segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Nina Simone

Nina Simone nasceu no dia 21 de Fevereiro de 1933. Já não está entre nós mas ainda não foi esquecida! Nem o será tão cedo.
Interpretação de I wish I knew how it would feel to be free em 1976, em Montreux.
Grande interpretação! Música muito sentida! A música sai do seu íntimo.

Vale a pena dar atenção à letra:

I wish I knew how
It would feel to be free
I wish I could break
All the chains holding me
I wish I could say
All the things that I should say
Say 'em loud say 'em clear
For the whole round world to hear
I wish I could share
All the love that's in my heart
Remove all the bars
That keep us apart
I wish you could know
What it means to be me
Then you'd see and agree
That every man should be free

I wish I could give
All I'm longin' to give
I wish I could live
Like I'm longin' to live
I wish I could do
All the things that I can do
And though I'm way over due
I'd be starting a new

Well I wish I could be
Like a bird in the sky
How sweet it would be
If I found I could fly
Oh I'd soar to the sun
And look down at the sea
Than I'd sing cos I know - yea
Then I'd sing cos I know - yea
Then I'd sing cos I know
I'd know how it feels
Oh I know how it feels to be free
Yea Yea! Oh, I know how it feels
Yes I know
Oh, I know
How it feels
How it feels
To be free

5 minutos de jazz

No dia 21 de Fevereiro 1966, foi emitido o 1º programa "5 minutos de jazz". Faz hoje 45 anos! É o programa diário - de segunda a sexta - mais antigo da rádio portuguesa. Grande divulgador de jazz, grande comunicador e pessoa de grande simplicidade. Há uns anos enviei-lhe um email. Não o conhecia pessoalmente mas tinha uma questão a colocar-lhe. Respondeu-me assinando Zé Duarte.

A notícia na RTP do 45º aniversário do "5 minutos de jazz".

De registar que doou a sua magnífica colecção de discos e cd's de jazz à Universidade de Aveiro, onde é professor.

Pode fazer-se o download de 1h 13m 5s de música seleccionada por José Duarte.

Para quem lhe quiser enviar os parabéns, o seu endereço electrónico é: joseduarte@ua.pt

Longa vida ao programa e ao seu autor!

Ama como a estrada começa


Mário Cesariny escreveu este poema de um só verso que, para além da grande sensibilidade que mostra, demonstra um enorme poder de síntese.

De Mário Cesariny, também gosto muito deste poema:

Em todas as ruas te encontro

Em todas as ruas te perco

conheço tão bem o teu corpo

sonhei tanto a tua figura

que é de olhos fechados que eu ando

a limitar a tua altura

e bebo a água e sorvo o ar

que te atravessou a cintura

tanto, tão perto, tão real

que o meu corpo se transfigura

e toca o seu próprio elemento

num corpo que já não é seu

num rio que desapareceu

onde um braço teu me procura

Em todas as ruas te encontro

Em todas as ruas te perco

Este poema, dito por Diogo Varela Silva, pode ser ouvido no filme realizado por Diogo Varela Silva, com os actores André Gago e Maria Zamora (agradeço a André Gago a rectificação).


domingo, 20 de fevereiro de 2011

Inês Pedrosa

Ontem, soube que o Expresso tinha dispensado os serviços de Inês Pedrosa. Fiquei chocado! Há mais de um ano que lia sempre a Crónica Feminina de Inês Pedrosa. E lia-a com gosto. Os assuntos tratados interessavam-me particularmente e a forma como os tratava cativavam a minha atenção. Vou recordar algumas frases escritas por Inês Pedrosa nas suas crónicas:

- “As palavras são faróis acesos contra a escuridão da violência.”

- “Só o sexo atenta contra o nosso pudor. Triste país."

- “Quando a má-língua for modalidade olímpica, não haverá quem nos roube o pódio inteiro.”

- “Políticos sem palavra nem respeito pelos outros matam a política.”

- "A vida não é previsível. O futuro dos nossos filhos também não – a não ser que o encolhamos de pânico, como agora estamos a fazer.”

Escrevia sobre Cinema, Literatura, Filosofia, Assuntos Sociais, exprimindo as suas opiniões de forma livre e não condicionada às linhas de força do momento. Bateu-se pelos direitos das mulheres e das crianças e pela não discriminação dos homossexuais.

O Expresso dispensa os seus serviços e o título da sua última crónica é “Obrigada”.

Inês Pedrosa, sei que a vou reencontrar noutro jornal ou revista.

Expresso, não me apetece nada continuar a comprá-lo.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Museu dos Descobrimentos


Está a ser construído em Lisboa o novo Museu dos Coches. Com projecto do Arquitecto Paulo Mendes da Rocha, o sucesso está garantido. Acontece que o Museu dos Coches já era um caso de sucesso: é um dos museus mais visitados de Portugal e o mais visitado de Lisboa. Então, como era um museu tão visitado, resolveram dar-lhe instalações de maior qualidade. Opção discutível. Não teria sido melhor criar um outro museu?

Em Estocolmo, há um museu que é um extraordinário caso de sucesso: o Museu Vasa. É o museu mais visitado dos países escandinavos. Visitei-o há uns anos. O que é mais curioso é que este caso de sucesso nasceu a partir de um fracasso monumental. A 10 de Agosto de 1628 (o rei de Portugal era Filipe III), o Vasa parte do porto de Estocolmo, para a sua viagem inaugural. Depois de percorrer 1300 metros afundou-se. O Vasa permaneceu 333 anos no fundo do mar e as águas frias e salobras contribuíram para que tivesse sido encontrado em muito bom estado de conservação. O navio é imponente em dimensão e em ornamentação mas o museu não se limita a mostrar o navio. É mostrado como se vivia naquela época, como se vestiam as pessoas, como se construíam navios, quais as relações da Suécia com os países vizinhos, são explicadas as razões do naufrágio do Vasa à luz da Física... Assim, os conhecimentos que se adquirem numa visita vão desde a História à Estática, passando pela Antropologia. Meritória esta transformação de um fracasso num caso de sucesso. Fez-me lembrar a nossa sopa da pedra, apesar de que o Vasa era já uma rica pedra, já em si muito saborosa.

Voltando aos nossos museus. Por que não, em vez de se construir um novo edifício para o já existente Museu dos Coches, construir um novo museu? E esse novo museu seria o Museu dos Descobrimentos. Esta ideia, que eu apoio, já tem sido defendida publicamente pelo meu amigo Manuel Matos Fernandes. E, acerca dos descobrimentos, quanto haveria para contar! E os Descobrimentos Portugueses nem sequer foram um fracasso.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Marcel Duchamp

Hoje, na Fundação Eugénio de Almeida, em Évora, é inaugurada a exposição Duchamp: A Arte de Negar a Arte que ficará patente até 12 de Junho. O pintor e escultor francês Marcel Duchamp viveu de 1887 a 1968. Pode ler-se no site da Fundação Eugénio de Almeida (http://www.fundacaoeugeniodealmeida.pt/):
"Tido como um dos precursores da arte conceptual e um dos principais impulsionadores do movimento do Dadaísmo, corrente artística que rompe com as formas de arte tradicionais e defende a espontaneidade e o absurdo, Duchamp é considerado um dos artistas mais influentes da história de Arte Moderna."
André Breton disse que Marcel Duchamp era um dos homens mais inteligentes do século e que era, para muitos, o mais incómodo.
Interessante o excerto de uma entrevista concedida por marcel Duchamp a Pierre Cabanne:

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Samba em Prelúdio, nome estranho!

Extraordinária a história do nascimento de "Samba em Prelúdio", da autoria de Baden Powell (música) e Vinicius de Moraes (letra). É o próprio Baden Powell que nos conta a história do seu (da música) nascimento. Nem sei mesmo o que é melhor: se a própria história ou se a maneira como é contada.

A história contada, com muito carinho, por Baden Powell:

http://www.youtube.com/watch?v=khAYr4GbUqU&feature=related

A música:

http://www.youtube.com/watch?v=_RzuC5ttoFw

Dizia Vinicius de Moraes que a música, com que Baden Powell lhe apareceu em casa, era plágio de um Prelúdio de Chopin. Vinicius estava enganado mas talvez se referisse ao seguinte Prelúdio de Heitor Villa Lobos:

http://www.youtube.com/watch?v=tywBXGeM-OQ&feature=related

Disse Vinicius de Morais:

- Então quer dizer que não é Chopin, não?

- Não.

- Então Chopin esqueceu de fazer essa!