segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Michel de Montaigne


Michel de Montaigne nasceu no dia 28 de Fevereiro de 1533. Há 478 anos! Fundou um género literário - o ensaio. A sua obra Ensaios foi publicada em 1580, ano da batalha de Alcácer Quibir. E, no entanto, quanta actualidade no que escreve!
Disse José Saramago: "Os escritores a que estou sempre a voltar são Montaigne, Pessoa e Kafka".
Nos Ensaios (obra muito mais vasta do que os três ensaios da publicação a que o link dá acesso), Montaigne citava frequentemente os clássicos. Três excertos:

“A nossa vida, dizia Pitágoras, assemelhava-se à grande e populosa assembleia dos Jogos Olímpicos. Uns exercitam o corpo para conquistar a glória dos jogos; outros levam suas mercadorias para vender e ganhar. Outros há, e não são os piores, que não pretendem mais proveito senão o de ver como e porquê cada coisa é feita e ser espectadores da vida dos outros homens para assim julgarem e regularem a sua.”

"Perguntamos logo: “Sabe grego? Sabe latim? Escreve em verso? Escreve em prosa?” Mas se se tornou melhor e mais avisado, eis o que é principal e o que fica sempre para trás. Era preciso perguntar quem sabe melhor e não quem sabe mais. Trabalhamos apenas por encher a memória e deixamos vazios o entendimento e a consciência."

"Fora com a violência e a força; não há nada, em minha opinião, que mais abastarde e dormente uma natureza generosa. Se tendes vontade de que tema a vergonha e o castigo, não o calejeis neles."

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Originalidade irlandesa

Os dois principais partidos da Irlanda são o Fianna Fáil e o Fine Gael, ambos de centro-direita. Os dois partidos surgiram na sequência da divisão que ocorreu, no final da Guerra da Independência da Irlanda, entre os adeptos do Tratado que instituiu a divisão da Irlanda, liderados por Michael Collins, e os que a ele se opunham. Os primeiros viriam a dar origem ao Fine Gael e os segundos ao Fianna Fáil. Para além dessa diferença, hoje com um carácter histórico, mas ainda presente em alguns meio, principalmente rurais, as diferenças entre os dois partidos não são muito claras. No Parlamento Europeu, o Fianna Fáil está integrado na Aliança dos Democratas e Liberais pela Europa e o Fine Gail no Partido Popular Europeu. Relativamente aos programas eleitorais, ambos apresentaram como objectivo a redução do défice público para 3% em 2014, enquanto o Partido Trabalhista propunha que esse objectivo fosse atingido apenas em 2016. Havia divergências relativamente à forma como reduzir o défice: o Fine Gael propunha que 75% da redução fosse conseguida através de cortes na despesa pública e 25% por aumento de impostos; o Fianna Fail defendeu 66% e 33%, respectivamente, e os trabalhistas: 50% e 50%.

Segundo uma sondagem à boca das urnas, os resultados das eleições realizadas na sexta-feira passada são:

Fine Gael (Enda Kenny ) - 36,1 (27%)

Partido Trabalhista (Eamon Gilmore) - 20,5% (10%)

Fianna Fáil (Michéal Martin) - 15,1% (42%)

Sinn Fein (Gerry Adams) - 15,1% (7%)

Partido Verde (John Gormley) - 2,7% (5%)

Entre parênteses: os líderes actuais e as percentagens obtidas pelos partidos nas anteriores eleições.

Tudo indica que o próximo governo resultará de uma coligação do Fine Gael com o Partido Trabalhista. As diferenças que se venham a verificar entre o futuro governo e o actual serão determinadas mais pela aliança com os trabalhistas do que pelas diferenças ideológicas entre o Fine Gael e o Fianna Fáil.

Os partidos actualmente no governo: Fianna Fáil e Partido Verde foram pesadamente castigados, fundamentalmente devido à intervenção do FMI e consequente implementação das suas medidas.

Perante este descalabro eleitoral é mais fácil compreender porque é que alguma direita, em Portugal, defende a intervenção do FMI, desde já. E porque não está Passos Coelho interessado em provocar eleições já, por não querer correr o risco de que o FMI venha a intervir num momento em que ele próprio esteja no poder.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Irish coffee

25 ml de whiskey irlandês
45 ml de café expresso quente
18 ml de natas batidas
1 colher de chá de açúcar mascavado
Aqueça a caneca de vidro. Misture o açúcar, o whiskey e o café bem quente. Coloque, por cima, as natas batidas e, para que se não misturem com o resto, deite as natas devagar sobre as costas de uma colher aquecida. Não misture e beba a parte quente através da camada de natas frias.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Não nos iludamos, o Islão não se converterá ao nosso modelo e é ilusão pensar que o está fazendo


Muito lúcida a análise feita por Eduardo Lourenço, relativamente às revoluções islamistas, que foi objecto de artigo no Público de 21 de Fevereiro (segunda-feira).

Alguns excertos que não dispensam a leitura de todo o artigo.

“No fundo, a nossa euforia e natural alegria com o Abril islâmico, vendo bem, é uma versão inconsciente da eterna vocação de querer “converter” ou ilustrar os famosos infiéis.”

“Não nos iludamos, o Islão não se converterá ao nosso modelo e é ilusão suma pensar que o está fazendo. Porque o faria? Porque perderia o que ele pensa ser a sua alma e em troca de quê?”

“... a recente acção politica e guerreira dos Estados Unidos – ampliando a nossa – converteu o espaço islâmico em espaço privilegiado da sua acção no mundo. Ou melhor, da sua politica de vocação universal, como vencedor incontestável da II Guerra Mundial, substituindo o clássico imperialismo inglês em nome do seu democratismo messiânico. Quer dizer, dos seus interesses, assumidos como sendo os da própria Democracia. Do Irão de Mossadegh ao Iraque de Saddam Hussein, essa política justificada por imperativos vitais (petróleo) ao serviço da maior democracia do Ocidente afastou-nos e alienou-nos ainda mais desse mundo islâmico. Entre a osmose com Israel e a aliança privilegiada com a Arábia Saudita ficava hipotecada a nossa mais antiga e sempre difícil relação com o Islão. E assim se mantém.”

"Em suma, rebelaram-se, em função de valores e referencias próprias, de uma cultura de que são orgulhosos, ética e religiosamente não contestada, por impensavelmente incontestável.”

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Fábula de Veneza

A Veneza que é divulgada, para consumo de potenciais turistas, é a Veneza dos canais e das gôndolas. Depois de ter estado em Veneza (pela 1ª vez, quando tinha 24 anos), fiquei com uma ideia completamente diferente da cidade. A cidade tem uma rede de vias pedonais – ruas, ruelas e praças – pelo menos, tão importante como a rede de canais, como se fossem duas malhas sobrepostas mas desencontradas. O que encontrei de singular em Veneza foram as pequenas praças com um poço no meio. São os “campi” (praças de média dimensão) e os “campielli” (praças de pequena dimensão). Hoje, é esta a imagem que associo a Veneza: a pequena praça com um poço no meio e gatos por ali.

Quando li o livro "Fábula de Veneza" - uma das Aventuras de Corto Maltese - pensei: cá está! Veneza é isto!

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Nina Simone

Nina Simone nasceu no dia 21 de Fevereiro de 1933. Já não está entre nós mas ainda não foi esquecida! Nem o será tão cedo.
Interpretação de I wish I knew how it would feel to be free em 1976, em Montreux.
Grande interpretação! Música muito sentida! A música sai do seu íntimo.

Vale a pena dar atenção à letra:

I wish I knew how
It would feel to be free
I wish I could break
All the chains holding me
I wish I could say
All the things that I should say
Say 'em loud say 'em clear
For the whole round world to hear
I wish I could share
All the love that's in my heart
Remove all the bars
That keep us apart
I wish you could know
What it means to be me
Then you'd see and agree
That every man should be free

I wish I could give
All I'm longin' to give
I wish I could live
Like I'm longin' to live
I wish I could do
All the things that I can do
And though I'm way over due
I'd be starting a new

Well I wish I could be
Like a bird in the sky
How sweet it would be
If I found I could fly
Oh I'd soar to the sun
And look down at the sea
Than I'd sing cos I know - yea
Then I'd sing cos I know - yea
Then I'd sing cos I know
I'd know how it feels
Oh I know how it feels to be free
Yea Yea! Oh, I know how it feels
Yes I know
Oh, I know
How it feels
How it feels
To be free

5 minutos de jazz

No dia 21 de Fevereiro 1966, foi emitido o 1º programa "5 minutos de jazz". Faz hoje 45 anos! É o programa diário - de segunda a sexta - mais antigo da rádio portuguesa. Grande divulgador de jazz, grande comunicador e pessoa de grande simplicidade. Há uns anos enviei-lhe um email. Não o conhecia pessoalmente mas tinha uma questão a colocar-lhe. Respondeu-me assinando Zé Duarte.

A notícia na RTP do 45º aniversário do "5 minutos de jazz".

De registar que doou a sua magnífica colecção de discos e cd's de jazz à Universidade de Aveiro, onde é professor.

Pode fazer-se o download de 1h 13m 5s de música seleccionada por José Duarte.

Para quem lhe quiser enviar os parabéns, o seu endereço electrónico é: joseduarte@ua.pt

Longa vida ao programa e ao seu autor!