria a legislação futura e abriu o caminho para a prática mais frequente da poligamia, declarando que o estipulado em lei do tempo de Kadhafi sobre a matéria - se um homem casado quiser casar com mais uma mulher deverá dar razões para isso e obter autorização da primeira mulher - seria modificado. A poligamia tinha praticamente deixado de existir durante os últimos anos do regime de Kadhafi. Jornalistas ocidentais em Tripoli e Bengasi registaram o desagrado vivo de muitas mulheres, sobretudo das mais novas e mais instruídas, mas registaram também contentamento e apelos vibrantes a mais islamismo da parte de muitos homens em todas as regiões da Líbia."

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Construir o Inimigo

Construir o inimigo é o título de um ensaio de Umberto Eco, publicado em livro. Escreve Umberto Eco: “Para manter o povo sob controlo, é necessário inventar constantemente inimigos, e pintá-los de maneira a inspirarem medo e repugnância”.
Foi do que me lembrei, no domingo passado, 30 de Outubro, ao ler o título de 1ª página do jornal Público. Estava escrito: "José Sócrates pede a deputados do PS para chumbarem orçamento".
Para a suposta acção de José Sócrates, o Público utilizou o verbo pedir. Podia utilizar outros verbos, por exemplo: advogar, defender, pressionar. Mas não. O verbo pedir é mais coerente com a visão que o Público tem da acção política. Para o jornal Público, os políticos não agem por convicção mas por interesse. Não defendem as ideias que entendem ser as mais correctas. Pedem favores.
É esta a informação "objectiva" que temos! No mínimo, situacionista!

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Meia-Noite em Paris

Há uns meses li "Paris é uma Festa". Uma visita à Paris dos anos 20. Hemingway, sua mulher Hadley, Scott Fitzgerald, Zelda Fitzgerald, Gertrude Stein, James Joyce, Ezra Pound, Ernest Walsh. Os cafés, os jardins do Luxemburgo, os cais do Sena, a chuva, os estúdios. Escreveu Hemingway: "Paris vale sempre a pena, pois somos sempre compensados de tudo o que lhe tivermos dado."
Agora, ao ver "Meia-Noite em Paris", senti-me a revisitar o livro de Hemingway. O filme é muito mais do que isso. É uma história com outras histórias dentro. É um filme romântico com uma magnífica banda sonora, boa e adequada fotografia, bons personagens, boas interpretações, enfim, bom cinema.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Palestina membro da UNESCO

A Palestina foi hoje admitida como membro de pleno direito da UNESCO. A resolução foi adoptada com 107 votos a favor, 52 abstenções e 14 votos contra.
Alguns países que votaram a favor: França, Espanha, Áustria, Luxemburgo, Finlândia, Índia, China e quase todos os países árabes, africanos e latino-americanos.
Alguns países que se abstiveram: Reino Unido, Itália e Portugal.
Alguns países que votaram contra: Estados Unidos, Canadá, Alemanha e Israel.