segunda-feira, 11 de abril de 2011

A Pérola

A Pérola de John Steinbeck. Frases com grande musicalidade. Palavras fortes. Prosa poética. A forma eloquente como retrata as grandezas e as misérias humanas. Uma pérola!

domingo, 10 de abril de 2011

Nicolau de Chanterene

"A Virgem com o Menino", Nicolau de Chanterene, Museu de Évora

Na passada quinta-feira, 7 de Abril, o Doutor António Camões Gouveia (Director do Museu) realizou uma visita guiada às esculturas e peças arquitectónicas da Sala do Renascimento do Museu de Évora.

Deu destaque ao pequeno retábulo em mármore, de cerca de 1540, da autoria de Nicolau de Chanterene. O retábulo é proveniente da capela circular (antigas termas romanas) do antigo Palácio dos Silveiras, Condes de Sortelha (hoje, Edifício da Câmara Municipal de Évora). Na altura da criação da escultura, reinava D. João III. As especiarias que chegavam da Índia conferiam grande desafogo financeiro ao rei. D. João III protegeu as letras e as artes, fundou o Colégio das Artes em Coimbra, contratou eminentes humanistas, como André de Gouveia. O reinado de D. João III viria a ser manchado com a instauração no Reino, em 1536, da Santa Inquisição, responsável pela condenação de alguns desses humanistas.

Nicolau de Chanterene trabalhou em Portugal de 1517 (reinava D. Manuel I) a 1551 (data provável da sua morte). Introduziu no nosso país o Renascimento de influência italiana e, duas décadas depois, o classicismo. Trabalhou no Mosterio dos Jerónimos, na Igreja de Santa Cruz (Coimbra), no Mosteiro de São Marcos (Tentúgal), em Sintra (retábulo que está no Palácio da Pena). Em 1533 partiu para Évora, onde tem das suas mais notáveis obras, tais como o túmulo de D. Francisco de Melo, no Convento dos Lóios, e as tribunas da Igreja de S. Francisco.

Em relação a este pequeno retábulo é de notar a representação em perspectiva e a abóbada em forma de concha (remetendo para o Nascimento de Vénus).

De realçar que a figura que representa a Virgem poderia representar uma dama da corte. Esta forma de representação traduz o antropocentrismo e o racionalismo assumidos pelo Renascimento, aspectos que evidenciam a íntima ligação entre Renascimento e Humanismo.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Ângelo de Sousa III

Discurso directo:
"Viver é uma profissão. Tem de se fazer 24 horas por dia."
Concordo plenamente. Viver, dá muito trabalho! E é coisa séria! Dizia Vinicius de Moraes:
"A vida não é de brincadeira amigo."
Por falar em 24 horas por dia, lembrei-me de um poema de José Gomes Ferreira: "Viver sempre também cansa!":
"[...]
Pois não era mais humano
morrer por um bocadinho,
de vez em quando,
e recomeçar depois, achando tudo mais novo?
Ah! se eu pudesse suicidar-me por seis meses,
morrer em cima dum divã
com a cabeça sobre uma almofada,
confiante e sereno por saber
que tu velavas, meu amor do Norte
[...]"

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Ângelo de Sousa II

POST-SCRIPTUM SOBRE A ALEGRIA
Parecerá heresia, mas é a propósito desta pintura tão esplendidamente enraizada no coração do dia, onde ser e conhecer são apenas dois tempos de um só respirar, que me ocorrem palavras de uma liturgia a que é tão alheia: «No teu esplendor e beleza, vem triunfa e reina». Ali onde se diz beleza, eu direi alegria, e deixarei o esplendor não só triunfar e reinar, mas inundar terras e céus.
Por este seu lado solar, Ângelo, pois é dele que estamos falando, encontra Bonnard e Matisse no seu caminho, mas entre nós não sei de mais nenhum pintor que saiba falar da alegria de uma maneira tão imediata e limpa, tão segura e discreta, e ao mesmo tempo tão serena. É uma alegria tecida de luz, ou melhor, é como se luz e alegria fossem dois nomes do mesmo único amor.
Louvemos pois a alegria em tempos de tristeza. Ela, com o seu coração ardente de melancolia, é um dos caminhos para o solitário encontro do homem com o seu rosto. Amén.
Eugénio de Andrade, in catálogo da exposição "Os Quatro Vintes – 15 Anos Depois”, Árvore, 1985. (texto publicado no Jornal de Letras de hoje).

terça-feira, 5 de abril de 2011

Ângelo de Sousa I

[] O Ângelo era daqueles seres raríssimos sem ego. Nada a esconder, nada a defender ou preservar, uma imagem social, um estatuto, uma carreira, uma psicologia. Quando falava, trazia a vertigem consigo. A vertigem da ausência de ego que alastrava para o exterior, os outros, abanando as leis dos hábitos, das convenções e da estupidez. Não suportava a estupidez e a grosseria. [] Tinha horror à “pose” cultural, à seriedade hipócrita das convenções, ao discurso sábio “intelectual” – e à interioridade que se finge possuir para parecer profundo. []

Porque não tinha ego era um ser livre. Porque era livre – das pessoas mais livres que conheci – era imprevisível: não surgia nunca onde o julgavam apanhar. Porque era imprevisível tinha a afectividade nascente e poderosa das crianças. A sua potência vital. Por isso da sua obra jorra o júbilo único de existir – como uma cor para uma criança, como um movimento que faz existir uma coisa. []

José Gil (excertos do texto lido no funeral de Ângelo de Sousa, publicado no Público de 4 de Abril).

sexta-feira, 1 de abril de 2011

O Mito de Leda

Leonardo da Vinci - 1505-1510

O Mito de Leda foi representado por diversos pintores: de Leonardo da Vinci a Salvador Dali Destaco a obra " Leda e o cisne" de Leonardo da Vinci.

Um dia, Leda – esposa de Tíndaro, rei de Esparta – banhava-se no rio Eurotas e viu um cisne que fugia de uma águia. A águia era Afrodite e o cisne era Zeus, ambos metamorfoseados. Leda tomou o cisne nos seus braços e acariciou-o. Fizeram amor. Nessa noite Leda também fez amor com Tíndaro. Meses depois, do seu ventre saíram dois ovos. De um deles nasceu Helena e Pólux (filhos de Leda e de Zeus). Do outro nasceram Castor e Clitemnestra. Foi, seguramente, uma concepção sem pecado. Eis a origem de Helena que, com Páris, fugiu para Tróia, originando a Guerra de Tróia (ver "O Julgamento de Paris").

Júlio - Saúl Dias


As madressilvas


que em abril florescem entre os brejos


parecem dizer:


Vede como somos belas!



e os namorados


que na estrada passam, abraçados, aos beijos,


erguem os braços para colhê-las...


in "Obra Poética", Mais e Mais (1932)