
domingo, 13 de março de 2011
Notícia liliputiana

sábado, 12 de março de 2011
Epicuro de Samos

quinta-feira, 10 de março de 2011
Foi no mar que aprendi

Foi no mar que aprendi o gosto da forma bela
Ao olhar sem fim o sucessivo
Inchar e desabar da vaga
A bela curva luzidia do seu dorso
O longo espraiar das mãos de espuma
Por isso nos museus da Grécia antiga
Olhando estátuas frisos e colunas
Sempre me aclaro mais leve e mais viva
E respiro melhor como na praia
Sophia de Mello Breyner Andresen
Geração à rasca

quarta-feira, 9 de março de 2011
Solidariedade europeia
Ouvimos, todos os dias, comentários acerca das medidas de austeridade adoptadas pelo governo. A posição mais cómoda e mais facilmente aplaudida (todos nós preferimos ouvir aplausos a ouvir apupos) é de frontal oposição. Uma posição um pouco mais sensata será dizer que é preciso fazer algo, inclusive implementar medidas de austeridade, desde que essas medidas só afectem os outros. Também se ouve dizer que a culpa é da moeda única e, sendo muito poucos, há quem preconize que Portugal saia do euro e adopte de novo o escudo como moeda. De facto, se a nossa moeda fosse o escudo o problema económico que está a acontecer resolvia-se facilmente com a desvalorização da moeda. No passado isso aconteceu. O que representa desvalorizar a moeda? Representa, fundamentalmente, tornar os produtos importados mais caros para nós e os produtos exportados mais baratos para os estrangeiros. Como consequência, inevitavelmente, implicará um aumento da taxa de inflação e um aumento das taxas de juro. O que é que isso implicaria para nós? O dinheiro que possuímos passaria a valer menos! De facto, seria uma forma camuflada de reduzir os nossos ordenados. Quem tem um empréstimo bancário a pagar, seria duplamente prejudicado: passaria a ganhar menos e passaria a ter de pagar mais ao banco pelo empréstimo contraído. Não tenho qualquer dúvida: abandonar a moeda única (euro) ainda iria piorar a nossa situação.
Podemos arranjar um bode expiatório para o que está a acontecer. Quanto mais perto esse bode expiatório estiver de nós, melhor: assim, estando próximo, está à mão de semear – até lhe poderemos dar umas surras ou, pelo menos, encostar-lhe um megafone aos ouvidos. De facto, o cerne da questão não está em Portugal mas na Europa e no euro. Não estou a dizer que a Europa é que tem de resolver os nossos problemas mas sim que temos de olhar para mais longe – e não só para o nosso quintal – para percebermos o que nos está a acontecer.
Está a acontecer um ataque especulativo à zona euro. Esse ataque tem começado pelos elos mais fracos: Grécia, Irlanda e, a seguir, posiciona-se Portugal. Esse ataque tem surtido efeito porque a solidariedade europeia não tem sido suficiente. Mas para se conseguir uma maior solidariedade, nomeadamente da Alemanha, é necessário que os alemães não sintam que estão a querer usar a riqueza por eles gerada para que outros levem uma vida melhor do que a deles. Por exemplo, como é possível obter solidariedade dos alemães para com um país onde a idade de reforma é inferior à deles? Para se conseguir a necessária solidariedade europeia é preciso estabelecer regras comuns que todos sejam obrigados a cumprir. Há dias, foi publicado no Finantial Times um artigo da autoria de Guy Verhofstadt, Jacques Delors e Romano Prodi onde esta questão é colocada muito claramente. Trata-se de aprofundar a União Europeia – creio que, de facto, a União Europeia está a precisar de um aprofundamento e não de um alargamento. O que se não pode é clamar pela solidariedade da Europa para connosco e rejeitar regras comuns intitulando-as como ingerência nos assuntos internos e de perda de soberania nacional. Eu aposto, sem hesitar, em Mais Europa.
Festival d'Angoulème

No Festival International de Bande Dessinée - 2011, realizado em Angoulème, o prémio do melhor álbum foi atribuído a "Cinq mille kilomètres par seconde", da autoria do italiano Manuele Fior (35 anos). No Brasil, chamam à banda desenhada quadrinhos. Nome muito apropriado para o que constitui a 9ª arte.
No site Neuvieme-art.com pode encontrar-se um resumo do conteúdo do álbum:
L’histoire d’amour entre Piero et Lucia, que l’on retrouve à différents moments de leur vie dans Cinq mille kilomètres par seconde, se présente comme le portrait d’une certaine génération : celle qui, instable et sans repère, se trouve aujourd’hui dans la trentaine. Séduite par des milliers de modèles de vie possibles, elle ne sait en trouver un qui lui convienne. En le cherchant, elle s’aventure dans le monde, emprunte de nouveaux chemins, et s’égare. L’amour, idéalisé par l’éloignement, trompé par l’illusion de moyens de communication de plus en plus rapides, se transforme, s’épuise, et révèle alors la cruauté de son visage.
Sous des auspices intimistes, Cinq mille kilomètres par seconde est un ouvrage ambitieux qui nous promène dans le monde et dans le temps. Cette fresque introspective est illuminée par les aquarelles à couper le souffle d’un Manuele Fior qui atteint ici une maturité graphique impressionnante.
segunda-feira, 7 de março de 2011
O Mito do Minotauro

Representação do Minotauro num vaso ático de 515 a.C.
Minos fez um pedido a Poseidon, deus dos mares, para que o ajudasse a tornar-se rei de Creta. Poseidon aceitou mas colocou como condição que Minos sacrificasse um touro que sairia do mar. O touro que saiu do mar era tão bonito que o rei Minos ficou com ele e sacrificou um outro no seu lugar. Poseidon apercebeu-se disso, ficou furioso e resolveu castigá-lo. Fez com que Pasífae, esposa do rei Minos, se apaixonasse pelo touro. Dessa união nasceu o Minotauro (touro de Minos). O rei Minos pediu a Dédalo (pai de Ícaro) que construísse um grande labirinto donde o Minotauro não conseguisse sair. Por os atenienses terem morto Androceu, filho do rei Minos, durante a guerra entre cretenses e atenienses, que foi ganha pelo rei Minos, este obrigou os atenienses a, todos os anos, enviarem sete rapazes e sete raparigas para serem devorados pelo Minotauro. No terceiro ano, Teseu – filho do rei Egeu de Atenas – ofereceu-se para integrar o grupos de jovens a ser sacrificado, com o intuito de ir a Creta matar o Minotauro. Quando Teseu chegou a Creta, Ariadne, filha do rei Minos, apaixonou-se por ele e quis ajudá-lo. Entregou-lhe um novelo de lã para que Teseu pudesse marcar o caminho percorrido para que não se perdesse no labirinto. Teseu consegue matar o Minotauro com a espada que Ariadne lhe tinha dado e sair do labirinto seguindo o caminho marcado com o fio de lã.
Teseu e Ariadne embarcam para se dirigirem para Atenas. Pelo caminho, Teseu abandonou Ariadne na ilha de Naxos. Mais tarde, Ariadne viria a casar com Dionísio, deus do vinho. Ao aproximar-se de Atenas, esqueceu-se de içar a vela branca – sinal combinado com seu pai como sinal de vitória sobre o Minotauro. O rei Egeu ao ver o barco com a vela negra, pensou que o seu filho tinha morrido e suicidou-se atirando-se ao mar que ficou, a partir daí, conhecido por mar Egeu.
