
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Portugal acima da linha de água

É urgente destruir crueldade

Pode ler-se no site da Câmara Municipal de Évora que o brasão da cidade representa “um cavaleiro armado de prata, realçado de azul, galopando em cavalo negro e empunhando uma espada de prata ensanguentada; em contra-chefe duas cabeças de carnação, caídas e cortadas de sangue, uma de homem à dextra e outra de mulher à sinistra toucadas de prata”. Tudo indica que o cavaleiro é Geraldo Sem Pavor, responsável pela conquista de Évora aos “infiéis”. As cabeças degoladas são, nitidamente, mouriscas. O sangue da espada também é, seguramente, mourisco.
Algumas manifestações de barbárie e de intolerância religiosa como: a escravatura, a pena de morte e a Santa Inquisição foram abolidos de Portugal, apesar da tradição. Mas essa mesma tradição não permite que a representação da carnificina seja suprimida do brasão da cidade de Évora.
Muito criticamos a barbárie dos outros, a intolerância religiosa dos outros, mas não nos vemos ao espelho. E se olhássemos para o espelho, o que veríamos? Talvez não víssemos grande coisa. É que “o maior cego é aquele que não quer ver”.
Como escreveu Eugénio de Andrade: "É urgente destruir ... ódio ... crueldade, ... muitas espadas".
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Urgentemente

(Foto de mural da Escola EB2/3 de Paranhos, autor da foto desconhecido)
É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras
Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer
Eugénio de Andrade
Muito amor e pouco consumo!
Em 1969 saiu o single de Jane Birkin e Serge Gainsbourg “Je t’aime moi non plus”. As atenções centraram-se de tal maneira no lado A do single que o lado B quase passou despercebido. A música do lado B é lindíssima, é da autoria de Chopin.
Podemos, talvez, começar por ouvir a adaptação de Serge Gainsbourg, intitulada Jane B.
http://www.youtube.com/watch?v=bbUUwJxpW88
E, a seguir, a música original - o Prelúdio Op. 28, No. 4 - tal como foi composta por Frédéric Chopin:
http://www.youtube.com/watch?v=ef-4Bv5Ng0w
Feliz dia dos namorados, com muito amor e pouco consumo.
domingo, 13 de fevereiro de 2011
O Sol no seu esplendor!

A Terra recebe do Sol, durante um ano, mais de 1,5 triliões de quilowatts-hora, ou seja, 1500000000000000 kWh. Esta energia representa, aproximadamente, 10 000 vezes a energia consumida pela população mundial no mesmo período. Por estes números é fácil concluir das enormes potencialidades da energia solar. Para termos uma noção da grandeza do Sol: o diâmetro do Sol é 1.390.600 km (Terra: 12.756 km); a sua massa representa 99,8% da massa de todo o sistema solar. Sobre a superfície do Sol uma pessoa, que na Terra pesa 70 kg, pesaria 2 toneladas - não seria fácil deslocar-se (se não derretesse). Admirável!
Os egípcios que, no Egipto Antigo, o adoravam sob o nome de Rá, lá tinham as suas razões para o considerarem o mais importante deus.
Assim vai o mundo!
Há uns dez/doze anos, ouvia Sena Santos todas as manhãs na Antena 1. Gostava de o ouvir - ouvia-o, praticamente, todos os dias - tanto pelas notícias que seleccionava, citando jornais de todo mundo, como pelo ritmo vertiginoso que impunha no relato que fazia dessas notícias. Recordo-me que ele tinha alguma predilecção pelos jornais: Tribune de Genève e El Clarín de Buenos Aires. Foi nessa altura que comprei um rádio para a casa de banho para o poder ouvir enquanto me lavava. Sena Santos saiu da Antena 1 e durante um anos deixei de ouvir falar dele. Senti a falta da sua voz.
Cada vez ouço menos os notíciários da televisão. Alguém disse que “mentes grandes discutem ideias, mentes medianas discutem acontecimentos e mentes pequenas discutem pessoas”. Tenho sentido que os noticiários das nossas televisões estão ao nível das mentes pequenas. Por isso, cada vez os ouço menos. Além disso, esses noticiários têm uma atracção pela lama. Como um veículo vulgar, patinam, patinam na lama e não avançam. Chegam a passar um noticiário a falar, por exemplo, do assassinato de Carlos Castro, como se, entretanto, o mundo tivesse parado e não tivesse sucedido nada digno de registo.
Há uns três anos voltei a encontrar a voz de Francisco Sena Santos no endereço: http://senasantos.podcasts.sapo.pt/ Os “episódios” que apresenta são diários, uns dez minutos diários. Continua a ser uma boa companhia, agora já não ao levantar mas, geralmente, enquanto faço a minha caminhada. Pessoalmente, prefiro quem, em vez de se andar a arrastar na lama, sobe ao cimo da gávea e de lá me diz: "Assim vai o mundo".
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Salvemos a pele!
Não, não é um apelo ao salve-se quem puder. Mas de que pele é que estou a falar? Hundertwasser dizia que o homem tinha cinco peles: a epiderme, o vestuário, a casa, o meio social e a Terra. Hundertwasser é o pseudónimo escolhido por Friedrich Stowasser, pintor e arquitecto austríaco que viveu entre 1928 e 2000. A teoria das cinco peles era uma forma de teorizar a necessidade do homem viver em harmonia com o meio ambiente. Foi um pioneiro da arquitectura bioclimática. Os edifícios por ele projectados eram normalmente cobertos por vegetação e dava uma grande importância às janelas que dizia eram como os poros que furam a epiderme. Vanguardista, não foi completamente compreendido na época em que viveu. Agora, voltando ao título. Eu estava a referir-me à nossa 5ª pele. Salvemos a pele, ou seja, salvemos a Terra!
