sexta-feira, 15 de abril de 2011

Dois pontos de vista

No mesmo dia – 15 de Abril de 2011 – dois pontos de vista:

- Título de capa do Jornal de Notícias:

“Saldo de 432 milhões nas contas do Estado – Despesa está a cair 3,7%, enquanto a s receitas fiscais estão a subir 15%”

- Título de capa do Público”

“Falta de dinheiro leva Governo a lançar nova emissãode dívida na próxima semana”

Haverá portugueses a querer empurrar Portugal para baixo?

Portugueses esgotam destinos de férias

Capelinhos, ilha do Faial - foto de Tomás Melo

Título de capa do Diário Económico de hoje:

"Portugueses esgotam destinos de férias na Páscoa em tempo de crise"

Entretanto, ontem tinha recebido por email esta história:

"Numa cidade, os habitantes, endividados, estão vivendo às custas de crédito.

Por sorte chega um gringo e entra no único hotel.

O gringo saca uma nota de 100,00 €, põe no balcão e pede para ver um quarto..

Enquanto o gringo vê o quarto, o gerente do hotel sai correndo com a nota de 100,00 € e vai até o talho pagar suas dívidas com o talhante.

Este pega a nota e vai até a um criador de suínos a quem deve e paga tudo.

O criador, por sua vez, pega também a nota e corre ao veterinário para liquidar sua dívida.

O veterinário, com a nota de 100,00 € em mãos, vai até à zona pagar o que devia a uma prostituta (em tempos de crise também trabalha a crédito).

A prostituta sai com o dinheiro em direção ao hotel, lugar onde levava seus clientes; e como ultimamente não havia pago pelas acomodações, paga a conta de 100,00 €.

Nesse momento, o gringo chega novamente ao balcão, pede sua nota de 100,00 € de volta, agradece e diz não ser o que esperava e sai do hotel e da cidade.

Ninguém ganhou um vintém, porém agora todos saldaram suas dívidas e começam a ver o futuro com confiança!"

Quantos portugueses já foram à Tailândia e ainda nunca foram aos Açores?

Em tempos de crise, sugiro que, de alguma forma, se fomentem as férias em Portugal. E há tanto para conhecer!

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Prémio Mies van der Rohe

O prémio de arquitectura Mies van der Rohe 2011 foi atribuído à reabilitação do Neues Museum de Berlim, projecto da autoria de David Chipperfield.
Os seis finalistas foram, além do vencedor, o Teatro Bronks, na Bélgica (MDMA), de Martine de Maeseneer; o Museu Nacional de Arte do século XXI (MAXXI), em Roma, de Zaha Hadid; o Concert House Danish Radio Copenhagen, Dinamarca, de Jean Nouvel; o Museu da Acrópole, em Atenas, de Bernard Tschumi e o Centro de Reabilitação Groot Klimmendaal, em Arnhem (Holanda), do ateliê Architectenbureau Koen van Velsen.
O prémio é atribuído de dois em dois anos. Em 2009 o edifício vencedor foi a Ópera de Oslo do ateliê norueguês Snohetta; em 2007 o Museu de Arte Contemporânea de Castela e Leão (Musac), da autoria de Mansilla e Tuñón; em 2005 a embaixada da Holanda em Berlim, projecto de Rem Koolhaas. Zaha Hadid foi a vencedora em 2003. Entre os vencedores de edições anteriores destacam-se também Rafael Moneo, Peter Zumthor, Norman Foster, e, na primeira edição, em 1988, Álvaro Siza, com o projecto do Banco Borges e Irmão, em Vila do Conde.
A menção especial Arquitecto Emergente foi atribuída aos arquitectos Ramón Bosch e Bet Capdeferro pela Casa Collage, em Girona (Espanha).

segunda-feira, 11 de abril de 2011

A Pérola

A Pérola de John Steinbeck. Frases com grande musicalidade. Palavras fortes. Prosa poética. A forma eloquente como retrata as grandezas e as misérias humanas. Uma pérola!

domingo, 10 de abril de 2011

Nicolau de Chanterene

"A Virgem com o Menino", Nicolau de Chanterene, Museu de Évora

Na passada quinta-feira, 7 de Abril, o Doutor António Camões Gouveia (Director do Museu) realizou uma visita guiada às esculturas e peças arquitectónicas da Sala do Renascimento do Museu de Évora.

Deu destaque ao pequeno retábulo em mármore, de cerca de 1540, da autoria de Nicolau de Chanterene. O retábulo é proveniente da capela circular (antigas termas romanas) do antigo Palácio dos Silveiras, Condes de Sortelha (hoje, Edifício da Câmara Municipal de Évora). Na altura da criação da escultura, reinava D. João III. As especiarias que chegavam da Índia conferiam grande desafogo financeiro ao rei. D. João III protegeu as letras e as artes, fundou o Colégio das Artes em Coimbra, contratou eminentes humanistas, como André de Gouveia. O reinado de D. João III viria a ser manchado com a instauração no Reino, em 1536, da Santa Inquisição, responsável pela condenação de alguns desses humanistas.

Nicolau de Chanterene trabalhou em Portugal de 1517 (reinava D. Manuel I) a 1551 (data provável da sua morte). Introduziu no nosso país o Renascimento de influência italiana e, duas décadas depois, o classicismo. Trabalhou no Mosterio dos Jerónimos, na Igreja de Santa Cruz (Coimbra), no Mosteiro de São Marcos (Tentúgal), em Sintra (retábulo que está no Palácio da Pena). Em 1533 partiu para Évora, onde tem das suas mais notáveis obras, tais como o túmulo de D. Francisco de Melo, no Convento dos Lóios, e as tribunas da Igreja de S. Francisco.

Em relação a este pequeno retábulo é de notar a representação em perspectiva e a abóbada em forma de concha (remetendo para o Nascimento de Vénus).

De realçar que a figura que representa a Virgem poderia representar uma dama da corte. Esta forma de representação traduz o antropocentrismo e o racionalismo assumidos pelo Renascimento, aspectos que evidenciam a íntima ligação entre Renascimento e Humanismo.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Ângelo de Sousa III

Discurso directo:
"Viver é uma profissão. Tem de se fazer 24 horas por dia."
Concordo plenamente. Viver, dá muito trabalho! E é coisa séria! Dizia Vinicius de Moraes:
"A vida não é de brincadeira amigo."
Por falar em 24 horas por dia, lembrei-me de um poema de José Gomes Ferreira: "Viver sempre também cansa!":
"[...]
Pois não era mais humano
morrer por um bocadinho,
de vez em quando,
e recomeçar depois, achando tudo mais novo?
Ah! se eu pudesse suicidar-me por seis meses,
morrer em cima dum divã
com a cabeça sobre uma almofada,
confiante e sereno por saber
que tu velavas, meu amor do Norte
[...]"

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Ângelo de Sousa II

POST-SCRIPTUM SOBRE A ALEGRIA
Parecerá heresia, mas é a propósito desta pintura tão esplendidamente enraizada no coração do dia, onde ser e conhecer são apenas dois tempos de um só respirar, que me ocorrem palavras de uma liturgia a que é tão alheia: «No teu esplendor e beleza, vem triunfa e reina». Ali onde se diz beleza, eu direi alegria, e deixarei o esplendor não só triunfar e reinar, mas inundar terras e céus.
Por este seu lado solar, Ângelo, pois é dele que estamos falando, encontra Bonnard e Matisse no seu caminho, mas entre nós não sei de mais nenhum pintor que saiba falar da alegria de uma maneira tão imediata e limpa, tão segura e discreta, e ao mesmo tempo tão serena. É uma alegria tecida de luz, ou melhor, é como se luz e alegria fossem dois nomes do mesmo único amor.
Louvemos pois a alegria em tempos de tristeza. Ela, com o seu coração ardente de melancolia, é um dos caminhos para o solitário encontro do homem com o seu rosto. Amén.
Eugénio de Andrade, in catálogo da exposição "Os Quatro Vintes – 15 Anos Depois”, Árvore, 1985. (texto publicado no Jornal de Letras de hoje).