domingo, 6 de março de 2011

Charles Baudelaire

L'invitation au voyage

Mon enfant, ma soeur,
Songe à la douceur
D'aller là-bas vivre ensemble!
Aimer à loisir,
Aimer et mourir
Au pays qui te ressemble!
Les soleils mouillés
De ces ciels brouillés
Pour mon esprit ont les charmes
Si mystérieux
De tes traîtres yeux,
Brillant à travers leurs larmes.

Là, tout n'est qu'ordre et beauté,
Luxe, calme et volupté.

Des meubles luisants,
Polis par les ans,
Décoreraient notre chambre;
Les plus rares fleurs
Mêlant leurs odeurs
Aux vagues senteurs de l'ambre,
Les riches plafonds,
Les miroirs profonds,
La splendeur orientale,
Tout y parlerait
À l'âme en secret
Sa douce langue natale.

Là, tout n'est qu'ordre et beauté,
Luxe, calme et volupté.

Vois sur ces canaux
Dormir ces vaisseaux
Dont l'humeur est vagabonde;
C'est pour assouvir
Ton moindre désir
Qu'ils viennent du bout du monde.
— Les soleils couchants
Revêtent les champs,
Les canaux, la ville entière,
D'hyacinthe et d'or;
Le monde s'endort
Dans une chaude lumière.

Là, tout n'est qu'ordre et beauté,
Luxe, calme et volupté.

O CONVITE À VIAGEM

Minha doce irmã,
Pensa na manhã
Em que iremos, numa viagem,
Amar a valer,
Amar e morrer
No país que é a tua imagem!
Os sóis orvalhados
Desses céus nublados
Para mim guardam o encanto
Misterioso e cruel
Desse olhar infiel
Brilhando através do pranto.

Lá, tudo é paz e rigor,
Luxo, beleza e langor.

Os móveis polidos,
Pelos tempos idos,
Decorariam o ambiente;
As mais raras flores
Misturando odores
A um âmbar fluido e envolvente,
Tectos inauditos,
Cristais infinitos,
Toda uma pompa oriental,
Tudo aí à alma
Falaria em calma
Seu doce idioma natal.

Lá, tudo é paz e rigor,
Luxo, beleza e langor.

Vê sobre os canais
Dormir junto aos cais
Barcos de humor vagabundo;
É para atender
Teu menor prazer
Que eles vêm do fim do mundo.
— Os sanguíneos poentes
Banham as vertentes,
Os canis, toda a cidade,
E em seu ouro os tece;
O mundo adormece
Na tépida luz que o invade.

Lá, tudo é paz e rigor,
Luxo, beleza e langor.

A direita assume-se

Segundo o novo colunista do Expresso, o finalista de Direito e militante da JSD, João Lemos Esteves, o PSD deve “perder o medo de se assumir como a “nova direita””. Diz ele que ser de direita dá votos. Sincero e calculista. Sem desprezo pelos contributos de Maria Filomena Mónica e de Mário Crespo, é uma grande mais-valia a incorporação deste colunista no novo Expresso. Temos direita: o PSD e o Expresso. Nova é que não parece ser. É antes velha e desiludida.

Picasso e o Minotauro

“Minotauro e uma Amiga” - 1933

É intrigante a quantidade de vezes que o Minotauro é representado nos desenhos, gravuras e pinturas de Picasso. O Minotauro surge na obra de Picasso em 1928 e é presença assídua até 1937. Surge com um carácter selvagem, na linha do mito em que o mal - Mintauro - é derrotado pelo bem - Teseu. Mas progressivamente o Minotauro vai-se humanizando. Picasso identifica-se mesmo com o Minotauro que se pode considerar o seu alter ego. Assume a sua animalidade.

Mas, como escreveu Marguerite Yourcenar, "Qui n'a pas son Minotaure?"


sábado, 5 de março de 2011

Castelo de Moulinsart

Castelo de Moulinsart

Castelo de Cheverny

O Castelo de Cheverny, um dos muitos castelos do Loire, está situado 10 km a sul de Blois. Comparando as duas imagens, não há qualquer dúvida de que foi a partir dele que Hergé desenhou o Castelo de Moulinsart. Essa identificação foi assumida e, hoje, no Castelo de Cheverny existe uma exposição permanente dedicada a Tintim.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Costa do Marfim


Segundo o Euronews: "Costa do Marfim à beira de uma catástrofe humanitária". Entretanto, nas televisões só se fala da Líbia. Barack Obama discursa dizendo que não vai permite que na Líbia haja uma catástrofe humanitária. Ele não sabe o que se está a passar na Costa do Marfim, senão já tinha tomado medidas. É preciso que alguém avise Barack Obama. Afinal, já não podemos dormir descansados porque os nossos amigos americanos andam distraídos.

Nosferatu de Murnau


No dia 5 de Março de 1922, faz depois de amanhã 89 anos, foi pela primeira vez exibido o filme Nosferatu de Murnau. Este filme é um marco na história do cinema e, em particular, uma referência incontornável para o género “filme de terror”. Trata-se de uma adaptação não autorizada do romance "Drácula" (1897) do irlandês Bram Stoker. Imagens fortíssimas! Sombras poderosas! Nosferatu é o expoente do expressionismo alemão. Uma boa maneira de comemorar os seus 89 anos será ver o filme. Ainda hoje impressiona!

O Julgamento de Páris

O Julgamento de Páris - Rubens

Peleu, rei da Fítia (Tessália) tinha casado com a ninfa Tétis. Muitos deuses participavam na boda. Quando a festa estava no auge, Éris, deusa da Discórdia - que não tinha sido convidada -surge e deixa sobre a mesa do banquete um pomo (maçã) de ouro com a inscrição “Para a mais bela”.

Três deusas avançam já que cada uma delas se considerava a mais bela. Foram elas: Hera, Atena e Afrodite. Ninguém quis tomar partido, nem sequer Zeus – o rei dos deuses – quis decidir quem era a mais bela. A solução encontrada por Zeus foi que a decisão fosse tomada por um homem que não conhecesse as três deusas. O homem escolhido foi Páris, filho mais novo de Príamo, rei de Tróia. Páris vivia entre pastores porque poucos dias antes de nascer a sua mãe – a rainha Hécuba - teve um pesadelo terrível no qual o seu filho tinha nascido sob a forma de uma tocha que incendiou Tróia. Esse pesadelo foi interpretado como sinal de que o filho viria a causar uma grande desgraça a Tróia, pelo que devia ser morto à nascença. Hécuba preferiu abandoná-lo no Monte Ida. Por sorte, a criança foi recolhida por pastores que o criaram. Páris era um homem ainda jovem quando, estando a pastorear um rebanho no Monte Ida, lhe aparecem as três deusas que aí foram conduzidas por Hermes. Cada uma das deusas prometeu que lhe daria algo de tentador se fosse a escolhida. Hera prometeu que lhe daria o domínio da Ásia. Atenas dar-lhe-ia sabedoria e vitórias nas batalhas. Afrodite prometeu-lhe o amor da mulher mais bela do mundo. Páris preferiu o amor a tudo o resto e entregou o pomo de ouro a Afrodite. A mulher mais bela do mundo - a que se referia Afrodite – era Helena, esposa do rei Menelau de Esparta.

Conta-se, pois, que a paixão de Helena e Páris e a sua fuga para Tróia originaram a Guerra de Tróia que viria a terminar com a conquista e destruição de Tróia pelos gregos.

Neste episódio – O Julgamento de Páris – encontramos a explicação para a expressão “o pomo da discórdia”.