sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Ibn Abdun

BEM CEDO o destino nos fustiga...
E para trás rastos vão ficando.
Esconjuro-te! Deixa que te diga:
Não chores por sombras, tudo é ilusão.
Ai de quem com quimeras vai sonhando
Entre as garras e os dentes do leão!
Que a vida não te iluda e entorpeça já.
Para a vigília são teus olhos feitos.
Ó noite, que do teu ócio nos afaste Alá.
E dos que ao teu feitiço estão sujeitos!
Teu prazer engana, víbora escondida
Detrás da flor: morde quem a quer colher.
Quanta geração foi de Alá querida!
O que ficou? - Poderá a memória responder?
Quem pode a menor coisa pretender.
E talentoso ou bom, deveras, ser?
Quem pode dar recompensa ou castigar?
Quem põe fim ao sopro da desgraça?
Quem é que a Danação pode afastar
Ou a tragédia que o Destino traça?
Ó vã generosidade, ó vão valor!
Quem me defenderá do opressor
- Calamidade em noite sem aurora -
Quem? Se já não há regra a respeitar
E o que resta é um silêncio imposto?
Quem é que apagará o amargo gosto
Que nunca ninguém pode apagar?

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Um passo para a paz

Israel e o Hamas estabeleceram um acordo para a libertação de prisioneiros. Serão libertados Gilad Shalit (soldado israelita) e 1027 palestinianos. Marwan Barghouti (com potencialidades para vir a ser o futuro líder dos palestinianos) não será libertado.

sábado, 8 de outubro de 2011

Prémio Nobel da Paz 2011

O Prémio Nobel da Paz 2011 foi atribuído a três mulheres: a presidente da Libéria Ellen Johnson Sirleaf, a activista também liberiana Leymah Gbowee e a iemenita Tawakul Karman.

 O Comité Nobel Norueguês distinguiu as três mulheres "pela luta pacífica em defesa da segurança das mulheres e dos direitos das mulheres na participação total no trabalho de construção da paz". Segundo o Comité Nobel Norueguês: "Não podemos alcançar a democracia e paz duradoura no mundo sem que as mulheres consigam as mesmas oportunidades que os homens para influenciar os acontecimentos em todos os níveis da sociedade".

Ellen Johnson Sirleaf, de 72 anos, economista formada em Harvard, foi a primeira mulher presidente de África eleita democraticamente em 2005. 

A sua luta pela paz, num país que até 2003 se encontrava em guerra civil, foi agora reconhecida. No centro da sua política tem também estado a luta contra a corrupção e a busca de profundas reformas institucionais.



A activista liberiana Leymah Gbowee organizou um grupo de mulheres cristãs e muçulmanas para desafiar os senhores da guerra na Libéria e foi a protagonista de uma greve de sexo que contribuiu para acabar com a guerra civil de 13 anos no país.



Tawakul Karman, de 32 anos liderou a organização Mulheres Jornalistas sem Correntes, um grupo de defesa dos direitos humanos. Tem desempenhado um papel fundamental na organização dos protestos no Iémen contra o governo do Presidente Ali Abdullah Saleh, que se iniciaram no final de Janeiro.

 Tawaku Karman é jornalista e membro do partido islâmico Islah.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Marie Sklodowska Curie

Comemoram-se em 2011 os cem anos da atribuição do Prémio Nobel da Química a Marie Sklodowska Curie pela descoberta dos elementos rádio e polónio e pelo estudo dos seus compostos. Este facto serviu de motivação a que se tenha declarado 2011 como o Ano Internacional da Química. Mas este ano celebra-se igualmente um século sobre a descoberta do núcleo atómico por Ernest Rutherford. Este notável acontecimento leva-nos a recordar que ainda não foi esclarecida uma das interrogações mais fundamentais de todos os tempos, uma questão central para a compreensão do universo: «de que são feitas as coisas?», ou seja, «o que é a matéria?». Os antigos gregos já tinham formulado duas respostas distintas: a de Empédocles de Agrigento, de natureza “química”, na qual se definiam quatro elementos – o ar, a água, a terra e o fogo – que juntamente com dois princípios – o amor e o ódio – explicavam a diversidade das substâncias existentes; e a de Demócrito de Abdera, de natureza “física”, que baseava toda a riqueza do real na existência de átomos que se moviam no vazio bem como nas suas interacções.

A ciência moderna corresponde a uma maneira própria e muito eficaz de observar, descrever e transformar a realidade. É hoje um vastíssimo corpo de conhecimentos organizado em disciplinas, subdisciplinas e especialidades, mas dividido tradicionalmente em grandes domínios, entre os quais sobressaem a química – a ciência das substâncias e das suas combinações e a física – a ciência da massa e da energia.

(...) As reflexões, bem como os debates com o público, vão servir certamente para solidificar e perfumar os caminhos que teremos de percorrer neste século à procura de um mundo melhor.

João Caraça
Director do Serviço de Ciência da Fundação Calouste Gulbenkian

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Electra

Orestes e Electra - escultura encontrada no Templo de Serápis, em Pozzuoli (Itália). Encontra-se no Museu Arqueológico de Nápoles

Electra, de Sophia de Mello Breyner Andresen

O rumor do estio atormenta a solidão de Electra
O sol espetou a sua lança nas planícies sem água
Ela solta os seus cabelos como um pranto
E o seu grito ecoa nos pátios sucessivos
Onde em colunas verticais o calor treme
O seu grito atravessa o canto das cigarras
E perturba no céu o silêncio de bronze
Das águias que devagar cruzam seu voo
O seu grito persegue a matilha das fúrias
Que em vão tentam adormecer no fundo dos sepulcros
Ou nos cantos esquecidos do palácio

Porque o grito de Electra é a insónia das coisas
A lamentação arrancada ao interior dos sonhos dos remorsos e dos crimes

E a invocação exposta
Na claridade frontal do exterior
No duro sol dos pátios

Para que a justiça dos deuses seja convocada

No seu poema, Sophia refere-se ao grito de Electra quando julgava que o seu irmão Orestes estava morto. Segundo Hélia Correia, Sophia assistiu à representação, em Lisboa, de Electra, com uma arrepiante interpretação de Aspassia Papathanassiou, a maior atriz grega de que há memória. Aquela representação de Electra inspirou o poema de Sophia.

Segundo a mitologia grega, Agamémnon, rei de Micenas, tinha sido assassinado por Egisto com a cumplicidade da amante, Clitemnestra, mulher de Agamémnon. Electra, filha de Agamémnon e de Clitemnestra, deseja ardentemente vingar o assassinato de seu pai.

A tragédia grega, de Sófocles, Electra passa-se quando Egisto já se tinha tornado rei de Micenas e vivia com Climnestra (mãe de Electra). Orestes, irmão de Electra, que se encontrava ausente desde o assassinato de seu pai, regressa, disfarçado, para vingar a morte do pai. Orestes pôs a correr a notícia da sua morte, o que alegrou a mãe e entristeceu a irmã. Orestes dá-se a conhecer a Electra o que provoca nela uma explosão de alegria. Instigado pela irmã, Electra, Orestes mata a sua mãe e, mais tarde, mata Egisto. Pode considerar-se Electra a autora moral da vingança.

Jung utilizou a expressão "complexo de Electra" para designar o "complexo de Édipo" no feminino, apesar de que não há um paralelismo exacto entre as atitudes de Electra e de Édipo: Electra não casa com o pai e não é ela própria a matar a mãe.

domingo, 2 de outubro de 2011

Em Bruxelas, a banda desenhada ao ar livre

Caroline Baldwin, série de banda desenhada da autoria de André Taymans

Este mural é da autoria de Bruno Wesel. Encontra-se na Place de Nivone, 10. Podem encontrar-se mais murais aqui e aqui.

A 9ª arte em fachadas de Bruxelas

Pintura mural de Ric Hochet, criado por Tibet, na Rue de Bon Secours, 9

44 murais dispersos pela cidade convertem-na num museu ao ar livre da banda desenhada. (notícia publicada no site do jornal El País)