
sábado, 30 de julho de 2011
"Lavagante" de José Cardoso Pires

sexta-feira, 29 de julho de 2011
Ollanta Humala tomou posse como Presidente do Peru

"Juro pela pátria que exercerei fielmente o cargo de Presidente da República, que a nação me confiou pelo período presidencial 2011-2016.", afirmou ante o Presidente do Congresso, Daniel Abugattás, de vários chefes de Estado e delegações de mais de uma centena de países.
"Necessitamos de mais Estado, mais pátria e que a corrupção seja sancionada", continuou Humala em seu discurso.
Ele ainda afirmou que vai cumprir com sua promessa "de fazer deste país, do meu Peru, um lugar onde todos desfrutem do mesmo direito à plenitude e à dignidade, a uma vida digna e a uma velhice protegida".
Mais cedo, o ex-presidente do Peru Alan García (2005-2011) entregou a faixa presidencial a um alto funcionário militar ao deixar definitivamente o palácio de governo sem assistir à cerimônia de posse de Humala no Congresso. O gesto, sem precedentes na história peruana, oficializou sua saída da Presidência do Peru.
(extractos da notícia do Jornal Floripa)
O discurso completo de tomada de posse está aqui.
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Ecos dos atentados na Noruega
segunda-feira, 25 de julho de 2011
Atentados na Noruega

Não, desta vez não foram os suspeitos do costume. O autor do massacre de Oslo não era negro, nem cigano, nem judeu, nem sequer árabe. Foi um branco, louro, cristão e ultra-direitista. Afinal, nem depois de Bin Laden ter sido morto, o ocidente se pode considerar em segurança. É muito mais inquietante o facto de o autor do massacre ter sido alguém nascido e criado no ocidente. Temos de nos questionar: porque terá a nossa sociedade gerado um ser capaz deste crime hediondo?
Sabemos que o autor do massacre era amante dos videojogos e da caça. Já não é a primeira vez que se admite a relação entre os videojogos e actos de extrema violência. Mas não é só através dos videojogos que a violência é servida às crianças. Há dias, fui ver o filme “Carros 2”. Com a classificação de filme para maiores de 6 anos, o filme, a propósito, ou melhor, a despropósito de corridas de carros, exibe imagens de grande violência: tiroteios, enormes explosões e mortes. A mim, não me parecem imagens adequadas a crianças com 6 anos. A classificação etária dos espectáculos deve ser mais cuidadosa!

Como há dias escreveu Inês Pedrosa: “cada um de nós tem a possibilidade de escolher entre o amor que acende o mundo e o ódio que o apaga”.
Acredito que o caminho certo é o da tolerância e da não violência.
Claro que a questão tem de ser aprofundada. Felizmente, o assassino foi apanhado com vida e poderá fornecer mais elementos. Seguramente, na campa de Anders Breivik (assim se chama o fulano) não será colocada a inscrição, habitual na Noruega: takk for alt (obrigado por tudo).
domingo, 24 de julho de 2011
O amor é meu pastor, nada me faltará
“... O dom da fé não nos é dado a todos do mesmo modo nem se esgota no formato de um Deus mais ou menos escanhoado; cada um de nós tem a possibilidade de escolher entre o amor que acende o mundo e o ódio que o apaga.
Dir-me-ão que nada é tão simples – e não é, de facto, porque escolher o amor significa perder o direito ao conforto da cobardia, prescindir da segurança dos caminhos previamente traçados, estar disponível para merecer a felicidade, isto é, enfrentar de olhos abertos os obstáculos, a dor, a mudança. (...)
Num mundo que celebra e louva a desatenção, a corrida bárbara para lugar nenhum, ...
‘Aceitação’ é outra palavra caída em desuso porque, na voragem em que escolhemos des-existir, a confundimos com resignação ou desistência – e é rigorosamente o seu contrario: só pode aceitar o que a vida lhe apresenta quem sabe quem é e o que quer.
...acordarei feliz nas mais árduas manhãs, dizendo: o amor é meu pastor, nada me faltará”
Estes são excertos da crónica de Inês Pedrosa publicada no jornal Sol de 22 de Julho. O texto foi escrito a propósito da morte de Maria José Nogueira Pinto e das últimas palavras da sua crónica de despedida: "O Senhor é meu pastor, nada me faltará".
Où est passé l'avenir?
Pergunta: Retomando uma questão que serviu de título a um dos seus livros: “Où est passé l’avenir?”
Resposta: No pequeno livro a que se refere, esse título remetia para o facto de já não ousarmos falar do futuro. Depois das grandes utopias do século XIX, não nos atrevemos a fazer esse tipo de projeções. Talvez a última grande narrativa seja a narrativa liberal, de Fukuyama, essa ideia de que a combinação do mercado liberal com a democracia representativa é uma fórmula que triunfou por todo o lado e se tornou indiscutível. Mas não é verdade, há países que pertencem a este mercado mas não democráticos. E, alem disso, a perspetiva que temos hoje permite-nos perceber que as coisas não vão necessariamente no sentido de uma democracia generalizada, mas no sentido de uma oligarquia planetária. É talvez por isso que perdemos a possibilidade de falar do futuro. E a nossa consciência atual de que o planeta é uma pequeníssima coisa num universo de uma grandeza que nem sequer conseguimos conceber provoca-nos muito mais a angústia pascalina dos espaços infinitos do que a vontade de imaginar o futuro.
(extracto da entrevista a Marc Augé publicada no suplemento Atual do Expresso de 23 de Julho)
sábado, 23 de julho de 2011
Maria João Pires
Hoje, é o dia do aniversário de Maria João Pires. Muitos parabéns! Tenho por ela uma grande admiração. Só a sua grande sensibilidade e uma total entrega interpretativa permitem as suas admiráveis interpretações. Há dias, Maria João Pires deu uma entrevista ao jornal El País e disse que tenciona retirar-se dos palcos em 2014, quando completar 70 anos. Confessou que o realizador que prefere é Akira Kurosawa e, às vezes, também gosta de Woody Allen. Conta ainda Inés Vila, que assina o artigo, que: “Maria João Pires começou a tocar piano de ouvido. Um professor ia a sua casa dar aulas à sua irmã e quando se ia embora, Maria João Pires dirigia-se ao piano e reproduzia as partituras de memória. Tinha três anos.” Segundo o El País, Maria João Pires é considerada por muitos como a melhor pianista do mundo.
É incrível a energia que existe dentro daquele corpo frágil com um metro e meio de altura e de uma extrema magreza. Segundo Maria João Pires: “A chave de uma interpretação está em combinar leveza com temperamento".
Há talvez sete anos passei um fim de semana em Belgais. Fiquei numa suite magnífica com a lareira acesa, mesmo aos pés da cama, com piano de cauda – absolutamente inútil para mim – uma estante cheia de livros – ainda tive oportunidade de folhear alguns. O quarto tinha uns tecidos indianos estendidos, o que ajudava a obter um ambiente quente e acolhedor. À noite, foi servido um chá, biscoitos e fruta no quarto. Na manhã seguinte, tomámos o pequeno almoço na sala de jantar, numa mesa única, em conjunto com as outras pessoas que estavam alojadas em Belgais, também com Maria João Pires que foi uma anfitriã exemplar. Fez com que nos sentíssemos em família.
