quarta-feira, 6 de julho de 2011

Fundação Nadir Afonso

Hoje, em Chaves, é lançada a primeira pedra da sede da Fundação Nadir Afonso. Mestre Nadir Afonso, com 90 anos, estará presente bem como o autor do projecto do edifício, o arquitecto Álvaro Siza Vieira. No site da Fundação Nadir Afonso pode ler-se: “O edifício acolherá o espólio do artista e contribuirá para dinamizar a vida cultural da cidade transmontana apostando na captação de franjas distintas de públicos, organizando exposições temporárias e permanentes, atribuindo o prémio Nadir Afonso para trabalhos de investigação e de bolsas na área da produção artística e científica. A fundação vai também organizar ciclos de cinema documental, workshops infanto-juvenis e cursos de Verão. Entre os espaços que compõem o edifício da fundação destacam-se um auditório com capacidade para 100 pessoas, salas de exposições temporárias e permanentes, arquivo, biblioteca, cafetaria, atelier do Mestre Nadir Afonso, um outro de artes plásticas e loja."

terça-feira, 5 de julho de 2011

Isabel da Nóbrega

Admiro José Saramago. É uma das minhas referências. José Saramago casou duas vezes: com Ilda Reis, de quem teve uma filha, Violante, e com Pilar del Rio. Mas entre essas duas relações teve uma outra: viveu com Isabel da Nóbrega entre 1970 e 1986. Durante este período foram publicados, entre outros, os seguintes livros: “Manual de Pintura e Caligrafia” (1977), “Levantado do Chão” (1980), “Memorial do Convento” (1982), “O Ano da Morte de Ricardo Reis” (1986) e “A Jangada de Pedra” (1986).

Isabel da Nóbrega, escritora e companheira de João Gaspar Simões entre 1954 e 1968, deu um forte contributo para que Saramago tivesse sido o escritor que foi. No entanto, é ignorada por muitas pessoas. A 1ª edição do livro “Memorial do Convento” tinha a dedicatória: “À Isabel, porque nada perde ou repete, porque tudo cria e renova”. Também as dedicatórias dos livros “Levantados do Chão” e “O Ano da Morte de Ricardo Reis” continham referências a Isabel da Nóbrega. As dedicatórias a Isabel da Nóbrega desaparecem nas reedições posteriores ao termo da sua relação. Não faço juízos de valor dessa atitude. No entanto, reconheço o valor de Isabel da Nóbrega que escreveu, pelo menos, um livro notável: “Viver com os Outros”.

De segunda a sexta, podemos ouvir Isabel da Nóbrega na Antena 1, pelas 15h20m, no programa “O Prazer de Ler”.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Pavilhão de Verão da Serpentine Gallery

Foto de John Offenbach

Foi hoje inaugurado o pavilhão de 2011 da Serpentine Gallery, projetado por Peter Zumthor. O pavilhão foi construído com uma estrutura leve de madeira envolvida por uma tela e revestida com uma mistura preta de cola e areia. Segundo The Architects' Journal, Zumthor disse: "The concept for this year’s Pavilion is the hortus conclusus, a contemplative room, a garden within a garden. The building acts as a stage, a backdrop for the interior garden of flowers and light. Through blackness and shadow one enters the building from the lawn and begins the transition into the central garden, a place abstracted from the world of noise and traffic and the smells of London – an interior space within which to sit, to walk, to observe the flowers. This experience will be intense and memorable, as will the materials themselves – full of memory and time."
Podemos ver o pavilhão e ouvir Zumthor neste pequeno filme.

Álvaro Siza, Comendador das Artes e das Letras Francesas

Foto retirada daqui

Álvaro Siza Vieira recebeu ontem a distinção de Comendador das Artes e das Letras Francesas, a mais alta condecoração atribuída pelo Governo francês aos que se diferenciam pelas criações artísticas e literárias. Igual distinção já tinha sido atribuída a oito portugueses: Amália Rodrigues, António Lobo Antunes, Agustina Bessa-Luís, António Coimbra Martins, Júlio Pomar, Manoel de Oliveira, João Bérnard da Costa e Miguel Torga. (notícia retirada do site do jornal Público)
Será que Évora se orgulha por possuir o Bairro da Malagueira?
Quem tem contribuído para este (des)amor?
Valia a pena analisar-se o que se passou com o Bairro da Bouça, no Porto. De bairro precocemente degradado passou a bairro impecável, graças à acção de Nuno Cardoso, enquanto Presidente da Câmara do Porto.

domingo, 26 de junho de 2011

A valorização artística de Évora

Hoje, na rotunda junto à Escola EBI/JI da Malagueira, foi inaugurado um elemento escultórico de homenagem ao “Rotary International”.

O seu figurativismo não deixa margem a subjectividades de interpretação. São representados dois homens, em tronco nu, segurando o emblema daquela associação e uma mulher que, por trás, empurra o referido emblema. Devemo-nos congratular por ainda haver, em 2011, quem destaque o papel determinante dos elementos do sexo masculino, sem deixar de reconhecer o papel da mulher como elemento de apoio à acção do homem. O seu estilo artístico, muito próximo daquele a que se dá o nome de “realismo socialista”, tem um carácter retro, que acompanha algumas tendências da moda actual. A referida rotunda ficou muito embelezada e alguns valores - de que tão carecida está a nossa sociedade - são evocados e enaltecidos. Ditosa cidade que tais rotundas possui.

Sinceramente, acho abominável!

quinta-feira, 23 de junho de 2011

O Santos venceu!

O Santos conquistou a Taça dos Libertadores da América ao vencer na final o Peñarol (Uruguai) por 2-1. Podemos ver aqui os golos da final.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Giordano Bruno

Foto de Jaime Silva encontrada aqui

Desde 2008, existe na Potsdamer Platz, em Berlim, esta escultura da autoria de Alexander Polzin em homenagem a Giordano Bruno. Num post de Carlos Fiolhais, no blog De Rerum Natura, pode ler-se: "A estátua mostra Bruno de pernas para o ar, sugerindo que há maneiras diferentes de ver o mundo"..."De Giordano Bruno existiam publicadas em Portugal, tanto quanto sei, duas obras: “Acerca do Infinito, do Universo e dos Mundos” (Fundação Gulbenkian, 1998, tradução e notas de Aura Montenegro) e “Tratado da Magia” (Tinta da China, 2007, com tradução e um interessante prefácio de Rui Tavares). Acaba de sair na editora Planeta uma biografia popular do sábio nolano (nasceu em Nola, perto de Nápoles): “Giordano Bruno. O Filósofo Maldito”."..."o cardeal italiano Roberto Bellarmino, que esteve nos processos de Bruno e de Galileu e que foi canonizado pelo Papa Pio XI em 1930 e, a seguir, declarado “Doutor da Igreja”. Outro cardeal do Vaticano, Angelo Mercati, reuniu e publicou em 1940 algumas peças do processo de Bruno, como que justificando a condenação. A Igreja já reviu o processo de Galileu, mas não fez o mesmo para o processo de Bruno. Talvez um dia o reveja, porque o Universo parece ser infinito e provavelmente há mais mundos..."
Num outro post de Carlos Fiolhais pode ler-se:
"Transcrevo algumas citações de Giordano Bruno, escolhidas por Michael White para a entrada ou final de capítulos do seu livro “Giordano Bruno: O Filósofo Maldito” (Planeta, 2008):
“Aquele que deseje filosofar deve antes de mais duvidar de todas as coisas. Não pode tomar parte num debate antes de ter escutado as diversas opiniões, nem antes de avaliar e comparar as diversas opiniões, nem antes de avaliar e comparar as razões contrárias e a favor. Jamais deve julgar ou censurar um enunciado apenas pelo que ouviu, pela opinião da maioria, pela idade, pelo mérito ou pelo prestígio do orador, devendo por consequência agir de acordo com uma doutrina orgânica que se mantém fiel ao real e uma verdade que pode ser entendida à luz da razão.”
“Desejo que o mundo usufrua dos gloriosos frutos do meu trabalho, desejo despertar a alma e abrir o espírito dos que vivem privados dessa luz que, seguramente, não é invenção minha. Se estiver errado, não creio que o faça deliberadamente. E, ao falar e escrever deste modo, não sou impelido pelo desejo de sair vitorioso, pois que reconheço qualquer tipo de fama e conquista como inimigos de Deus, vãs e sem qualquer honra, se não forem verdadeiras; mas, por amor à sabedoria autêntica e num esforço para reflectir com justeza, fatigo-me, sofro, atormento-me”.
“Muito me debati. Julguei poder ganhar... Mas o destino e a natureza reprimiram os meus estudos e o meu vigor. Mas já é alguma coisa ter estado no campo de batalha, pois vejo que conseguir ganhar depende muito da sorte. Porém, fiz tudo o que podia e não creio que nenhuma geração vindoura o possa negar. Não tive medo da morte, jamais cedi perante os meus iguais, com firmeza de carácter, escolhi uma morte corajosa a uma vida de cobardia sem combate”."
Regressando a Berlim. Não podemos dizer "já conheço Berlim". Há sempre alguma coisa que ainda falta ver.